segunda-feira, 21 de julho de 2014

Grandes marcas: Carrocerias Eliziário

Por Clube do Ônibus Antigo Brasileiro
A paixão pelo ônibus tem aumentado nos últimos anos, ganhando mais e mais adeptos no Brasil, alguns por ser fã de uma determinada empresa ou carroceria, outros já viraram estudiosos sobre o assunto e contribuem com o transporte nas grandes cidades de nosso país. Grandes empresas como a Itapemirim ou Gontijo carregam uma legião de admiradores por onde elas operam. Por falar em grandes empresas, algumas que foram pioneiras no passado estão em plena operação, outras foram fechando suas portas ao longo dos anos e outras foram absorvidas por empresas maiores. 

O Fortalbus que neste mês de Julho está completando 9 anos de existência, inicia a terceira semana uma série chamada de “Grandes Marcas do Transporte”, que tem como objetivo resgatar a história de Empresas que contribuem de alguma forma para o desenvolvimento do transporte em nosso país. Na primeira semana, falamos sobre a história da Volvo no Brasil, na segunda, falamos sobre a história da Viação Nordeste, que contribuiu bastante para o desenvolvimento no Estado do Rio Grande do Norte. Nesta semana falaremos sobre uma encarroçadora que não está mais em operação, mas que contribuiu e muito para a história do transporte no Brasil; A Carrocerias Eliziário de Porto Alegre.

Para começar nossa história, teremos de voltar no tempo, até o ano de 1916, quando Eliziário Goulart da Silva, que na época tinha apenas 15 anos de idade, começou a trabalhar com auxiliar de produção em uma marcenaria, devido a interesse e habilidade adquirida, foi promovido logo a marceneiro. Em uma certa ocasião, o patrão pediu-lhe que adaptasse sobre a carroceria de um caminhão GM uma espécie de baú, (na época os baús eram confeccionados somente na Cidade de São Paulo) o serviço acabou ficando melhor que o esperado e chamou a atenção de muitas pessoas.

A partir daí, o jovem marceneiro, passou a ser conhecido na região, passando a fabricar vários baús e acabou percebendo que teria um grande futuro se trabalhasse por conta própria.
Nesta fotografia um dos primeiros veículos adaptados por Eliziário.
Em 1928, surgiu a primeira oficina do encarrocador Eliziário, que contava com a ajuda de um de seus filhos, devido ao ótimo acabamento de suas carrocerias passou a ser reconhecido e ganhou a confiança de seus clientes, nessa época a Coca-Cola estava chegando ao Brasil e viu em Eliziário a parceria para a confecção das gaiolas para os 18 caminhões que eram usados para o transporte de bebidas.
Um dos primeiros veículos adaptados por Eliziário, entre as décadas de vinte e trinta sobre chassi comerial.

Na década de 30, a Eliziário passou a fabricar as primeiras jardineiras com chassi Ford e Chevrolet, que se transformaram em pequenas lotações e ligavam cidades no Rio Grande do Sul, mas a confecção de caminhonetes e caminhões de carga ia de vento em poupa, a pequena oficina passou para um grande galpão, junto com outras empresas que estavam chegando. Em 1946, inaugurou oficialmente a razão social “ Carroceria Eliziário Industria de Ônibus “.
" Jardineira" - O início da era do ônibus, 1939 Viação Férrea do Rio Grande do Sul.
 (Fonte da Imagem: Acervo de Vladimir Monteiro)
Eliziário, contribuiu bastante com o desenvolvimento do Bairro Cristo Redentor que passou a receber moradores de outros bairros e do interior do estado do Rio Grande do Sul, foi desportista e filantropo, colaborando com a construção e fundação do Hospital Cristo Redentor que existe até hoje

No final da década de 40, os Estados Unidos começavam a fabricar ônibus adaptados em carrocerias de alumínio, sabendo disso, Eliziário importou um desses ônibus para estuda-lo, produzir um ônibus naquela época era um trabalho totalmente artesanal, pois não existiam chassis para encarroçamento, era preciso desmontar caminhões e fazer adaptações, muitas vezes cortando ou emendando, tanto no cumprimento quanto na largura.
Eliziário " micro-ônibus ", construído sobre chassi comercial CHEVROLET Gigante 1944.

A parte interna e a estrutura do ônibus eram feitas com madeira, os vidros eram cortados um a um gerando assim em um grande e valioso trabalho. A fábrica foi crescendo e o número elevado de vendas acabou exigindo a contratação de novos funcionários e o aumento das instalações da mesma. A necessidade de adaptar um chassi consumia muitas horas e uma perícia muito grande dos operários, a madeira era trazida do interior do Paraná e era trabalhada cuidadosamente.
Eliziário Micro - Ônibus Rodoviário Ford 1948.

As forjas reduziam o tempo na produção dos para-choques e demais peças metálicas, sendo que muitas eram desenhadas e dobradas a mão e martelo. O vidro vinha de Porto Alegre, onde a industria desenvolveu o vidro temperado, onde Eliziário enviava o molde ao fornecedor e o corte já vinha pronto.

Continua...

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