segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Fortaleza: Terminais de ônibus estão saturados para a atual demanda de passageiros

Inaugurados em julho de 1992, os terminais do Antônio Bezerra e da Messejana tinham como objetivo criar um sistema integrado do transporte público de Fortaleza. De 1993 a 1995, outros cinco foram inaugurados: Parangaba, Papicu, Conjunto Ceará, Lagoa e Siqueira, completando os sete da Capital, que conta ainda com dois terminais abertos - das praças da Estação e Coração de Jesus. Em termos de estrutura, eles estavam adequados à realidade daquele momento.

O problema é que, com exceção do de Messejana - único construído com folga para caso precisasse expandir o seu espaço físico - todos os demais foram construídos sem levar em conta o aumento da demanda de passageiros ao longo dos anos. "Em um primeiro momento, eles atenderam à expectativa. Hoje, entretanto, eu diria que não estão mais nem saturados, mas estrangulados, já extrapolaram toda a sua capacidade", enfatiza Pessoa Neto, superintendente técnico do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Ceará (Sindiônibus).

Neto explica que a rede foi construída levando muitas linhas aos terminais. Em 1995, quando os sete já estavam em funcionamento, a frota era de aproximadamente 1.200 veículos. Atualmente, são 1.800 em operação, representando acréscimo de 50%. Dessa forma, uma plataforma que era para contar com apenas uma linha, divide espaço com três ou quatro em um mesmo ponto de parada. "Não cabe mais nenhuma linha, está tudo estrangulado", reitera.

Ampliação dos terminais
O superintendente técnico destaca que, há muito tempo, deveria ter sido feita uma ampliação desses terminais. O único que passou por esse processo: o do Antônio Bezerra - que teve o seu espaço físico duplicado -, não desfrutará de folga por muito tempo. Situação crítica vive o Terminal da Parangaba. Prova disso é que o espaço que hoje abriga o equipamento era para ser o estacionamento dos ônibus. "No projeto original, o terminal é todo construído na antiga fábrica de gesso, que se transformou no Shopping Parangaba. Agora ele vai crescer para onde? ", indaga.

O gestor acrescenta ainda que no projeto do Programa de Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor) o Terminal da Lagoa seria extinto. Hoje, porém, não tem como ser, porque o Terminal da Parangaba não tem para onde expandir. A quantidade de veículos é tão grande que, em horário de pico, enormes congestionamentos são gerados dentro do próprio terminal, formando um verdadeiro "engodo" de veículos. Faustino Alves de Sousa, 50, motorista há 30 anos, conta que já chegou a passar até 30 minutos para conseguir sair do equipamento.

"Com o shopping terminou de piorar. A gente trabalha, porque tem que trabalhar, mas é difícil", desabafa. Para agravar a situação, uma das plataformas teve de ser retirada para dar continuidade às obras do metrô, sobrecarregando as demais, que já estavam abarrotadas de linhas. Para Sousa, a solução seria tirar o Terminal da Parangaba dali.

"Não tem condições, ele não tem para onde crescer. São só cinco vagas de estacionamento, mas qual a linha só tem cinco ônibus? Todas têm 15, 20". Ele recorda que antigamente os motoristas conseguiam descer, ir ao banheiro, lanchar. Hoje, sem espaço para estacionar e com o trânsito cada vez mais caótico na cidade, não conseguem mais.

A estudante Orleangela Barroso da Costa, 28, reclama da desorganização, sujeira, mal cheiro e superlotação. "A quantidade de ônibus não é suficiente para a demanda. Sem falar que é muito confuso. Às vezes ficam ônibus no mesmo ponto e a gente não sabe se é o nosso ou não. E na hora que eles chegam é um empurra-empurra para entrar", frisa. Ela se queixa também do grande número de pedintes e da insegurança. Não raro, passageiros são assaltados.

O cobrador Fabrício Barbosa, 32, reclama da falta de guardas municipais. "Os terminais reúnem todo tipo de gente, mas não tem segurança. Como é que pode? Os guardas só aparecem em dia de jogo. Se acontecer algum problema, a única coisa que a gente pode fazer é correr. Se chegar alguém armado, entra do mesmo jeito", protesta.

Já a professora Celiane Maria Moreira da Costa, 51, reclama das enormes filas e da demora dos ônibus. Disse também que quando o veículo chega as pessoas atropelam umas às outras. "Teria que ter alguém para organizar as filas, porque a confusão é grande. Na hora de subir no coletivo, ninguém respeita ninguém. Nem a fila preferencial eles respeitam", denuncia.

O Sindiônibus avalia que, com o Bilhete Único, não há necessidade de construir novos terminais. Dimas Barreira, presidente do sindicato, destaca que toda a rede ainda está canalizada para dentro dos terminais - que estão saturados. O administrador informa que 49% das pessoas ainda pagam a passagem em dinheiro e querem integrar com os terminais, o que ocorre até por uma questão de hábito. Porém, diz que está sendo desenvolvido todo um trabalho para que essa rede mude lentamente.

"Muitos já estão aderindo ao crédito. Na medida que eles incorporarem, permitindo que a rede não tenha essa amarra, a situação tende a melhorar", afirma. Mário Albuquerque, vice-presidente do Sindiônibus para assuntos jurídicos, defende que a forma de resolver a questão de saturação dos terminais é com as faixas prioritárias de ônibus - uma vez que dão prioridade ao transporte coletivo se conseguem uma maior mobilidade.
Com informações: Diário do Nordeste

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