sexta-feira, 4 de abril de 2014

Fortaleza: Um panorama sobre identidades visuais de ônibus

Por Marcelo Filho
A divulgação da nova padronização visual de Fortaleza (agora não confirmada oficialmente, segundo divulgado pela imprensa) está rendendo vários comentários nas redes sociais. Mais uma vez, muitos deles não possuem fundamento e requerem um resgate histórico para corrigi-los.

O principal, dizem que dinheiro público será gasto sem necessidade, em detrimento de áreas mais importantes.

Para deixar claro, a CTC (Companhia de Transporte Coletivo) se arruinou em dívidas contraídas de gestões passadas e, desde 2004, não opera mais no Sistema Integrado de Transporte - SITFOR. Teve que leiloar suas linhas às demais empresas. Era a única estatal de transporte coletivo da cidade. Logo, não teria porque a prefeitura investir na nova padronização aos demais ônibus, que são de responsabilidade das concessionárias.

Agora, uma pequena explicação.

A última mudança na identidade visual do SITFOR foi em 2000, que se deu com a atual pintura que conhecemos. Nesse período, os layouts dos coletivos eram mais diversificados. Haviam dois modelos: o padrão que identificava as próprias empresas e o padrão que restou do início do Sistema, a troncal. A nova pintura esteve presente, em sua maioria, nos novos ônibus que foram sendo adquiridos na época. Os demais que rodavam, poucos foram repintados, visto que, à medida em que os anos passavam, a idade média deles aumentavam, necessitando a substituição por veículos mais novos. Isto é, se houver a necessidade de padronizar a frota com o novo modelo divulgado, certamente será uma parte (a que possuir a idade média mais nova). A nova comunicação da frota seria implantada em sua totalidade a longo prazo.

A padronização é uma medida louvada pelas empresas, pois representa economia nos custos de reparos e comodidade operacional. Nos primórdios do SITFOR, haviam três identidades de acordo com as modalidades das linhas: alimentadora, circular e troncal. Não duraram muito. Dessas, restou apenas a troncal (conforme citado anteriormente), permanecendo como o cartão de apresentação dos ônibus de Fortaleza até 2000. 

Uma frota inteira de única cor permite a previsibilidade no sentido de armazenamento de material para possíveis retoques. A multiplicidade de cores e formas não garantiria a eficiência da padronização, visto que uma eventual falta de estoque dos fornecedores não supriria toda a demanda que, por ora, necessitasse dos serviços de pintura. Essa seria uma das justificativas para os custos.

Quanto à comodidade operacional, imaginemos que um ônibus alimentador apresentasse pane mecânica. A empresa responsável teria que colocar outro da mesma cor para substituição, o que não acontecia em muitos casos, já que não haviam veículos da mesma classe na reserva. Por força de contrato, as concessionárias deveriam obedecer as regras do sistema as quais receberam a permissão da prefeitura para operarem. Ou seja, escalar os ônibus de acordo com o perfil da linha em que iria circular, cujo critério era baseada a identificação. 

Talvez esse modelo de padronização não vingou o período necessário devido à esses contratempos operacionais. Atualmente, temos um sistema baseado em consórcios. Cada consórcio é detentora de uma área, em que cada uma possui as três categorias de linhas. Um padrão apoiado nesse esquema facilitaria a distribuição dos coletivos, uma vez que o fator primordial para a unidade visual é a área/consórcio em que a linha está inserida. Um mesmo ônibus, com a cor referente ao consórcio em que integra, atenderia as necessidades de itinerários alimentadores, circulares e troncais. A sugestão apresentada por Mailson Amâncio ilustra melhor essa explicação.
Arte: Mailson Amâncio
Seguindo a mesma linha de redução dos custos, é uma tendência adotar visuais de caráter simplista. Evita-se que muitos detalhes integrem o desenho, pois é uma maneira de agilizar os serviços de reparos quando for o caso (notem que esse fator foi mencionado outras vezes, face à sua importância nos planejamentos das empresas). Especialistas da área de design não desmerecem essa linha de criação, mas ressaltam que é necessário remeter à elementos que caracterizem e reforcem a identidade cultural do local em que os ônibus operam, o que não se constata na proposta divulgada na terça-feira. Tal pensamento é válido e deveria ser levado em consideração pelos órgãos gestores e permissionárias.

Entretanto, na mesma medida em que os layouts podem se constituir na valorização cultural, elas também valorizam e reforçam o modelo de integração entre toda a rede de transporte por ônibus. O usuário saberá, através da pintura, que todos os coletivos estão inseridos no modelo de integração tarifária (Bilhete Único) ou física (terminais) da cidade. O mesmo vale para os serviços de linhas metropolitanas. Como se vê, é um debate que permite várias contribuições e críticas, em uma tentativa de conciliar o interesse sócio-cultural e o interesse prático-funcional, embora acredite que haja uma pendência para a segunda opção, considerando a propensão dos demais sistemas de transporte.

Um comentário:

  1. Eu enquanto admirador, esquecendo custos, benefícios, planejamentos, preferia a época em que cada empresa tinha sua identificação, acho mais bonito a diversidade e a criatividade de cada um, como não relembrar belíssimas pinturas, identidades visuais, pois cada empresa tinha a sua, agora trata-se de identidade do sistema, São Jose de Ribamar, São benedito, Santa maria, o verde imponente da Iracema, gosto das faixas, sou conservador admito.

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