quarta-feira, 4 de março de 2015

Pó e asfalto na trajetória da Expresso de Luxo

Por Fortalbus
Os caminhos brasileiros ainda não eram estradas e os ônibus só uma novidade européia quando, em 1915, na cearense Maranguape, nasceu José Joca. Nascia com ele a possibilidade de integração dos estados nordestinos, nas idas e vindas dos seus cidadãos. E, sem exageros, as modernas técnicas de administração das empresas de transportes de passageiros, desenvolvidas pela Irmãos Paula Joca Transportes Ltda – Expresso de Luxo, a primeira a atravessar as divisas do Ceará e do Nordeste.

A Expresso Luxo foi resultado de um erro de cálculo, que José Joca aproveitou para corrigir o rumo da sua vida. Seu negócio, isso ele nunca duvidou, eram motores sobre rodas. O primeiro, um caminhão “Fargo”, que distribuía mercadorias entre as cidades nordestinas.

Não que desgostasse do caminhão. Pelo contrário. Foi com ele que Joca ganhou mundo e se popularizou como o “pe de outro” em todos os forrós nordestinos. Mas o ‘Fargo” era pequeno para carregar seus projetos. Aventurando-se em nova rota, tentou o ramo do comércio. Queria revender em Recife uma camioneta GMC comprada em Fortaleza. Não conseguiu. Retornou para casa com passageiros, que pagariam as despesas da viagem. A primeira viagem do Expresso de Luxo.

Dispondo de um capital de apenas Cr$ 200 mil, a empresa iniciou sob a razão social de “Irmãos Paula Joca Ltda”. Em 1951, a empresa transferiu-se para a rua senador Pompeu, 474, onde funcionou a agência de passagem e toda a estrutura inicial da empresa.

Daí até transformar a empresa ma maior do Nordeste, Joca atolou e comeu muito pó, nas estradas e fora deles. Mas na década de 50 a Expresso Luxo já era responsável pela integração dos três maiores estados nordestinos, com linhas regulares entre Fortaleza e Recife e Fortaleza e São Luís.

Em 1968, a Expresso de Luxo adquiriu o controle acionário da Expresso Fortaleza. Na época a Luxo tinha 47 carros e a Fortaleza 45 unidades. Enquanto a Expresso Fortaleza fazia as linhas Fortaleza/Rio/São Paulo a luxo também já avançava, aumentando seu número de linhas ligando Fortaleza a Recife, Parnaíba, Campina Grande e quase todas as capitais do nordeste.

No ano de 1972, a Expresso de Luxo inaugurava a linha Fortaleza-Recife-Fortaleza, proporcionando maiores vantagens aos passageiros. Para o trecho foram utilizados confortáveis ônibus leito e semi-leito.

Em 1978 a Luxo trouxe o primeiro rodoviário articulado do nordeste, expondo em sua garagem um Marcopolo III B-111RS de 18 metros de comprimento, cedido pela própria Scania para divulgação na região nordeste.

Em 1987, a Luxo tinha uma frota de 138 ônibus, dos quais 53 eram Marcopolo Viaggio. Além de interligar as principais capitais nordestinas e cidades interioranas da região, dedicava também especial atenção à organização de viagens turísticas pelo Brasil e exterior.

Com muito empenho de seus fundadores, diante de todas as dificuldades, a Expresso de Luxo cresceu e se tornou uma gigante do nordeste, conquistando a preferência de seus usuários, pioneira nos mais diferentes aspectos relacionados ao transporte rodoviário. Foi ela a primeira a patrocinar a reciclagem dos seus motoristas, com cursos de direção defensiva e relacionamento com o público. Pioneira também com o serviço de “corujões”, ônibus que viajam preferencialmente à noite proporcionando maior conforto aos passageiros devido à menor temperatura ambiente. Motoristas educados e rodomoças especialmente treinadas, tripulando veículos de primeira categoria, com ar-condicionado e música-ambiente, transportavam os passageiros com conforto e segurança pelas estradas nordestinas.

A falta de escolaridade não chegou a atrapalhar José Joca que como autodidata conseguiu até mesmo dominar a língua inglesa e assimilar dos livros profundos conhecimentos, especialmente das suas áreas de interesse – mecânica e administração. Mesclados com muita intuição e experiência, esses conhecimentos colocaram sua empresa na vanguarda, implementando, há mais de três décadas, inovações que se tornaram referências para todas as transportadoras do país.

A formula de calculo de tarifas desenvolvida pela Expresso Luxo ainda hoje é aplicada pela maior parte das empresas brasileiras. Foi ela também a primeira a patrocinar a reciclagem dos seus motoristas, com cursos de direção defensiva e relacionamento com o publico.

José Joca morreu em 1987, depois de transformar a pequena na camioneta GMC numa frota de mais de uma centena de ônibus modernos, a ligar as capitais e as cidades do interior nordestino. Hoje ele faz parte do quadro da Ordem do Mérito do Transporte Brasileiro, da CNT. O reconhecimento nacional pelo seu pioneirismo.

Em 1992 seus 111 ônibus e 16 linhas foram vendidos para o grupo Jacob Barata, passando então todas as atividades do transporte rodoviário de passageiros para a Expresso Guanabara S/A. O transporte de passageiros ficou sendo administrado por Daniel Barata, filho de Jacob Barata. Foi acertado verbalmente o aproveitamento dos funcionários da Expresso de Luxo que trabalhavam no setor de transportes. A Expresso de Luxo continuou somente no setor de cargas, ampliando o setor com abertura de uma filial em São Paulo. A venda do setor de transporte de passageiros significou o fim da atividade inicial do grupo, fundado em 1950.

Difícil contar a história do transporte rodoviário do passageiros do Ceará e do Nordeste sem mencionar os desafios e a grandeza da Expresso de Luxo, a gigante do Nordeste como era conhecida.

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