segunda-feira, 2 de junho de 2014

Transporte coletivo está precário em Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha

A precariedade no sistema de transporte urbano coletivo no Cariri tem sido motivo de reclamação dos usuários e até estudos para viabilidade de novas propostas de melhorias. Os ônibus circulam com concessão pública e possuem uma média de tempo de mais de 13 anos. Atualmente, há um ônibus para mais de 4 mil pessoas, somente em Juazeiro do Norte, cidade com população de quase 250 mil habitantes. 

Essa realidade não se torna tão diferente em cidades como Crato e Barbalha, onde há dificuldades para os moradores de bairros mais distantes. Nas manifestações registradas no ano passado, em todo Brasil, Juazeiro do Norte não ficou de fora no quesito mobilidade urbana. 

Na Câmara Municipal, foram exigidas condições de gratuidade para estudantes e também melhoria da frota e ampliação dos terminais. Até mesmo o Ministério Público interferiu no processo, e hoje a cidade, que possui apenas três empresas atuando, estão impossibilitadas de receber novas linhas, pois mal atendem as que existem. 

E os usuários reclamam muito do tempo excessivo de espera nos terminais, que se tornou um item bastante questionado, principalmente pela falta de segurança na cidade, com a grande quantidade de assaltos. Até mesmo um projeto de lei foi recentemente apresentado no Legislativo, no intuito de possibilitar a parada livre nos últimos horários do dia de funcionamento das linhas regulares. 

Fiscalização 
Além da precariedade, os usuários reclamam da falta de fiscalização suficiente para conter os abusos, principalmente em transportes complementares, com profissionais pouco habilitados. Linhas como a do bairro João Cabral/Aeroporto, e também na área onde estão os novos conglomerados urbanos da cidade juazeirense, a exemplo do condomínio onde foi construído o "Minha Casa, Minha Vida", estão entre os mais reclamados. 

São poucos ônibus para as linhas e os moradores se sentem sufocados e reivindicam que sejam colocados mais transporte nas linhas. É um impasse que poderá ser solucionado apenas de forma futura, porque as empresas terão mais 10 anos para atuar com a concessão dada pela Prefeitura de Juazeiro do Norte. Segundo o gerente de Transporte do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran), Josivaldo Pereira, apenas a abertura de um processo de licitação futura deverá dar condições de outras empresas concorrerem por novo espaço nessas linhas e ele diz que, dificilmente, as que existem terão a possibilidade de continuar, com as novas proponentes, pela precariedade atual. 

Enquanto isso, as linhas desassistidas por ônibus de linha estão com os transportes precários, a exemplo das Vans, que viraram outro quesito de reclamação constante. O horário funciona na prática, na maioria delas, por lotação. O tempo é de encher o ônibus e sair. No Crato, o problema se estende, principalmente para as linhas relacionadas aos sítios e distritos. Em sua grande maioria, o principal meio de transporte das comunidades depende das camionetas desconfortáveis, com bancos de madeira, superlotadas e no item segurança deixam a desejar, sendo motivo de reclamação constante da população. 

Boa parte dos transportes que atua como alternativos possui uma associação, mas os motoristas reclamam da atuação dos clandestinos, que acabam prejudicando o serviço. 

Essa é uma das justificativas para os usuários não terem praticamente hora certa para pegar o coletivo e estarem muitas vezes em risco iminente, já que muitos deles estão sujeitos a circular nas camionetes D-20 com a carroceria aberta, como apoio para aqueles que vão em pé, se agarrando no veículo. 

A perspectiva é que, em setembro deste ano, os proprietários desses transportes estejam reunidos em Crato, no Demutran, para debater propostas de melhorias e adequação para poderem circular na cidade. A ideia é criar um projeto de lei que regulamente o transporte coletivo. 

Para o assessor do Departamento, Edilson Gonçalves, problemas como o de não cumprimento dos horários, demora dos passageiros em pontos de ônibus, dentre outras reclamações são constantes. Quanto às lotações, principalmente nas estradas para sítios e distritos, não acontece de forma permanente pela própria falta de pessoal suficiente para cumprir essa ação de forma mais rigorosa. 

A usuária Maria do Socorro Pessoa, da Associação da Palmeirinha, no Crato, disse que tem sido muito difícil depender dos transportes alternativos e os usuários reclamam muito. Segundo ela, os motoristas da Associação dos Permissionários de Transporte Alternativo dos Distrito de Santa Fé já foram chamados para um diálogo, mas não compareceram. E novamente a reunião deverá ser marcada, para pedir melhorias no atendimento e cumprimento dos horários da linha de forma regular. 

As topiques também funcionam sem critérios de paradas e nem de lotação. Entre as cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha circula número maior desses veículos, incluindo microônibus. O município de Barbalha sofre com a mesma precariedade das linhas para bairros da cidade, como Malvinas, Cirolândia, Alto da Alegria, Bela Vista e o Sítio Estrela. 

Idosos também têm reclamado dos serviços e da quantidade de vagas disponíveis, como o aposentado Lucimar Rodrigues, o Mazim. Cedo saiu de casa, e ao tentar pegar o ônibus de volta do Centro para o bairro Seminário, em Crato, após mais de meia hora de espera, se deparou com o "não" do motorista. Mas há casos em que alguns reclamam que o ônibus sequer tem parado para os idosos. 

Algumas empresas reclamam que tem sido grande o número de pessoas com essa condição e não tem sido fácil poder dar manutenção à frota, com a margem de lucro atual. 

O gerente do setor de Transportes de Juazeiro, Josivaldo Pereira, admite que a precariedade é evidente. Por isso está sendo realizado um levantamento pelas empresas Bom Jesus do Horto, São Francisco e Lobo, para verificar as condições de funcionamento de cada uma das três que atua em Juazeiro. 

Segundo informou Josilvado, já foram constatados problemas que ele considera graves em relação à manutenção e até coletivos, que andam super lotados de passageiros, já foram vistos circulando sem extintor, um risco para a segurança dos usuários.
Com informações: Diário do Nordeste

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