sexta-feira, 15 de julho de 2016

Viação Aparecida, a primeira potência do transporte Potiguar

Eram os primórdios do começo da década de 60, tempos de Pau de Arara, terra batida, e estradas praticamente intransitáveis. Parelho a isso, um visionário chamado José Barbosa de Araújo, dono de uma pequena mercearia na cidade de Recife/PE, decidiu mudar de ramo e de vida, comprando três ônibus novos e vindo para Natal tentar comprar a linha Natal/São Paulo e Natal/Rio de Janeiro. A tentativa foi em vão. Então, veio o desespero: suas economias estavam indo embora, o obrigando a dormir nos próprios ônibus por ele comprados. 

Eis que a mulher de seu José Barbosa fez uma promessa a Nossa Senhora Aparecida: caso conseguisse a concessão de uma linha rodoviária, colocaria o nome da empresa de Viação Nossa Senhora Aparecida. E, em Agosto de 1964, o então DNER fez a tão sonhada concessão. 

Em 20 de Agosto de 1964 nasce a que viria ser a primeira grande empresa de transporte do Rio Grande do Norte: Viação Nossa Senhora Aparecida. 

As primeiras linhas da Aparecida foram exatamente as tão sonhadas por seu José Barbosa: Natal/Rio de Janeiro e Natal/São Paulo. E era só o começo do crescimento. 

Ainda faltava acrescer linhas intermunicipais a empresa, e no ano de 1965 a Aparecida consegue autorização para poder atender ao povo sertanejo do interior Potiguar: as regiões Trairi, Seridó e Oeste começaram a contar com seus serviços. Suas principais linhas intermunicipais na época eram Natal/Santa Cruz, Natal/Currais Novos, Natal/Caicó e Natal/Mossoró. 

O Branco e Azul da empresa Potiguar começou a cortar as estradas Brasil a fora. A Aparecida era sinônimo de conforto, bom atendimento e ônibus novos, fazendo com que o próprio DNER concedesse, em 1974, a empresa a sua primeira linha totalmente fora do território Potiguar: Caruaru (PE)/São Paulo. 

Em 1975, a Aparecida chega ao seu ápice: conta com 96 ônibus, alguns deles com configuração leito, serviço de bordo e musica ambiente, serviços raros na época. Dentre os modelos de ônibus da empresa, destacavam-se os Monoblocos O-352 e vários ônibus do modelo Ciferal Líder. Nesta época a empresa também contava com 380 funcionários, além de 22 estações de Rádio Transmissão (Estações que serviam como elo de comunicação entre os ônibus em trânsito, e a sede da empresa ou agências nas cidades polo). Nasceram também a Aparecida Turismo e a Só Pneus, empresas pertencentes ao grupo. 

No começo da década de 80 começa a derrocada. Seu José não está mais tão a frente do negócio e as coisas começam a desandar. Linhas são vendidas e as empresas do grupo começam a operar no vermelho. A Azul e Branco tem seu fim: Suas linhas ligando as cidades da região Trairi e Seridó são vendidas para a Viação Jardinense, as do Oeste para a Viação Nordeste, e as linhas interestaduais são compradas pela Cia. São Geraldo de Viação. A Aparecida Turismo também fecha, e só sobra a Só Pneus, com lojas em Santa Cruz e Currais Novos - lojas essas que também fechariam no final dos anos 90. Encerra-se a trajetória histórica da primeira grande potência do transporte Norte-Riograndense: a saudosa Nossa Senhora Aparecida.

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