domingo, 9 de novembro de 2014

Livro recorda avanços e dificuldades dos ônibus em Fortaleza entre 1945 e 1960

A historiadora Patrícia Menezes lancou, o livro "Quebra-quebra, lock out e uma história possível de ônibus", fruto da sua dissertação do Mestrado em História na Universidade Federal do Ceará (UFC), finalizada em 2009. 

"Quebra-quebra, lock out" pretende mergulhar nos anos de 1945 a 1960 e reviver as condições dos ônibus, naquela época, em Fortaleza. Para isso, Patrícia encontrou e entrevistou diversos agentes dessa história, como passageiros, trabalhadores, empresários e membros do poder público, para conhecer o que eles tinham "a contribuir e a reivindicar".

O período é marcante porque demarca o fim da circulação dos famosos bondes elétricos, aumentando a demanda e a cobrança aos ônibus. "Foi um momento em que o ônibus estava na 'boca do povo'", pontua Patrícia.

O livro tem prefácio do professor Gilmar de Carvalho, orientador da pesquisa, e foi contemplado no último Edital Ceará de Incentivo às Artes, da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult).

Ônibus: Problemas e revolta da população fortalezense
Apesar da maior velocidade do ônibus, a transformação causou estranhamento, dificuldades e sérios problemas. Patrícia conta que a população fortalezense era muito saudosita aos bondes e à lentidão, à calma, resistindo às modernidades.  Grandes corredores, como na Av. João Pessoa (que ficou conhecida como a Avenida da Morte) por exemplo, que permitiam que o veículo trafegasse mais rápido, eram temidos.

Devido a brevidade das inovações, os veículos eram montados artesanalmente, de forma improvisada, e não havia regulamentação para aquele tipo de transporte. 

Incêndios, quebras estruturais e até quedas de passageiros eram problemas recorrentes. O cenário caótico e estranho inquietou usuários do transporte público, que se revoltaram e chegaram a quebrar muitos ônibus entre aqueles 15 anos.

Outro ingrediente dessa rica e atual história é a manifestação de estudantes pela meia-passagem, direito conquistado em 1950.

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