segunda-feira, 16 de junho de 2014

CTC: Meio século de existência e dez anos sem operar linhas urbanas

Por Fortalbus
Conhecida por ter sido uma empresa pública de transporte e seu jeito ímpar de transportar, a CTC foi constituída em 1964 como uma sociedade anônima de economia mista, mas o início de suas operações aconteceu em 1967. A CTC teve um papel importante na história do transporte coletivo de Fortaleza. que realizava o transporte de passageiros por um meio diferente das demais empresas de ônibus. A criação da CTC foi um divisor de águas para o sistema, pois trazia à tona a questão do transporte ser gerido por uma empresa pública. Ainda na década de sessenta, os trólebus representavam a evolução do transporte coletivo.

Exemplos de sucessos da CTC são muitos que sempre se destacou e deu inicio a grandes momentos vividos por nosso transporte, deixando de operar em linhas do transporte coletivo em 2004, há exatos 10 anos ficando apenas a lembrança. Muitos até hoje questionam o seu fim, alguns acham que interesses do setor privados em somatória a interesses políticos foram decisivos para a extinção da CTC. As empresas que hoje operam suas linhas nem sempre atendem a demanda que a população precisa. Mas sempre vale a pena relembrar os grandes momentos desta trajetória de sucesso:

O sucesso dos trólebus da CTC
Em Fortaleza os elétricos também tiveram uma breve passagem, assim como o sistema de várias capitais do nordeste. Os trólebus da capital cearense eram da marca Massari/Villares, de fabricação nacional e pertenciam a CTC, fundada em setembro de 1964 especialmente para regulamentar o serviço de transporte do município e gerenciar a rede dos ônibus elétricos. Vários empecilhos adiaram a inauguração dos ônibus elétricos, entre eles a importação de uma subestação transformadora da Suíça e débitos da firma instaladora da rede aérea com o fisco estadual. Em janeiro de 1967, os veículos começaram a rodar ainda em caráter experimental, no inicio das operações foi regada de muita curiosidade despertada pelos usuários desses ônibus elétricos, houve momentos em que o povo fazia fila e brigavam por um lugar para desfrutar dos modernos veículos. 

A decadência dos trólebus 
Logo nos primeiros meses de operação, os elétricos já apresentavam prejuízos a prefeitura, que não teria condições de ampliar ou renovar a frota, que mesmo sendo ameaçado de extinção, a Prefeitura pretendia ampliar o sistema de ônibus elétrico pela cidade. Em 1969, a CTC inaugurou uma linha circular em caráter experimental, interligando os bairros de Antônio Bezerra e Parangaba, passando pela Praça do Carmo. O terminal da Praça do Carmo tinha a localização desprivilegiada para os usuários que se dirigiam ao centro da cidade, desta forma, os elétricos perdiam passageiros para os ônibus tradicionais, que paravam na Praça José de Alencar, ponto estratégico do centro. Os Trólebus deixavam assim de transportar uma capacidade maior de passageiros. O encerramento do serviço se deu devido à pouca rentabilidade que os trajetos percorridos proporcionavam, além dos prejuízos de operação e manutenção dos veículos. A CTC permaneceu operando em linhas urbanas apenas com ônibus movidos a diesel.

Ônibus articulados
Em 1989, numa solenidade a prefeitura entregou a população de Fortaleza os dois primeiros ônibus articulados da capital. Os veículos de prefixo "053" e "054" desfilaram na orla marítima e pelas principais avenidas da cidade, despertando curiosidade por onde passavam. O ônibus "sanfona" era na época uma grande novidade. Os veículos tinham 18 metros de comprimento, três portas de acesso, capacidade para transportar 200 pessoas e carroceria Thamco Padron Águia, encarroçado sob chassis Volvo B58. Os ônibus foram escalados inicialmente nas linhas Antônio Bezerra-Unifor e Pici-Unifor, também nas linhas Messejana-Barra do Ceará(Perimetral) e Barra do Ceará-Cais do Porto(Leste-Oeste). Com a implantação do Sistema integrado em 1992, os articulados recebem a pintura "troncal" (vermelho e azul), passando a operar também em outras linhas com grande demanda de passageiros, como Conjunto Ceará/Papicu e Messejana/Centro-Expresso.

O auge da CTC
A empresa vivia um de seus melhores momentos, status de empresa deficitária no final da década de 80, a CTC passou então a ser uma das melhores no setor, sendo premiada no ano de 1990 com o prêmio concedido pelo Instituto Miguel Calmon, que escolheu a empresa pública com o melhor desempenho no Norte e Nordeste. Naquele momento, a frota da CTC era de 84 ônibus, operando em 14 linhas do sistema urbano de Fortaleza. O gerenciamento da Companhia era conduzido por apenas três diretores: Paulo Porto (Diretor administrativo-financeiro), Antônio Barroso Nogueira (Diretor operacional) e Antônio Magalhães Neto (Diretor presidente). A CTC ocupava a posição de 5ª maior frota de ônibus em Fortaleza e a 2ª maior empresa em faturamento.

Criação das linhas
Segundo informações várias linhas foram criadas e ofertadas em concorrência pública, as novas linhas de ônibus eram interbairros, mas nenhuma empresa de ônibus privada se interessou pelos itinerários. Nesse caso, coube a CTC, que pertence ao Município, viabilizar os itinerários colocando seus próprios ônibus a serviço das comunidades. 

