sábado, 31 de dezembro de 2016

Os ônibus Piratas de Fortaleza

Por Fortalbus
Após a implantação do Sistema Integrado de Transporte na capital cearense no ano de 1992, Fortaleza presenciou um “boom” de ônibus piratas circulando pelas ruas da cidade. Antes mesmo do surgimento das “Topics”, nome atribuido em referencia à uma van sucesso de vendas na década de 90, o transporte não oficial era realizado pelos bairros de Fortaleza por ônibus particulares e descaracterizados.

Uma das explicações para o surgimento desses ônibus piratas, era que falhas no recem implantado Sistema Integrado não atendiam a demanda em determinadas regiões e principalmente nos horarios de “rush”. Estimava-se que no começo do ano de 1993, cerca de 120 ônibus circulavam por vários bairros de Fortaleza, causando evasão de receita na camara de compensação.

Os proprietários desses “ônibus alternativos” chegaram a propor a sua regularização junto à Secretaria de Transportes, porém, com o prejuízo que estes causavam ao municipio, foi negado e considerado inviável, visto que a idade média da frota era bastante alta e sem nenhuma padronização.

A maioria dos veículos não oficiais podiam ser encontrados na linha Grande Circular, onde o itinerário atingia bairros populosos como Messejana, Barra do Ceará e Praia do Futuro. Em alguns bairros, comunidades se mostravam a favor dos ônibus alternativos, pois alegavam que eles atendiam à lugares em que os regulares não chegavam.

Ainda no ano de 1993, foi deflagrada uma operação para retirada dos onibus irregulares das ruas, parelelo a isto, a Secretaria de Transportes anuncia o aumento da frota em mais 100 ônibus, pois na época, a frota era de aproximadamente 1.080 coletivos. Diversos debates a cerca do tema foram levantados na Câmara Municipal, sendo discutido entre vários segmentos ligados direta ou indiretamente ao setor dos ônibus em Fortaleza.
Apreensão de ônibus piratas em 1995 (O Povo)
A repressão aos piratas continuou com apreensões e multas cada vez mais pesadas aos proprietários. Observou-se que existiam dois tipos de ônibus irregulares em Fortaleza, os que atendiam alguns bairros onde o sistema regular ainda não operava e os que invadiram o sistema, se utilizando da desculpa dos primeiros. O tempo passou e os piratas resistiram, porém, agora com nomes de empresas de turismo e fretamento.

Para muitos fortalezenses, os ônibus piratas eram uma alternativa para quem não queria enfrentar os problemas existentes nos terminais de integração, a exemplo da falta de segurança e a superlotação. Para alguns, os piratas prestavam um serviço bastante “querido”, pois além de ter o mesmo valor da tarifa regular, recebiam um tratamento diferenciado.

Em 1996, o numero de veículos piratas caiu para cerca de 50, entretanto, dezenas de ônibus clandestinos ainda percorriam diariamente as linhas de ida e volta para os bairros Barra do Ceará, Centro, Barroso, Messejana, Pirambú e outros. A maioria dos veículos não tinham identificação externa e as linhas piratas funcionavam apenas nos horários de grande demanda.

Apesar da boa fé dos piratas, não podiam oferecer algumas vantagens que o transporte regular disponibilizava, como a gratuidade, a meia passagem estudantil, a segurança de veículos mais novos, a qualificação profissional, o pagamento de impostos ao Município e o Gerenciador Embarcador de Transporte (Get).

Os ônibus piratas podem ser considerados, de certa forma, como os precursores do transporte alternativo em Fortaleza, serviço que foi regularizado anos depois após o surgimento das vans, ainda conhecidas e chamadas por todo bom fortalezense como “topics”.

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