segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Fortaleza: As linhas de ônibus extras aos domingos, conhecidos como "Vamos à Praia"

Por Fortalbus
As praias sempre foram uma boa opção de lazer para os que residem nas cidades litorâneas, pois se trata de um dos espaços mais democráticos da cidade, onde a população pode se divertir sem precisar pagar entrada. Em Fortaleza, cidade que nasceu às margens do mar, sempre teve as praias como um importante ponto turístico, um dos cartões postais sempre lembrados por aqueles que nos visitam.

Há mais de 30 anos, Fortaleza ganhava o "Vamos à Praia", programa de transporte público criado nas férias de 1983 durante a gestão do prefeito César Cals. Seu objetivo era atender a população com linhas de ônibus especiais que saiam dos bairros para as praias, valorizando a faixa de mar daquelas que se encontravam dentro dos limites da capital. Há quem diga que o nome do programa foi inspirado numa musica de grande sucesso lançada naquele ano, a canção “Vamos a la playa”.

Por se tratar de um lazer bastante procurado pelos fortalezenses durante os domingos e feriados, viu-se a viabilidade da criação de linhas específicas para servir esse público, pois as longas filas e lotação dos coletivos prejudicavam a quase única opção de lazer para os que ficavam na cidade. Os mais carentes e aqueles que moravam em bairros mais distantes foram os mais beneficiados, uma vez que com o ônibus com destino final, não precisavam pagar mais de uma passagem, reduzindo assim o custo do passeio.

Outro objetivo era o aproveitamento da frota ociosa aos domingos e feriados, em função da queda da demanda do transporte coletivo em relação aos dias úteis. A frota das 20 empresas inclusas no programa fazia o percurso bairro-praia e vice-versa com as primeiras partidas às 8 horas da manhã, retornando o ultimo ônibus por volta das 16 horas, quando se encerrava a programação. Para a identificação dos usuários, os ônibus tinham, na fase experimental, faixas nas laterais do veículo, indicando o Programa.

As 22 linhas que começaram o “Vamos à Praia” em julho de 1983 eram: Conjunto Palmeiras via Praia de Abreulândia; Sumaré via Praia dos Diários; Demócrito Rocha - Barra do Ceará; Conjunto Ceará - Barra do Ceará; Prefeito José Walter - Praia dos Diários; Cidade 2000 - 31 de março; Messejana - Abreulândia; Vila União - 31 de Março; Cidade dos Funcionários - 31 de Março; Bom Jardim - Barra do Ceará; Conjunto Industrial - Barra do Ceará; Conjunto Esperança - Barra do Ceará, Canindezinho - Diários, Parquelândia - Náutico; Vila Ellery - Náutico; Osório de Paiva - Diários, Dias Macedo - Náutico; Aeroporto - 31 de março; Antonio Bezerra - 31 de Março, Parque Dois Irmãos - 31 de Março; Jardim de Iracema - Barra do Ceará; Messejana- Sabiaguaba.

Em janeiro de 1990, os dois primeiros ônibus articulados recém adquiridos pela Companhia de Transporte Coletivo – CTC, foram escalados nas linhas Barra do Ceará-Cais do Porto e Messejana-Barra do Ceará em caráter experimental, auxiliando os que desejavam ir à praia, pois estas linhas não pertenciam ao “Vamos à Praia”, que eram operadas por empresas particulares, o que não era o caso da CTC.

A novidade agradou os passageiros, que acreditavam que a operação de mais veículos daquele tipo poderia melhorar a vida dos usuários que pretendiam ir à praia, entretanto, a lotação persistia.  Como a linha atravessava muitos bairros da cidade, o perfil dos passageiros era o mais variado, que contracenavam também com aqueles que levavam crianças, bebidas, bronzeadores, frutas, raquetes de frescobol e toalha de banho.

Durante a invasão dos ônibus piratas logo após a implantação do Sistema Integrado em Fortaleza, vários deles aproveitavam a grande demanda aos domingos para realizar linhas dos mais diversos bairros com destino às praias. Mesmo sem placas com indicação do itinerário, muitos passageiros preferiam os piratas aos do SIT, pois cobravam um preço menor e aceitavam até meia passagem. O número de piratas era tão significativo que chegavam a superar a quantidade dos regulares que faziam as linhas especiais.

As linhas foram sendo extintas durante a década de 1990, uma vez que com a criação dos terminais e a integração feita por eles, as linhas alimentadoras vindas de várias partes da cidade, deixavam os banhistas nos terminais, que de lá seguiam em ônibus que passavam pela orla ou tinham como destino final algumas das movimentadas praias da cidade.

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