segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Fortaleza: Longas esperas e falta de estrutura fazem população evitar os terminais

Criados no início da década de 1990, os terminais de ônibus de Fortaleza tinham a função de ampliar as opções de ligação entre os bairros da cidade, permitindo que os usuários fizessem integração em outras linhas de ônibus sem ter que pagar outra passagem. 

Mais de 20 anos após a implantação das plataformas, o fluxo de veículos e passageiros aumentou bastante, e a função de integração dos terminais parece ter ficado obsoleta. Pouco espaço entre as filas, plataforma pequenas, insegurança e desorganização são as principais queixas de quem precisa passar por um. 

As reclamações dos usuários acabam convergindo para o nó cotidiano na Capital: a qualidade do transporte público e a mobilidade urbana. Para a costureira Laura Rodrigues, 50, o engarrafamento que se forma todos os dias em volta do Terminal de Messejana e a demora dos ônibus são os maiores problemas. "Os ônibus demoram demais para chegar, todo dia chego atrasada no trabalho", desabafa. 

Assim como Laura, os usuários são diretos quando questionados sobre os principais problemas dos terminais: a falta de ônibus. "O problema não é o terminal em si, é a demora do ônibus", reforça o músico e vendedor Carlos Alberto da Costa, 39. 

Quem precisa passar pelos terminais, busca soluções alternativas, como o assistente administrativo Anderson Lopes, 30, que prefere esperar pelo ônibus do lado de fora, pagando outra passagem. "Se estiver aqui dentro é lotação na certa, e quando eu pego a condução lá fora, tenho chance de ir sentado", diz. 

A atitude de Anderson é comum entre passageiros, o que explica o grande volume de pessoas aguardando ônibus nas paradas próximas dos terminais. A cuidadora de idosos Suliana Lima, 30, já se acostumou a pagar mais passagens para evitar os terminais. "Meu caminho normal é na topique. Sempre que passo no terminal encontro essas dificuldades", conta. 

Opinião semelhante tem o técnico em contabilidade Moisés de Oliveira, 44. "Tem muita gente para pouco funcionário, deveria haver mais fiscais trabalhando". Além disso, sobre o túnel de acesso de uma plataforma a outra, o usuário teme pela segurança nos horários mais tarde da noite. 

Mudanças 
O Terminal do Antônio Bezerra, que teve parte da reforma concluída em janeiro, divide as opiniões dos usuários. O equipamento é bastante amplo, conta com duas entradas de bilheteria, duas plataformas de embarque e desembarque, túnel e rampas para travessia subterrânea de pedestres e 23 boxes comerciais. 

"A travessia pelo túnel ficou mais longa, mas é mais segura porque não precisamos passar entre os ônibus", elogia a costureira Sandra dos Anjos, 30. 

Já o mototaxista Marcondes Brito de Oliveira, 43, reclama da falta de sinalização. "Os passageiros passam pelo lado de fora das plataformas para não entrar no túnel, mas isso acontece porque não tem nenhuma placa ou grade avisando nada", conta. 

"Com apenas duas plataformas as paradas são muito perto uma da outra. Fica um aglomerado de gente e as filas ficam desorganizadas. Também já me perdi procurando ônibus, pois alguns pontos ficam mudando", afirma a auxiliar de serviços gerais Ozelane Souza, 46. 

Filas 
A falta de organização nas filas evidencia outro fator de peso na realidade dos terminais e do transporte público como um todo: a postura dos usuários. A passageira Leonice Batista, 46, reconhece que erra ao ir para a fila preferencial na hora de subir no ônibus, mas diz não ter outra alternativa para não se machucar. "As pessoas invadem a fila e quase derrubam a gente, eu sei que prejudico quem tem direito, mas é um risco subir pela fila normal", justifica. 

À noite, os problemas se repetem. "Quem for forte que se segure, quem for fraco que se quebre". A frase de desabafo, dita pela doméstica Elieuda da Silva, 42, se refere à desorganização das filas no Terminal do Siqueira no momento do embarque. Assim como ela, milhares de trabalhadores que dependem dos terminais de integração da Capital no seu ir e vir diário relatam problemas, também, no horário de retorno para casa. 

No Siqueira, local de passagem de Elieuda, o movimento é intenso no início da noite. Apesar da presença de fiscais da Etufor e do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Ceará (Sindiônibus), a doméstica diz não ver melhorias no quesito organização. Para ela, que passa por mais dois terminais na volta para casa (Papicu e Messejana), o do Siqueira é o pior. 

Além da demora nos ônibus e as grandes filas, a assistente administrativa Aline Cruz, 26, reclama da estrutura do equipamento, que sofre com goteiras e cascatas quando chove, além da limpeza e dos banheiros em constante mau cheiro. "Os ratos passam entre nós super a vontade. Se duvidar tem mais rato do que ônibus andando nas pistas", acrescenta.
Com informações: Diário do Nordeste

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