sábado, 13 de setembro de 2014

Fortaleza: Os ônibus Trólebus frustrado dos anos 80

Por Fortalbus
A cidade de Fortaleza esteve bem próxima de ter o sistema de ônibus elétrico reativado na década de 1980. A proposta surgiu em 1983, na gestão do prefeito César Cals, que pretendia instalar um sistema moderno com a utilização de veículos nacionais e mais velozes que os primeiros trólebus que circularam aqui entre 1967 e 1971, quando foram implantados sem o planejamento adequado.

Durante os estudos preliminares para a implantação do sistema, a linha Campus do Pici – Unifor seria a primeira beneficiada com os ônibus elétricos, entretanto, o principal objetivo era revitalizar a região central de Fortaleza, reexaminando as vias de circulação. A proposta era ousada, previa um sistema de maior capacidade nos eixos da BR-222/Bezerra de Menezes, BR-116/Aguanambi, Avenida José Bastos e principais corredores do transporte coletivo.
Trólebus de Fortaleza de 1967 à 1971 (O Povo)
Os ônibus elétricos eram vistos como solução ideal do sistema de transporte para o futuro, aliando vantagens da operação com tração elétrica sem poluir o ambiente, maior rendimento e vida útil dos veículos, além da capacidade de transportar maior número de passageiros com mais conforto. O trólebus funcionaria dentro do sistema tronco-alimentador de integração, as linhas de ônibus convencionais fariam a cobertura nos bairros e entregariam os passageiros em estações de transbordo, daí o trólebus levariam os usuários até o centro.

O Plano Diretor de Transportes Urbanos recomendou para 1985, a implantação de transporte de média capacidade nos corredores com limite de até dez mil passageiros por hora. As avenidas Bezerra de Menezes e Aguanambi já atingiriam tais números e, para essa circunstância, o trólebus seria mais indicado, a princípio, nestes dois corredores de transporte. Nelas, os veículos trafegariam em canaletas exclusivas, semelhantes às dos contrafluxos, com paradas a cada 400 metros.

Embora o preço de um trólebus custasse quase o dobro de um ônibus convencional, em Fortaleza, os ônibus seriam provavelmente encomendados à Villares ou Marcopolo, ambas fabricadas no Brasil com tecnologia adaptada à realidade nacional.

A implantação do sistema viário de trólebus foi aprovado na Câmara Municipal de Fortaleza em maio de 1984, prevendo a instalação dos corredores Bezerra de Menezes e Aguanambi, os de maior importância do sistema viário, por constituírem no prolongamento natural das vias de acesso e saída da cidade.

Em setembro de 1984, o então prefeito César Cals, inaugurou a exposição de um ônibus trólebus da Companhia Municipal de Transporte Coletivo de São Paulo (CMTC), na Praça do Ferreira. A intenção era mostrar ao público como seria o tipo de ônibus que passaria a circular nas ruas de Fortaleza, além de promover uma espécie de pesquisa para sondar a opinião do povo sobre o sistema, assim como ouvir sugestões.
Trólebus na Praça do Ferreira em 1984 (O Povo)
As pessoas que passavam pela Praça do Ferreira podiam percorrer o interior do ônibus elétrico, ouvindo de várias recepcionistas explicações a cerca de suas vantagens. Segundo o prefeito César Cals, a implantação do trólebus possibilitaria a redução do preço das passagens, maior segurança, ausência de poluição, conforto, durabilidade e confiabilidade do sistema.

A previsão era que os ônibus elétricos passariam a funcionar em Fortaleza apenas em julho de 1986, uma vez que os trabalhos de construção, incluindo a instalação da rede elétrica, começaria apenas em 1985.

Como ficaria o Trólebus
Concluídos os projetos do sistema viário básico, cinco terminais de integração seriam construídos, bem como garagem dos carros, instalação da rede elétrica e subestações. De início, os 75 carros trólebus circulariam em dois corredores: um na Aguanambi-BR116 e o outro na Bezerra de Menezes-BR222. Pelo primeiro trafegariam 37 veículos elétricos e pelo segundo 38.

Dos cinco terminais de integração, dois seriam na Bezerra de Menezes, sendo um no cruzamento com a Rua Olavo Bilac e o outro na esquina da Mr. Hull. Os outros três seriam no corredor da Aguanambi, sendo um na Borges de Melo com BR-116, outro na BR116 e o terceiro já em Messejana. O projeto previa a futura integração dos elétricos com os ônibus metropolitanos.
Trólebus de Fortaleza seria similar aos da cidade de São Paulo (O Povo)
Com a Coelce ficaria a parte de infra-estrutura elétrica inclusive a sua posterior manutenção, já garagem e veículos por conta dos empresários. A compra dos veículos representaria cerca de dois terços do investimento. Haveria também a criação de um consórcio, para os dois corredores, sendo um em cada. A CTC participaria apenas como uma das empresas consorciadas.

Após toda a expectativa criada em relação aos ônibus trólebus, concluiu-se ainda em 1985, que a implantação do sistema na área central de Fortaleza não seria possível, pois exigira investimento muito alto, não sendo, portanto, a melhor alternativa para a situação do País naquela época, principalmente no nordeste. Além do custo do equipamento, seria necessário uma infra-estrutura bem montada para o funcionamento do sistema, recursos que seriam melhor aproveitados a curto prazo para melhorar o deficiente transporte público que Fortaleza apresentava na época.

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