sábado, 8 de março de 2014

Mulheres ao volante dão vida nova aos ônibus

Por Fortalbus
Você já se deparou com alguma mulher dirigindo ônibus pela cidade? Saiba que há motoristas mulheres no transporte coletivo. São exemplos raros na profissão, mesmo assim ainda nos dias de hoje, é possível ver pessoas espantadas quando se deparam diante de uma mulher num volante de ônibus, fato já comum em muitas capitais como Fortaleza. Elas são minoria, contam nos dedos e exercem a atividade com a mesma responsabilidade que os homens dominantes da profissão.

A primeira motorista de ônibus em Fortaleza era conhecida carinhosamente como Bibi. Com apenas 22 anos e natural de Juazeiro do Norte, iniciou a profissão dirigindo um ônibus da Cialtra em abril de 1976. Albeniza Ferreira de Lima (Bibi) foi notícia em jornais, rádio e TV da cidade, pois se tratava de uma “revolução” para a época. Filha de motorista, Bibi aprendeu a dirigir com apenas 10 anos de idade e trabalhava numa oficina de motores. Antes de tornar-se motorista de ônibus em Fortaleza, Albeniza Ferreira Lima já havia dirigido caminhão caçamba e um ônibus que fazia o percurso Recife-João Pessoa, além de ter trabalhado como instrutora de auto-escola.

Na década de 90, Maria Socorro de Carvalho era a única motorista de ônibus da cidade. Cearense de Pereiro, ela passou quase metade de sua vida nas estradas, dirigindo caminhões pesados. Socorro trocou as estradas pelo transporte coletivo e dizia não ter se arrependido, pois para ela, a realização profissional significou também um desafio: o de dirigir melhor que alguns homens. Sua performance no volante dos ônibus da CTC era alvo de elogios por parte dos passageiros, que gostavam de vê-la exercer sua função com visível profissionalismo, cuidando com zelo do carro que conduzia.

A conquista do espaço profissional pelo sexo feminino alcançou patamares elevados e hoje as mulheres disputam cargos e profissões antes só ocupados pelos homens. Com veículos modernos e mais leves, seja micro ou semi-pesado, elas exercem a profissão com muita naturalidade, caminho aberto lá na década de 70 com a pioneira Bibi.

Lugar de mulher é no ônibus 
As empresas de transporte coletivo estão apostando na qualidade do serviço das condutoras mulheres. Já é possível encontrá-las pelas ruas da cidade no comando desses grandes veículos. Ao assumirem essa posição, elas mostram que também são capazes de lidar com a rotina desafiadora dessa profissão. E mais do que isso, as motoristas de ônibus precisam enfrentar ainda o preconceito de estarem numa atividade associada ao universo masculino.

Essas mulheres que estão ajudando a desconstituir aquela imagem de que condução de ônibus é tarefa para homem são como Maria Aparecida Lauro. Ao se separar do marido, sem emprego e sem casa para morar, ela sentiu-se sem rumo. Seu primeiro desejo para sair dessa situação era fazer um curso de enfermagem. O objetivo dela era conseguir um bom emprego. Mas como a vida reserva muitas surpresas, Maria Aparecida teve a oportunidade de trabalhar na limpeza dos ônibus de empresa em 2002. Enquanto desempenhava sua função, ela sonhava com o dia em que sairia pela cidade conduzindo.

“Sempre quando eu ia limpar os ônibus, sentava no banco do motorista e falava que um dia eu iria dirigir um”, lembra. Esses sonhos ajudavam a alimentar a força de vontade e a garra daquela zeladora. Mas nem tudo foram flores para Maria Aparecida. Seus colegas de trabalho lhe anteciparam que não se aceitava mulheres motoristas de ônibus na empresa. Ainda assim, ela foi em busca do seu objetivo. Depois de lidar com o preconceito e com o fato de o chefe considerar que ela estava muito velha para a função, Maria Aparecida rebateu as críticas, fez a autoescola, passou no treinamento da empresa e conduz esses veículos até hoje.

“Ônibus é mais gostoso e mais leve de dirigir do que carro. As pessoas pensam que eles são pesados, mas não é verdade”, afirma. Apesar da satisfação com o trabalho e de ter provado que era capaz de desempenhar essa função, Maria Aparecida afirma que ainda há certo preconceito em relação às mulheres que dirigem ônibus. Outra dificuldade da rotina é lidar com a violência nas ruas. “Já fui assaltadas sete vezes e até entrei em depressão por um período. Nessa época, eu desconfiava de qualquer pessoa estranha e em muitos casos passava direto do ponto para não recolher o usuário”, lembra, emendando que já conseguiu superar esse trauma. 

Apesar dos desafios, Maria Aparecida se sente recompensada pelo carinho dos passageiros. Sua dedicação, educação e cuidado com eles são muito elogiados. “Sempre espero os idosos, mulheres com crianças de colo e até mesmo as pessoas com sacolas se sentarem antes de arrancar. Quando preciso frear, procuro fazer de forma mais leve para que ninguém se machuque”, fala.

Motoristas de ônibus não perdem a vaidade

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