sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Volvo Bus dribla queda e prevê alta em 2015

A divisão de ônibus do Grupo Volvo, a Volvo Bus, vem conseguindo driblar as constantes quedas de vendas do segmento no Brasil. Enquanto em 2014 o segmento apresentou expressiva retração de 16,3%, a fabricante instalada em Curitiba (PR) contabilizou crescimento de 2,7%, com 1,7 mil ônibus emplacados com chassis pesados e semipesados da marca. Considerando essas duas faixas de mercado, a Volvo garantiu market share de 11,9%, porcentual quase três vezes maior que anotado no início da década, em 2010, quando tinha participação de apenas 4,1%. 

“Conseguimos crescer na baixa e de maneira sustentada nos últimos anos porque focamos esforços em atender às necessidades dos clientes com os produtos certos”, explica Luis Carlos Pimenta, presidente da Volvo Bus Latin America, que já representa 34% das vendas de ônibus do grupo sueco no mundo. O executivo cita pesquisa de uma consultoria que coloca a montadora em primeiro lugar em índice de satisfação dos clientes, 76 pontos, contra 59 em 2010. “E nossa meta é alcançar 85 pontos”, conta. 

Os negócios da divisão seguiram em expansão em diversos países da América Latina, onde a Volvo Bus teve em 2014 o segundo melhor ano de sua história, com 3,2 mil chassis vendidos – número que só fica atrás dos 3,6 mil de 2011. As vendas externas na região representaram 46% da produção de ônibus em Curitiba, que foram embarcados principalmente para Colômbia, Chile e Peru, os maiores compradores na região depois do Brasil. “Desde 2011 temos dividido exportação e vendas domésticas em meio a meio na região, o que ajuda bastante a compensar eventuais quedas no mercado nacional”, destaca Pimenta. 

Projeção otimista
Para Pimenta, “ao contrário do que pode indicar o cenário pessimista, as vendas de ônibus devem volta crescer este ano no mercado brasileiro”. Ele avalia que existe um conjunto de fatores que deve aquecer os negócios. O primeiro deles é o momento político para as prefeituras brasileiras, que um ano antes das eleições costumam patrocinar compras de novos ônibus urbanos. “E desta vez as empresas têm mais recursos, pois as tarifas foram aumentadas após dois anos sem reajustes, o que vai ajudar bastante na renovação de frotas”, explica o executivo. 

Outro fator que pode aumentar as vendas de chassis rodoviários pesados em 2015 é a regulamentação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre as concessões de linhas interurbanas de ônibus, que vem sendo esperada desde 2008 e finalmente deve entrar em vigor nos próximos dias. “Muitos empresários estão esperando por isso para voltar a comprar. A regulamentação da ANTT tem potencial para incentivar a venda de 2,5 mil ônibus”, diz Pimenta. 

Para os próximos anos, Pimenta avalia que os investimentos em mobilidade urbana previstos no PAC2 para 400 cidades brasileiras também têm potencial para aquecer as vendas do segmento, ao criar a necessidade de colocar nas frotas veículos maiores, mais confortáveis e com tecnologias de conectividade para rodar nos corredores BRT. “Da mesma forma esperamos pela continuação do crescimento dos negócios nos sistemas de transporte público do Chile e Colômbia”, lembra. 

Ônibus híbridos
Embora em escala reduzida, Pimenta também prevê a expansão da frota de ônibus elétricos e híbridos na América Latina. A Volvo já tem modelos híbridos rodando em Curitiba, está homologando alguns veículos para São Paulo e deverá fornecer ao Rio de Janeiro frotas que vão rodar nos corredores em construção para os Jogos Olímpicos que ocorrem na cidade em 2016. A maior frota de híbridos da Volvo na América do Sul, contudo, não está no Brasil, mas no sistema Transmilênio de Bogotá, capital da Colômbia, onde 350 ônibus rodam com a tecnologia que combina a propulsão elétrica com o motor diesel. 

“A questão da eletromobilidade vem pouco a pouco se sedimentando na América Latina, embora em velocidade menor do que em outros países”, diz Pimenta. Ele conta que em breve a região terá acesso aos híbridos mais modernos, que rodam 70% do tempo no modo elétrico e 30% com diesel – a proporção atual é inversa, 30%-70%. Também está em desenvolvimento grandes ônibus articulados e biarticulados com propulsão híbrida. “Esses veículos estão sendo desenvolvidos na fábrica brasileira, pois lá foram criados os primeiros ônibus articulados da Volvo no mundo. Devemos entregar os primeiros híbridos articulados para rodar em Curitiba a partir de 2016, depois vêm os biarticulados, mas ambos devem ser oferecidos também em outros mercados latino-americanos”, revela. 
Fonte: Automotive Business

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