quinta-feira, 17 de julho de 2014

Fortaleza: Mobilidade na Bezerra de Menezes é retrocesso em marcha

Por Jayme Leitão
Mais uma vez, uma solução de mobilidade priorizada pela nossa prefeitura vai contra a maioria da população – os usuários do transporte público - e busca atender uma minoria míope: os comerciantes da Bezerra de Menezes e os automóveis dos seus clientes. A faixa seletiva criada na pista lateral direita da avenida dando prioridade aos ônibus, o chamado BRS, contribuiu para aumentar a velocidade das viagens e o conforto dos usuários.

A prefeitura agora anuncia que voltará à ideia inicial (e inadequada) de fazer com que a faixa seletiva seja a faixa central da Avenida Bezerra de Menezes -modelo denominado de BRT. Ora, não existe BRT quando não se tem a totalidade da linha seletiva e os embarques feitos a nível e pré-pagos. Não será o caso das linhas que passam por ali. Como resultado teremos duas absurdas transições: quando os ônibus saírem da faixa de circulação local direita da Avenida Mister Hull, e ao chegarem ao final da Bezerra de Menezes.

A solução fará com que a população se veja obrigada a atravessar a avenida (mesmo com as improváveis e feias passarelas) para ter acesso ao transporte, e a caminhada e a espera pelos ônibus engordarão as já cruéis estatísticas de atropelamentos e assaltos.

Ao se deslocar a faixa exclusiva para o centro da avenida, volta a faixa da direita a servir a estacionamentos irregulares, atendendo-se equivocadamente aos lojistas e prejudicando-se todo o fluxo de veículos da avenida. E o pedestre, que se utiliza da calçada para a caminhada e para espera do seu ônibus, será mais uma vez prejudicado – como sempre.

A solução de faixas seletivas ou exclusivas nas pistas centrais era usual quando não havia a tecnologia dos fotossensores, com a construção de muretas para não obstruir as conversões laterais. Hoje a solução da via preferencial de ônibus, defendida por 100% dos urbanistas, é a faixa da calçada, eliminando-se, por consequência, a possibilidade de estacionamentos às margens dos corredores de tráfego.

Novamente, o que se vê é a falta de uma discussão com boa assessoria técnica para a solução de nossos problemas críticos de mobilidade urbana. As consequências são conhecidas: mais árvores derrubadas, passeios ocupados por carros, ciclovias prejudicadas, e o pobre usuário do transporte coletivo tendo que atravessar uma via de alto tráfego, se expondo a riscos para pegar seu ônibus. Em suma: vamos na contra mão das cidades do mundo civilizado.

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