quarta-feira, 21 de maio de 2014

Existe falha na fiscalização do uso de cinto de segurança no embarque de passageiros?

A utilização do cinto de segurança pelos passageiros de ônibus de transporte rodoviário é obrigatória, sendo a empresa e o motorista são passíveis de multa com base no artigo 167 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), caso isso não ocorra. No Brasil, assim como o Ceará, embora haja a obrigatoriedade, são poucos os passageiros que utilizam este dispositivo. Quando acontecem acidentes como o que matou 18 pessoas e deixou 23 feridas, em Canindé, no último domingo, esse desrespeito ao CTB volta a ser destacado. 

O número de infrações relacionadas ao não uso desse equipamento estão aumentando, no Ceará. De acordo com dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE), durante os quatro primeiros meses do ano passado, foram 46 multas aplicadas e, neste ano, no mesmo período, o número subiu para 55. Ou seja, um aumento de 19%. 

Levantamento feito pela Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT) em todo o Brasil constata que apenas 2% dos passageiros utilizam o dispositivo nas viagens intermunicipais e interestaduais. Segundo a Agência, são apenas estimativas, em razão de não se ter estatísticas e não existir punição para o passageiro. 

O técnico de Regulação da ANTT, Rômulo de Souza, ressalta que testes feitos em laboratório provam que o cinto garante, sim, a segurança nos ônibus. O pesquisador do Departamento de Engenharia Mecânica da Unicamp Celso Arruda mostra a eficiência do dispositivo. “Principalmente para evitar lesões na cabeça. Em casos de acidentes, as perdas podem ser muito mais graves como as mortes e tanta gente ferida em um único acidente na estrada”, lamenta. 

Ele informa que as empresas podem ser multadas em R$ 1,3 mil por equipamento obrigatório com defeito, entre eles, o cinto de segurança e orienta quem anda de ônibus em viagens intermunicipais e interestaduais: quando se deparar com um cinto quebrado, deve denunciar a ANTT pelo número 166. “A pessoa pode trocar de poltrona ou a empresa ser obrigada a mudar de veículo para fazer o percurso determinado”, frisa. 

Orientação 
O motorista Zacarias Ancelmo tem 32 anos de profissão e diz que é muito difícil um passageiro levar em consideração as orientações fornecidas por ele sobre o uso do cinto de segurança. “Antes de cada viagem eu converso, explico, oriento, mas o pessoal nem está aí”, afirma. 

O vendedor autônomo José William Dias conta que precisa viajar para o interior pelo menos três vezes no mês e confessa que nunca utilizou o cinto. “É chato e eu nem penso nisso”. 

Já o auxiliar de serviços gerais, Geraldo Pereira, assegura que sempre coloca o cinto. “Leio as notícias desses acidentes e procuro pelo menos fazer a minha parte como precaução”. 

De acordo com médico traumatologista Alexandre Garcez, a utilização do cinto de segurança por passageiros de ônibus é importante ao que se refere à segurança e preservação de vidas. “Em muitos casos, o passageiro envolvido em acidente sofrerá, com o cinto de segurança, no máximo um hematoma no peito ou dores no pescoço. Sem o cinto este mesmo passageiro seria arremessado e sofreria traumas mais graves”. Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, o uso do cinto de segurança pelo passageiro é capaz de reduzir em até 70% as chances de o passageiro sofrer algum tipo de lesão durante um acidente. Além disso, com o cinto, o número de mortes em cai quase pela metade. 

“Cabe ao passageiro zelar pela sua própria vida e também zelar para que o motorista não seja multado por um erro seu ou seja vítima. É uma simples questão de coerência”, avalia ele.
Com informações: Diário do Nordeste

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