terça-feira, 10 de junho de 2014

Fortaleza: Índices de violência assustam sistema de transporte público

Episódios de violência têm atingido o sistema de transporte público em Fortaleza. O que pode ser feito para garantir maior segurança ao sistema de transporte?

A insegurança que predomina nas ruas da sétima capital mais violenta do mundo, gera medo e leva às pessoas ao pânico. Hospitais invadidos, igrejas assaltadas, fóruns com depoente executado, colégios e universidades vitimados por homicidas, preso atacado no pátio do quartel da PMCe, veículos assaltados e roubados a cada minuto e agora os ônibus que já eram vítimas cotidianas de assaltos a passageiros, passaram a ter seus trabalhadores (motoristas e cobradores) vítimas de homicídios. A categoria que trabalha 24 horas transportando os cidadãos de nossa capital, muita das vezes chega ou sai do trabalho pela madrugada, vê que o medo já não é mais só durante o percurso casa/trabalho/casa mas, também durante o trabalho. A curto prazo as empresas devem contratar seguranças particulares para proteger os trabalhadores e usuários do transporte coletivo das ações criminosas que hoje colocam todo um sistema refém da violência.
Flávio Sabino Presidente da Associação de Cabos e Soldados 

O ano de 2013 bateu todos os recordes de violência na cidade de Fortaleza. Os roubos em coletivos foram superiores aos cinco anos anteriores somados. A ausência de Guardas Municipais em terminais de ônibus, o sucateamento da Polícia Civil (com o menor efetivo proporcional do Brasil) e com a Polícia Militar tendo que fazer o papel dela, da PC, da Guarda Municipal, da AMC, do Samu, não tendo condições, nem efetivo para dar uma resposta à altura. O Sindiônibus tem feito a sua parte no sentido de diminuir a circulação de dinheiro, colocando cofres, câmeras de segurança e outros dispositivos que prefiro não mencionar, bem como disponibilizando as estatísticas, locais, linha de ônibus, horário e frequência dos assaltos, restando a SSPDS utilizar estes dados para nortear as ações da PM e PC. A segurança pública deve ser colocada acima de qualquer projeto político-partidário, sendo considerada política de Estado.
Capitão Wagner Vereador 

Os usuários do transporte público são um dos principais alvos da violência em nossa Capital. Para mudar essa realidade, é preciso adotar uma série de medidas relacionadas à segurança, como: rastreamento dos ônibus, para monitorar a passagem dos veículos pelas paradas em horários cronometrados e previstos, modelo já aplicado na Europa; colocação de câmeras e monitoramento de imagens através de uma central que acompanha 24 horas por dia toda a movimentação nos pontos de ônibus, terminais e no interior dos coletivos; e inclusão de botão de pânico no banco do motorista, cobrador e nas paradas. Após ser acionado, a central acessa as imagens para confirmar os fatos e profissionais motorizados, uma espécie de Raio, são direcionados à região da ocorrência. Esses motoqueiros podem ainda realizar rondas preventivas, escoltando os coletivos e até fazendo revistas por amostragem, caso haja necessidade. Essas medidas, aliadas a uma presença mais efetiva da polícia nas ruas e maior rigor da lei na punição aos criminosos, certamente surtirão efeitos num curto prazo.
Giuliano Loureiro Diretor executivo do grupo Servis

Ofereço a minha solidariedade aos trabalhadores do transporte público de Fortaleza diante dos casos de violência das últimas semanas, em especial às famílias do motorista que perdeu a vida e do cobrador gravemente ferido. Assim como eles, outros milhares de profissionais da área sofrem com a insegurança no exercício cotidiano de suas funções. Neste momento, defendo que a Prefeitura realize a mediação das negociações com o Sindiônibus por melhorias nas condições de trabalho da categoria, para evitar o prejuízo das 800 mil pessoas que dependem dos ônibus e terminais da cidade. Por outro lado, entendo que a melhor maneira de combater a violência é eliminar as suas causas – a pobreza, a desigualdade e o uso de drogas. Portanto, são necessários mais investimentos e políticas públicas em educação, esporte, saúde e qualidade de vida nas áreas de maior vulnerabilidade social do município.
Evaldo Lima Vereador

Os atos de vandalismo que vêm sendo praticados contra os usuários do sistema de transporte público em Fortaleza, inclusive contra ônibus e terminais, são orquestrados por grupos interessados em desacreditar o poder público quanto a sua capacidade de enfrentamento do problema. O fato de que estes atos estão sendo praticados em todo Brasil corrobora a tese. Penso que num primeiro passo deva o aparato policial repressivo convocar seus serviços de inteligencia, identificar quem são os maestros, os líderes e artífices destas violências, monitorá-los e até mesmo custodiá-los. Dados de hoje indicam que a população carcerária brasileira já chegou a 700 mil e a um custo por preso de quase R$ 3.500,00 o que equivale a um dispêndio mensal de mais de R$ 1 bilhão, sem falar no auxilio reclusão. E o bandido, o delinquente que não trabalha, prefere viver nas mordomias das penitenciárias, do que trabalhar. Colocar policiamento ostensivo dentro dos transportes coletivos é algo incompatível com os dias atuais. A situação é bem complexa, e mais complexas são as condutas que logo devem ser adotadas pelas autoridades constituidas.
César Bertosi Presidente da Comissão de Segurança da OAB/CE

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