quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Assentos mais perigosos em um ônibus

Por Gustavo Bonato
Você viaja de ônibus, não viaja? Todo mundo viaja. Eu o faço com frequência. Na hora de comprar a passagem sempre penso: em caso de acidente, qual será a poltrona onde eu corro menos risco? Eu descobri e vou contar. Mas antes é preciso explicar algumas coisas.

A primeira (até meio óbvia) é que acidente de ônibus não tem nada a ver com avião. Estatísticas mostram que é perfeitamente possível sobreviver à maioria dos acidentes de ônibus. Num desastre aéreo, chances só existem em caso de a aeronave pegar fogo em solo (ou num pouso forçado). Caso você esteja interessado, saiba que os assentos mais seguros em um avião são os “do corredor, na parte dianteira, nas cinco fileiras mais próximas de uma saída de emergência”. O estudo foi feito por uma universidade britânica e está publicado no Times Online. O resultado tem a ver com o comportamento desesperado e o fluxo das pessoas no caso de uma evacuação.

Mas nós viemos aqui para falar de ônibus, e não de aviões! Encontrei um artigo muito interessante, publicado pela revista National Bus Trader, nos EUA. Ele explica dois itens de segurança nos ônibus de longo curso (ignorando os bagunçados e abarrotados ônibus urbanos):


Compartimentalização: pelas pesquisas feitas por empresas de segurança, o mais importante para garantir a vida dos passageiros é essa tal de compartimentalização. A ideia é garantir que a pessoa esteja automaticamente dentro de uma “célula de sobrevivência” ao sentar-se. Ônibus com encostos altos, tetos rebaixados e com braços nas poltronas garantem que ninguém seja arremessado para a frente ou para o fundo do ônibus em caso de colisão.

O artigo comemora que os padrões das indústrias já se aproximam bastante do ideal. Apesar disso, é preciso estar atento para a forração traseira de cada poltrona. Ela precisa ser bem acolchoada para absorver o impacto dos joelhos e do rosto do viajante que senta atrás. Cinto de 3 pontas: o ideal

A vantagem da compartimentalização como medida de segurança é que ela existe por si só e não depende de uma ação do usuário, como afivelar o cinto.

Cinto de segurança: um cinto de duas pontas o único tipo que eu vejo nos ônibus brasileiros – tem utilidade questionável. Em caso de colisão, ele serve como uma espécie de alavanca, prendendo a cintura do passageiro, permitindo que a cabeça se choque com velocidade ainda maior na poltrona da frente. No caso de uma capotagem, vidros laminados e resistentes seriam muito mais eficientes para garantir que ninguém fosse jogado para fora.

Pesquisas mostram que 60 a 70% dos acidentes de ônibus são colisões frontais
“Um fato frequentemente negligenciado é o de que ônibus são na maioria das vezes mais pesados que outros veículos numa estrada, exceto por caminhões pesados. Ônibus intermunicipais geralmente tem 10 vezes a massa de um automóvel. Além disso, as forças em uma colisão refletem a velocidade dos veículos envolvidos. Portanto, um ônibus de 18 toneladas vai destruir um carro de 1,8 tonelada. Essas diferenças fazem com que ônibus tenham índice de segurança extremamente superior ao dos automóveis.” 

Procurei dados nas páginas da ANTT, da CNT, de universidades e não encontrei nenhuma estatística brasileira sobre os assentos mais seguros e os mais perigosos em um ônibus. (Será que eu deveria me admirar por essa ausência de pesquisas?) A imprensa também não costuma prestar atenção a esse detalhe na hora de relatar acidentes com ônibus. Fica difícil fazer qualquer projeção usando como base sites de notícias.

Foi num relatório europeu que encontrei a resposta para minha pergunta. O estudo foi apresentado em uma reunião da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa, entre as discussões sobre normas de segurança em veículos. Os autores fizeram uma compilação de estatísticas em países como Alemanha, Espanha e Hungria. Como sorte, casualidade e tragédia não respeitam fronteiras, acredito que os dados podem ser levados em conta quando você estiver ali no guichê da rodoviária, comprando aquela passagem para visitar a avó.

* Colisões frontais severas (com veículos pesados e objetos) correspondem a apenas 6 a 18% dos acidentes

* Capotagem são apenas 3 a 8% dos acidentes com vítimas

* Em 72% das colisões, o motorista do ônibus morre ou fica ferido 

As poltronas que tem risco extra em caso de colisão frontal são, em ordem crescente:
A – assentos atrás das escadas (sem assentos à frente) 
B – assentos na primeira fileira 
C – acompanhante do motorista 
D – motorista

Um comentário:

  1. E incrivelmente as poltronas que vendem primeiro, ou seja, as preferidas do usuário, são as poltronas da frente. Malucos...

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