segunda-feira, 28 de abril de 2014

Fortaleza: Risco de retrocesso com as mudanças nas faixas de ônibus da Bezerra de Menezes

Por Fabio Campos 
Muito já se falou do espírito que domina as políticas urbanas postas em prática pela Prefeitura de Fortaleza. Na contramão do bom urbanismo, a prioridade parece ser o fluxo de automóveis. Ou seja, as soluções para os carros em detrimento do coletivo. 

A percepção desse espírito fica mais forte quando a Prefeitura resolve fazer um binário em duas das mais importantes avenidas da cidade e não aproveita para acabar com os nefastos estacionamentos perpendiculares, dotando aquelas vias de passeios largos e aprazíveis. 

A Prefeitura vai implantar o BRT (Bus Rapid Transit) na avenida Bezerra de Menezes. Serão dez estações de embarque e desembarque. As faixas de ônibus vão migrar para o lado do canteiro central. Os automóveis particulares ficam com as faixas próximas às calçadas. 

É o contrário do que é hoje. É possível que o citado espírito esteja reinando nessa medida. Hoje, a Bezerra é um das poucas vias da cidade que não tolera estacionamentos perpendiculares. Com a mudança, os carros voltam a ficar próximos às calçadas. Do jeito que a coisa caminha, vão começar a estacionar na frente das lojas. 

A AMC, os usuários de ônibus e as empresas que atuam no setor de transporte sabem bem que o modelo que agora vigora está funcionando muito bem. A faixa seletiva criada (BRS) na pista lateral direita nos dois sentidos da avenida contribuiu significativamente para aumentar a velocidade dos coletivos e deu muito mais conforto aos usuários. 

Ou seja, a Prefeitura vai mudar o que vem funcionando. Pior, há o risco de retrocesso em relação aos passeios que eliminaram os estacionamentos de carros, coisa que agrada ao comércio míope e imediatista que ali está instalado. 

Outro ponto a considerar com mudança: para pegar o ônibus, os usuários serão obrigados a atravessar a avenida (mesmo com as improváveis passarelas) para ter aceso ao transporte. Ou seja, o usuário terá que apelar para as inseguras passarelas ou brigar com uma barreira de carros em duas faixas para chegar às estações. 

Imaginem a situação: em vez de usar as calçadas, que estão largas e livres de estacionamentos, o cidadão vai se arriscar numa travessia perigosa. Do outro lado, sem espaço para fugas, estará muito mais exposto às abordagens da malandragem que gosta do alheio. 

Um estudioso do trânsito me disse o seguinte: "A solução de faixas seletivas ou exclusivas nas pistas centrais são de uma época que não havia a tecnologia dos fotossensores. Época em que acabava sendo obrigatório construir faixas segregadas, com muretas nas pistas centrais, para não obstruir as conversões laterais”. 

Continua: "Hoje a solução da via preferencial de ônibus, defendida pelos bons urbanistas, é a faixa da calçada, eliminando-se por completo a possibilidade de estacionamentos às margens dos corredores de tráfego”. 

Nesse caso, parece que a Prefeitura reafirma a sua incapacidade de abrir a discussão com o distinto público e de tomar decisões ouvindo os profissionais que dominam as melhores técnicas para os problemas de mobilidade urbana.

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