As linhas Conjunto Ceará/Iguatemi, Conjunto Ceará/Papicu, Francisco Sá/Parangaba e Pontes Vieira I e II, além dessas o Prefeito Juraci Magalhães autorizou a CTC a explorar as linhas Estados Unidos I e II, Parquelândia I e II, e Circular Central, na qual o projeto inicial proposto pela Prefeitura de Fortaleza seria para que as linhas que serviriam às avenidas Pontes Vieira, Estados Unidos, Parquelândia e Circular Central fossem colocadas em operação com um sistema de ônibus executivos, cobrando tarifas especiais. Entretanto, como não apareceram concorrentes e a CTC como não tinha ônibus executivos na sua frota, a operação dessas linhas ficaram sendo feito em coletivos convencionais. 

Sua moderna garagem
Localizada na Avenida Desembargador Gonzaga no bairro Cidade dos Funcionários, a atual garagem sede da Companhia de Transporte Coletivo (CTC) foi inaugurada em 1991. As instalações oferecem uma área de 30 mil metros quadrados, dos quais 2.700 são de área construída. A garagem tem a capacidade para abrigar 250 veículos, possuía os setores administrativos, operacional, estoque, manutenção e gerência de sistema, além de uma filial da CTC que era responsável pelo gerenciamento do sistema de transporte coletivo de Fortaleza.

CTC e seus Ônibus com gás natural
Em Fortaleza, a implantação do gás natural foi definida em julho de 1988 através de um protocolo, que foi definido que seriam testados inicialmente em veículos da CTC, estendendo-se mais tarde aos ônibus das demais empresas da cidade que tivessem interesse em utilizar.

Os primeiros ônibus movidos a gás natural chegaram à Fortaleza apenas em 1992, seis unidades do modelo Mercedes-Benz Monobloco O-371 foram entregues a CTC, prefixos 113 a 118. Os veículos foram escalados para as linhas Aguanambi 1 e 2, percurso com aproximadamente 13 km de extensão.

O modelo O371 a gás natural, lançado em 1989, foi uma aposta tecnológica da Mercedes-Benz esperando que o mercado pudesse vir a evoluir no futuro. A consciência ambiental foi um elemento a mais de incentivo no aprimoramento destas tecnologias veiculares.

CTC no Sistema Integrado
A grande revolução do transporte em Fortaleza foi a criação dos terminais integrados que possibilitou ao usuário do transporte coletivo economizar, pagando uma só passagem e podendo andar por todo sistema. Com o sistema integrado, a maioria dos ônibus não iriam mais circular pelo centro, facilitando o transito, e diminuindo os problemas da artéria central. A maior vantagem foi projetada para melhorar a mobilidade que o usuário saiu ganhando, se locomovendo de um ponto a outro da cidade.

Entrada pela porta dianteira
Em 1991, os usuários da linha Messejana-ltaperi, se depararam com um cartaz afixado nos vidros laterais: "entrada dos passageiros pela porta dianteira; saída seja porta traseira". Essa novidade foi testada pela Companhia de Transportes Coletivos, sendo seguida por todas as empresas de Fortaleza. Com a roleta fixada nas proximidades da porta dianteira, quase junto ao motorista, pouco espaço resta para a aglomeração de pessoas, o que para os dois profissionais, é uma outra vantagem da mudança. Sem acumulo de passageiros no local, a entrada dos usuários apanhados em meio ao caminho fica bem mais fácil.  

A última aquisição da CTC em 1998
Com o crescimento desordenado do transporte alternativo no ano de 1997, os empresários de ônibus entregam ao prefeito Juraci Magalhães, um protocolo prometendo a aquisição de 100 novos veículos para a cidade, em contrapartida a Prefeitura coibiria a ação do chamado transporte pirata, até então não-regularizado pela Prefeitura. Três meses após o protocolo, a Prefeitura entende que os empresários não cumpririam o prometido, decidindo então por conta própria adquirir 100 novos veículos para a CTC, praticamente dobrando a frota que era na época de 135 coletivos.

O triste fim da CTC em operação de linhas urbanas
A empresa que operava 54 linhas, iniciava a privatização de suas oito linhas. A Viação Urbana Filial. ganhou a concorrência do primeiro e segundo lotes, e passou atuar nos percursos Parangaba-Lagoa, Parangaba-Papicu via Montese e Conjunto Ceará-Papicu via Montese. Além das rotas Corujão-Avenida Sargento Hermínio, Antonio Bezerra-Unifor e Avenida Sargento Hermínio. O terceiro lote ficou com a Vega S/A Transporte Urbano. Passando a ter direito de uso das linhas Campos do Pici-Unifor e Francisco Sá-Parangaba.

Além da Via Urbana Filial e Vega que ganharam a concorrência, mais seis empresas que estavam de olho na fatia da CTC, se habilitaram-se para operar as demais tabelas, dando por fim a operação da CTC nas linhas urbanas de Fortaleza, são elas; Viação Timbira Ltda., São Francisco Transporte Urbano Ltda., Auto Viação Fortaleza Ltda., Empresa Santa Maria Ltda., Empresa de Transporte Costa Azul Ltda. e Auto Viação São José Ltda.. Uma das exigências para a disputa das tabelas era que a idade dos ônibus pedidos para rodar no lugar da CTC estivesse entre os anos de 2000 e 2004.

CTC no transporte escolar
Visando facilitar a locomoção dos alunos da rede municipal de ensino matriculados, em colégios longe de casa, a CTC iniciou o transporte de estudandes em seus 40 ônibus. Na época a Prefeitura só encontrou demanda para a utilização de 20 ônibus, com cerca de 44 alunos em cada. A frota da CTC era de 72 carros. E os ônibus estavam em estado de abandono, precisando de pneus novos, bateria, revisão completa foram recuperados para o transporte escolar.

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