terça-feira, 30 de setembro de 2014

Fortaleza ganhará 122 km de faixas exclusivas de ônibus

Porque não temos uma pesquisa de origem-destino, o município desconhece que parcela da população utiliza o transporte coletivo. Comparada ao estudo já realizado em cidades do mesmo perfil, a crença é que entre 55% e 60% das pessoas utilizem o serviço em Fortaleza. A estimativa é de Luiz Alberto Sabóia, coordenador do Plano de Ações Imediatas de Transporte e Trânsito (Paitt). Na Região Metropolitana de Salvador, por exemplo, o resultado foi de 64,9% optando pelos coletivos em 2012.

A divisão das faixas para o transporte público encontra justificativa nesta proporção: deixar metade para o coletivo, metade para o individual não seria injusto. Segundo explica o engenheiro civil Ezequiel Dantas, técnico do Paitt, a margem de 40% a 45% restantes ainda seriam divididos entre os automóveis e modais não motorizados utilizados para os deslocamentos na cidade. Desta forma, os veículos particulares levando uma média estimada de 1,2 passageiros passam a ter o espaço restrito para que os transportes coletivos trafeguem prioritariamente com capacidade de até 95 pessoas.

Até julho do próximo ano, a promessa da Prefeitura é que a cidade tenha 122 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus. Mas como o motorista entenderá esta lógica na prática?

“Tem carro que não respeita e atrapalha muito. Por exemplo, na avenida Dom Luís, as proximidades de centros comerciais são horríveis porque as pessoas querem fazer embarque e desembarque onde querem”, observa a usuária de ônibus Nívia Nunes, 29. A ótica de José Cláudio Falcão, 47, é outra: “Se estivessem aumentando as vias, tudo bem. Mas estão tirando o espaço do motorista, tirando de onde já não tem”, afirma o motorista particular.

O esforço não deve ser em “demonizar” os carros, aponta Sabóia. Mas em criar novos padrões de uso. Oferecer alternativas viáveis para deslocamentos pendulares com outros modais: os trajetos de ida e volta para o trabalho ou para a escola e que acabam convergindo para horários de grande fluxo. Deixar o carro para situações onde ele é indispensável. Viagens de lazer, passeios noturnos ou emergências, por exemplo.

Esperar apenas pela consciência das pessoas não adianta. É a análise da gestora em educação para o trânsito Ângela Maria Souza, do Instituto Paz no Trânsito. Além de se esforçar em punir efetivamente, o poder público deve investir em educação para a boa convivência.

Para Mário Ângelo Azevedo, a punição deve vir acompanhada da conscientização das pessoas sobre o papel que ocupam na cidade: “A ideia é pensar no todo. É não achar que você está sendo prejudicado e lembrar que você, de carro, ocupa um espaço danado”, ressalta o professor Departamento de Engenharia de Transportes (DET) da Universidade Federal do Ceará. 

20 anos
As ações no trânsito são vistas como necessárias a Fortaleza há pelo menos 20 anos. Os países da América do Sul sinalizam a priorização do transporte público há 15 anos. 

Luiz Alberto Sabóia, coordenador do Paitt, aponta que o último grande investimento no transporte público ocorreu em 1992, com a criação dos terminais

Prioridade
Em setembro do ano passado, o fortalezense debateu a presença das ciclofaixas na área nobre da cidade após a sinalização das ruas Ana Bilhar e Canuto de Aguiar. 

Já conhecia também a prioridade dada a ônibus, táxis e vans na avenida Bezerra de Menezes desde 2012 e fiscalizada apenas a partir de janeiro deste ano.
Com informações: O Povo

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