domingo, 3 de agosto de 2014

Ônibus ficou sem 175 milhões de usuários em 2013

Balanço divulgado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) contabiliza que, no ano passado, 175 milhões de passageiros deixaram de ser conduzidos em ônibus nas nove capitais mais populosas do País, abrangendo Fortaleza. As outras foram Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e São Paulo. Ou seja: 560 mil passagens ficaram sem vendas a cada dia, na comparação com 2012.

Isso corresponde a uma redução de 1,4% no total de usuários transportados, entre 2013 e 2012. Esse percentual sobe para 30% se o corte for entre 1995 e 2013. De acordo com a NTU, essa queda se deve, principalmente, à migração das pessoas para os transportes individuais motorizados e ao alto custo do óleo combustível diesel, repassado ao valor da tarifa.

Na opinião do presidente da NTU, Otávio Cunha, não é a má qualidade do transporte público o que tem resultado nessa diminuição da demanda por ônibus e na consequente migração das pessoas para os automóveis. “É a baixa demanda o que tem resultado na má qualidade do transporte público”, garante.

A baixa qualidade do transporte tem, segundo ele, suas explicações: “Em primeiro lugar, faltou ao Governo federal o estabelecimento de políticas públicas de transportes. Falta inteligência para pensar o transporte e também investimento e capacitação profissional”, declarou ele.

O resultado dessa falta de políticas públicas para o setor, acrescenta o presidente da NTU, “é a queda da velocidade operacional, o aumento do custo dos insumos e a competição com transporte individual. Nesse cenário, a velocidade média das viagens caiu em 50% nos últimos 10 anos, passando de 25 quilômetros por hora para 12 km quilômetros por hora”, completou.

Segundo o diretor administrativo da NTU, Marcos Bicalho, “as pessoas colocam o empresário como vilão por tentar aumentar a tarifa, mas nós tentamos aumentar a tarifa apenas para manter o mesmo nível do transporte público. O que acontece é que a crise está muito mais motivada pela falta de políticas públicas”, declarou.

Apesar da crítica, a diretoria da NTU avalia que os recentes investimentos em infraestrutura para mobilidade já começam a apresentar resultados:

“Os corredores (exclusivos para transporte público) recentes darão melhorias significativas ao transporte. A partir de 2016 veremos resultados muito significativos. Rio de Janeiro, Belo Horizonte já têm demonstrado aceitação. Esses corredores obrigarão a construção de novos corredores que vão atrair mais demandas”, acredita. 

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