domingo, 14 de setembro de 2014

O Desenvolvimento do municipio de Boa Viagem e a sua ligação com as estradas

Por Eliel Rafael da Silva Júnior
É consenso entre os historiadores, comerciantes e economistas que o desenvolvimento econômico do Município de Boa Viagem sempre dependeu da construção e do bom estado de conservação de suas rodovias. Alguns anos antes da pavimentação asfáltica da Rodovia Federal Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, a BR-020, o transporte de mercadorias e passageiros era rotineiramente feito por animais de carga ou caminhões através das poucas estradas carroçáveis que ligavam o Sertão à capital.
Chevrolet 1948 adaptado para Misto
Muitos desses caminhões, com três boleias e carroceria de madeira, recebiam uma espécie de adaptação em seu chassis para esse tipo de serviço, onde o conforto e a segurança eram totalmente esquecidos. Esses possantes veículos, que cortavam as empoeiradas estradas da região, eram denominados pela população de mistos, tendo em vista que esses transportes dividiam a carga entre os passageiros e as mercadorias, muitas delas sendo vivas.

Nessa época o destino predileto dos boa-viagenses era dividido entre os Municípios de Quixeramobim e Pedra Branca, ali costumavam fazer as suas compras, vender a sua produção, realizar consultas médicas e resolver os mais variados tipos de problemas. Quase que diariamente, sem um órgão regulador do trânsito, os veículos paravam em qualquer lugar para apanhar qualquer tipo de carga e nem sempre tinham uma rota previamente estabelecida, pois dependiam da demanda de passageiros e da boa vontade dos condutores dos veículos.
Ciferal Mercedes-Benz da Empresa Redenção
Com o passar dos anos e a criação e a exigência dos órgãos reguladores do trânsito a qualidade e o tipo dos veículos destinados ao transporte de passageiros foram passando por algumas transformações. O velho pau-de-arara, como era carinhosamente chamado, deixou de trafegar fazendo o transporte intermunicipal e aos poucos surgia o ônibus, um veículo mais confortável, seguro e o melhor, não permitia o transporte de cargas vivas, como anteriormente era feito.

Com essa importante mudança e a melhoria do acesso, a partir dos primeiros anos da década de 1970, o roteiro de destino dos boa-viagenses começou a mudar para Fortaleza. Nessa época a primeira empresa de ônibus a instalar um guichê para exclusiva venda de passagens intermunicipais no Município de Boa Viagem foi a Empresa Redenção, algum tempo depois as empresas: Salgado, Horizonte, Rápido Crateús, Varzealegrense e outras firmaram parcerias com os comerciantes locais e as passagens eram vendidas no balcão de algumas mercearias.
Ponto de ônibus no centro da cidade, década de 1980
Durante muito tempo o ponto de partida dos transportes de passageiros foi feito na Rua Agronomando Rangel, próximo à Praça Antônio de Queiroz Marinho, no Centro da cidade.

Para quem não sabe as três esferas do Poder Executivo brasileiro compartilham das responsabilidades sobre as rodovias que cortam o Município de Boa Viagem, são eles: Governo Federal com a BR-020, Governo Estadual com as CE-168, CE-265 e CE-266, além do Governo Municipal com as  BVs.
Terminal Rodoviário Samuel Alves da Silva logo após sua construção
Podemos afirmar que a organização e a qualidade da gestão do Poder Executivo de um Município pode ser avaliado pela forma como cuida da porta de entrada de sua unidade administrativa. Essa porta de entrada nada mais é do que os seus terminais de embarque e desembarque de passageiros. No Município de Boa Viagem existem dois terminais, um terrestre e outro aéreo, são eles: Terminal Rodoviário Samuel Alves da Silva e Terminal Aéreo Coronel Virgílio de Morais Fernandes Távora.
Fonte: História de Boa Viagem

Um comentário:

  1. Muito bacana a matéria, parabéns!

    Gostaria de comentar sobre três tópicos abordados na matéria.

    O primeiro tópico é sobre "o conforto e a segurança eram totalmente esquecidos".
    Muito pelo contrário, o conforto e a segurança dos passageiros eram o foco principal dos mistos.
    Naquela época não existia opções, dado que as cabines dos caminhões eram muito pequenas e não comportavam o transporte de passageiros.
    Alguém, de forma genial inventou o misto para evitar que os passageiros fossem transportados em cima da carroceria, sobre a sacaria de milho, feijão, farinha, fardos de algodão e outras cargas da época.
    As senhoras e as senhoritas que precisavam viajar de uma cidade para outra, devem ter adorado a chegada do misto, pois viajavam mais seguras, mais confortáveis, em uma boléia totalmente isolada da carga.

    O segundo tópico é sobre as operações da Empresa Redenção para Boa Viagem.
    Creio que tal operação começou nos anos 60, dado que no ano de 1967, quando a Agência de passagens da Redenção ainda funcionava na Rua São Paulo, quase esquina com a Rua General Sampaio, cheguei a ver ônibus da Redenção com destino à BOA VIAGEM.

    O terceiro tópico é sobre o apelido do misto.
    O misto nunca foi chamado carinhosamente de PAU DE ARARA, uma vez que tais carros são totalmente distintos.
    O Pau de Arara ainda hoje é encontrado com frequência, no interior, principalmente nas cidades de Canindé e Juazeiro do Norte.
    Já o misto, o ultimo em operação que se tem notícia é um que fazia a linha Limoeiro do Norte - Mossoró, o qual operou até poucos anos atrás.

    Fco. Souza

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