sábado, 28 de junho de 2014

Fortaleza: Assentos preferenciais para mulheres em ônibus geram polêmica

Medida que torna todos os assentos de ônibus em Fortaleza preferenciais é especialmente polêmica no ponto que amplia o direito para mulheres. Segundo o autor da proposta, vereador Carlos Dutra, a medida reduzirá casos de assédio em coletivos.

“Para solucionar este problema, é a educação que deve ser mudada. Isso não vai fazer diferença”, diz o produtor em audiovisual Felipe Meneses. O argumento é questionado pelo autor da proposta: “Essa lei já tem teor educativo, pois cria um sentimento de conscientização com a situação do próximo”, diz Dutra. 

A professora de Literatura em Língua Inglesa da UFC, Lola Aronovich, destaca que a questão é polêmica inclusive entre feministas. “A maior parte dos coletivos feministas são contra, porque não são a favor da segregação”, diz. Ela ressalta que medidas do tipo ainda costumam ser desrespeitadas, como no caso de vagões exclusivos de trens no Rio de Janeiro.

"A impunidade reina"
Autora do blog feminista “Escreva Lola Escreva” desde 2008, ela conta que já recebeu muitos e-mails de vítimas de abuso em coletivos, inclusive de mulheres assediadas enquanto dormiam em viagens longas. “Não sei por que casos de abuso são tão comuns. Acho que é porque a impunidade reina. Ainda há uma aceitação social grande acerca disso, ainda é tratado como piada”, diz. Ela cita quadro do programa humorístico Zorra Total onde uma mulher “encochada” é incentivada a enxergar a agressão como “oportunidade”.

Quanto à questão dos assentos preferenciais, Lola aponta que campanhas institucionais contra abusos sexuais, com apoio de meios de TV, poderiam ser medidas mais eficientes para reduzir o problema. “Muita gente ainda não sabe que esses abusos são crimes. Seria interessante ter uma campanha explicando isso, encorajando as mulheres a denunciar e a reagir”.

A professora também destaca a importância da reação das vítimas para redução da impunidade. "Sei que a primeira reação é se culpar e ficar com vergonha, mas é preciso criar um ambiente de solidariedade feminina. A esmagadora maioria das mulheres já passou por isso, então por que se calar? Tem que botar a boca no trombone!".
Fonte: O Povo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Fortalbus se reserva no direito de selecionar os comentários.

© 2010-2016. Fortalbus Busólogos - Todos os direitos reservados