sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A chegada do Cobrasma no Ceará

Por Fortalbus
A Companhia Brasileira de Materiais Ferroviários – Cobrasma, surgiu no mercado de carroçarias para ônibus na década de 1980, entretanto, sua principal atividade era a fabricação de trens e material ferroviário desde a sua fundação em 1944. Com sede na cidade de Osasco, a expansão da Cobrasma ultrapassou as fronteiras nas primeiras décadas de sua existência, levando ao exterior a qualidade dos produtos de sua fabricação.

Considerada a locomotiva da indústria ferroviária nacional nos anos 70, a Cobrasma sucumbiu à falta de demanda a partir de meados da década de 80. Com a crise no setor, a Cobrasma lançou-se em uma nova atividade, a fabricação de ônibus, atitude similar a outras empresas tradicionais fabricantes de trens como Mafersa e Santa Matilde.

Em 1983, a Cobrasma através de sua filial de Sumaré-SP, lançou o primeiro ônibus da marca denominado Trinox, modelo rodoviário em aço inoxidável podendo transportar até 50 passageiros. 

Apesar de inovações aplicadas ao modelo e do seu jeitão americano, o Trinox não emplacou nas vendas, vendendo poucas unidades para empresas do segmento mediante aos problemas econômicos que o País enfrentava.

Na segunda metade da década de 1980, a Cobrasma investe na produção de novos modelos com a linha de rodoviários CX. Nas versões 201, 202 e 301, podiam receber diferentes configurações de chassis das marcas Mercedes-Benz, Volvo e Scania, configurados de acordo com as necessidades dos clientes.

Foi nesta época que os ônibus Cobrasma chegaram ao Ceará, pois o modelo Trinox não foi adquirido pelas empresas locais devido a sua produção limitada. Na década de 1980, a representação da marca em Fortaleza era feita através da revendedora de veículos chamada Convelt.

As primeiras unidades para o Ceará foram do CX-202, modelo rodoviário com menor altura e comprimento que podia receber plataformas de motorização traseira Mercedes-Benz. Este modelo apresentou boa aceitação, pois a maioria absoluta das empresas do segmento rodoviário local trabalhavam com Mercedes-Benz.
Algumas empresas que usaram o modelo CX-202 

Grande parte dos CX-202 cearenses foram montados sobre o chassi O-364, além do O-371R e reencarroçamentos a partir da plataforma O-355 e motorização Cummins. Dentre as operadoras que adquiriam o CX-202 zero para o estado, destacam-se as empresas Expressul, Rápido Morada Nova, Expresso Rio Jaguaribe, Horizonte Transporte e Turismo, Praiano, Rápido Crateús e Vale do Jaguaribe.

Com a projeção dos ônibus Cobrasma em todo o território nacional, inclusive no Ceará, a Cobrasma também mantinha a produção das famosas rodas raiadas, acessório comum nos chassis pesados da Scania e Volvo até a década de 1980. Um dos motivos do abandono da roda raiada, segundo a Volvo, era a difícil manutenção delas, além disso, as montadoras nacionais eram de origem européia, aonde as rodas raiadas já tinham desaparecido desde o início da década de 70 mesmo entre os caminhões, por medidas de estética e segurança.

A diferença entre o CX-201 e o CX-202 era basicamente sua altura e comprimento, pois tinha a mesma estrutura de aço inoxidável e o mesmo design arrojado para a época, proporcionando uma melhor aerodinâmica. Quando no seu lançamento em 1986, o CX-201 estava disponível para encarroçamentos apenas nas mecânicas Scania ou Volvo.

Apesar da Cobrasma homologar o CX-201 também para chassis Mercedes-Benz, no Ceará o modelo só chegou nas versões Scania e Volvo. As empresas Rápido Juazeiro, Brasileiro e Expresso Ipú Brasília foram as únicas que trouxeram o CX-201 com chassi Volvo B10M.
CX-201 nos chassis Volvo B10M e Scania K112CL
Já as empresas Rápido Morada Nova, Expressul e Expresso de Luxo optaram pelo Cobrasma CX-201 sobre o Scania K-112CL. Apenas a Vipu trouxe o modelo com motorização dianteira Scania S-112, configuração rara presente também na empresa mineira Nacional Expresso.
CX-201 com Scania S112
Além dos modelos CX-201 e CX-202, havia também um terceiro modelo denominado CX-301, que apesar das mesmas dimensões do modelo CX-201, a única diferença estava na presença do terceiro eixo. No Ceará, apenas a Vipu trouxe o CX-301 com chassi Scania K-112TL, sendo ela também, a empresa que incorporou mais unidades Cobrasma no Ceará.
CX-301 Scania K112TL
Apesar do anuncio da desativação da fábrica de carrocerias de ônibus em 1990, as últimas unidades Cobrasma chegaram ao Ceará em 1992. Com o encerramento da produção de ônibus no começo dos anos 90, a Cobrasma abre concordata e fecha oficialmente em 1995, depois de um período de acentuada queda nas encomendas de equipamento ferroviário, do qual o principal consumidor era o Governo Federal.

Embora curta a sua produção de ônibus no Brasil, vale ressaltar a durabilidade e o amadurecimento dos seus produtos neste setor, conquistando vários clientes enquanto sua permanecia neste segmento, inclusive no estado do Ceará.

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