domingo, 1 de junho de 2014

Fortaleza: Motoristas de ônibus relatam violência constante

Cada número na estatística de assaltos a ônibus em Fortaleza carrega histórias de medos e traumas de passageiros mas, especialmente, de motoristas e cobradores. São eles os profissionais diariamente expostos à violência que, muitas vezes, chega ao coletivo com jeito e trajes de passageiro. O primeiro trimestre de 2014 somou 581 assaltos a coletivos da Capital, de acordo com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus).

No fim do ano passado, a vítima foi Ramiro André da Silva, 47. Ele é motorista há cinco anos e já sofreu oito assaltos no trabalho. “Eles subiram, pularam a catraca e colocaram a faca no meu pescoço e no do cobrador”, recorda-se. “É difícil porque você nunca sabe quem é quem”, lamenta.

Foi com faca também que Antônio Pereira dos Santos Filho, 38, foi assaltado durante o trabalho. Antônio é cobrador há dois anos e, no período, viveu dois roubos. As ações dos assaltantes, ele conta, são “relâmpago”. Em uma das ocorrências, ao sair do Terminal do Siqueira, o ônibus parou em um ponto da avenida Cônego de Castro. “Um homem subiu, botou a faca debaixo da gaveta (era uma daquelas peixeiras) e disse que era um assalto”, relata. Cerca de 20 passageiros estavam no ônibus. “Ele levou tudo de todo mundo, mandou o motorista seguir e, entre uma parada e outra, gritou para parar e saiu correndo”, resume o cobrador.

“Todo dia é de medo”, sintetiza Macêdo Marques, 49, motorista há 16 anos e assaltado quatro vezes em serviço. Dispositivos de segurança instalados nos veículos não são eficientes, critica o motorista Raimundo Macêdo, 45. “Uma das vezes que eu acionei (o ‘botão do pânico’, que deveria resultar em chamado à Ciops) e não tive resposta disseram que era porque já estava perto do terminal”, relata.

Medidas de segurança
Equipamentos de segurança como câmeras e alarme são importantes na tentativa de inibir assaltos a ônibus, indica a socióloga e pesquisadora do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), da UFC, Jânia Perla. Mas não devem ser as únicas medidas no combate a esse crime difícil de se controlar.

Jânia cita ainda medidas como o uso de cartão (como o Bilhete Único) para o pagamento da passagem e um trabalho de inteligência com mapeamento das linhas “mais vulneráveis” e consequente reforço da segurança naquele trajeto.

“Esse é um tipo de assalto altamente negativo em relação à prevenção e ao combate da segurança pública porque costuma ser impactante. É uma das modalidades de crime que mais influenciam na sensação de segurança das pessoas”, pondera Jânia. 

O coordenador do LEV, professor César Barreira, lembra que os assaltos a coletivos simbolizam o momento de “violência difusa” pelo que passamos. “O transporte coletivo é um terreno muito vulnerável”, pontua. 

Dialogando com Jânia Perla, César Barreira indica o mapeamento de trajetos mais perigosos como algo necessário. “Se você tem controle das linhas mais perigosas, dá certa segurança. Fazendo esse mapa, você, de certa forma, tem possibilidade de controle maior”, considera o pesquisador. 
Com informações: O Povo

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