domingo, 2 de fevereiro de 2014

Articulados em Fortaleza são indícios da nova realidade do transporte

Por Marcelo Filho
Na última quinta-feira (30), nublada e de clima muito agradável em Fortaleza, estava eu no Terminal do Papicu, aguardando o próximo ônibus da linha 086, rumo ao Antônio Bezerra. Durante a espera, me peguei observando as pessoas, os coletivos, as nuvens e qualquer outro detalhe pormenorizado o qual eu pudesse aprofundá-lo. Em um súbito, as pessoas que estavam à minha frente, eram quatro, viraram seus rostos para a esquerda, na direção da entrada do terminal. Reparado esse detalhe, acompanho-os e, para a minha surpresa, vejo um ônibus articulado fazendo a curva terminal adentro. Era o tão comentado Caio Mondego que veio à Fortaleza para testes.

Este texto também possui um viés abertamente "busológico", ou seja, falo enquanto admirador e permito dar vazão aos sentimentos que tenho com o objeto que admiro. Portanto, para tal, senti de imediato uma emoção que só é sentida quando estou diante de algo que eu almejo e que estou próximo de realizar, no caso, andar de articulado em Fortaleza. Não é algo desejado somente a mim, mas aos usuários que estavam ali também, embasbacados ao verem aquele grandão estacionado na plataforma que corresponde à fila em que eu estava (para o meu deleite). Porém, ainda não era o momento de embarcar, o articulado estava lotado, não de passageiros, por enquanto, mas de gestores da ETUFOR e do Sindiônibus que examinavam o coletivo. 

Foi a primeira vez que eu tive contato com o referido possante. Tive a oportunidade de andar em outros articulados em outras cidades. Mas ver um novamente em minha terra natal, depois de 14 anos (a última vez foi em 2000), em um terminal de passageiros, foi marcante. Digo isso porque há tempos vejo gente afirmando, em grupos virtuais de discussões sobre transporte, que articulado não teria vez por aqui. Os tempos mudam, a demanda pede e um articulado realizando trajetos de linhas urbanas, mesmo em caráter experimental, já é muita coisa para quem não acreditava. Minha posição quanto à isso era a mais paciente possível, evitando entrar em discussão com os incrédulos, pois saberia que, mais cedo ou mais tarde, iria acontecer.

Diga-se de passagem, o desempenho do articulado no terminal não diferiu muito dos demais ônibus, convencionais. As plataformas, cujo modelo é padrão nos demais, conseguem atender às especificações dos modelos de piso baixo, totalmente acessível. Passar na lombada não foi problema, devido à suspensão. Manobrar também não foi entrave. O único problema, e é importante destacar, é que os coletivos que chegavam após o articulado, enquanto estava parado, causou um pequeno transtorno no tráfego do local devido ao atual espaço, que já não comporta mais a demanda, que não é a mesma de 22 anos atrás, período em que foi concebido o projeto do Sistema Integrado. Logo, uma estrutura mais ampla proporcionaria maior comodidade para as operações de um veículo desse porte. Aliás, conforme divulgado pela imprensa, nos próximos meses terão início as obras de ampliação e reforma dos terminais de ônibus da capital, justamente para acomodar os articulados que irão operar nos corredores a serem implantados.

Ressalto que constatei o bom desempenho do articulado apenas no Terminal do Papicu. Sabemos que existem vias em Fortaleza que não são propícias para a sua operação. Entretanto, existem aquelas que são adequadas (largas e bem sinalizadas), sendo perfeitamente possível a realização de testes. Resta escalá-lo para operar em linhas que trafeguem em ruas e avenidas com as características citadas. Essas linhas existem. Há 25 anos atrás entraram em operação os primeiros articulados da cidade, rodaram por 11 anos, e as condições viárias, creio eu, deveriam ser inferiores a que encontramos hoje. Então, porque relutar em dizer que um ônibus desse tipo não pode voltar a rodar?

É evidente que precisa de toda uma estrutura para adequar as operações. Pessoalmente, acredito que tal estrutura está prestes à chegar, a curto prazo. Já é notório a intenção do órgão gestor em implantar o corredor BRT Antônio Bezerra/Centro, com todos os elementos que o constituem como tal, o primeiro da cidade. Ao que parece, a atual gestão, principalmente da pasta de transporte, não medirá esforços para concretizar esse apelo antigo da população. O fato de articulados realizarem testes indica que mudanças estão para chegar, e que serão inevitáveis. Aos mais céticos, suas afirmações caíram por terra. Mas venham dar uma voltinha, afinal, vocês também admiram ônibus.

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