domingo, 15 de março de 2015

Empresário restaura ônibus clássico Ciferal 1966 nos mínimos detalhes

Não há como olhar no retrovisor do transporte de passageiros, sem falar da carioca Ciferal. Fabricante de carrocerias para ônibus que marcou época com populares modelos revestidos de alumínio mais leves, e por isso apropriados para vencer as empoeiradas estradas das décadas de 1960 e 1970, a extinta marca deixou saudades. Nada mais natural que seja hoje uma das mais procuradas, junto da Mercedes-Benz  fornecedora de chassis, plataformas e monoblocos (ônibus de estrutura integral), na restauração de ônibus antigos.

Última iniciativa nesse sentido foi além ao reconstruir um modelo Ciferal Rodoviário, ou Flecha de Prata para os mais íntimos, por completo, refazendo peças como grade frontal e faróis, não mais encontradas nem mesmo em ferros-velhos do interior, onde a marca Ciferal era artigo comum há 20, 30, 40 anos... A originalidade do coletivo ano 1966 nas cores vermelho-mustang e bege causa as mais diversas reações – como numa manhã de sábado, quando ele foi cercado para fotos num breve passeio pelas ruas de Contagem-MG.

“Sempre quis reformar um ônibus antigo e o Ciferal Rodoviário foi o que me marcou, por ter viajado muito nele na época em que ia de Belo Vale, onde nasci, a Belo Horizonte. Embora a marca tenha lançado outros modelos, considero este um ícone por conter vários detalhes arrojados para a época”, conta o autor da reforma, o empresário Julio Cézar Diniz, da empresa Rouxinol.

O primeiro passo, segundo ele, foi encontrar uma unidade em bom estado de conservação, o que não foi tarefa fácil. “É sabido que esses ônibus trafegaram muito tempo em estradas vicinais e não havia uma manutenção adequada”, pondera. Localizado o modelo restaurado, que pertencia à Prefeitura de São Sebastião do Oeste (região Centro-Oeste de Minas), Júlio contou com o auxílio de Geraldo Matoso, profissional especializado em Ciferal, na execução do projeto. Do início ao fim, foram três anos, do desmanche, separação de peças aproveitáveis e compra de novos componentes à montagem final.

Um dos pontos mais difíceis da reforma foi substituir os espelhos retrovisores. “Foi uma novela à parte. Com o modelo original, procurei uma fábrica de panelas de alumínio em Patrocínio (Triângulo Mineiro) e o reproduzimos. Também cheguei a ir a Ribeirão Preto em busca de peças ao ser informado de que um ferro-velho adquiriu o almoxarifado da extinta Transoto. Em vão. Também visitei ferro-velhos em Lavras, Nova Era, São José dos Campos, Guarulhos e alguns em Belo Horizonte.” O resultado final foi um veículo antigo com aparência fiel aos que deixaram a linha de produção e detalhes atuais, como os vidros em tom de verde, interior marfim, poltronas avermelhadas e o próprio nome da Rouxinol envelhecido na tipografia – a empresa de fretamento surgiu em 1989. “Tudo isso somado à satisfação e ao prazer de poder observar como as pessoas que viajaram em ônibus como este se emocionam ao encontrá-lo”, acrescenta.

Júlio planeja expor o ônibus num memorial da empresa. Além dele, o empresário conclui a reforma de um segundo Ciferal: um modelo leito 1972, chamado de Rodonave, utilizado pela Viação Itapemirim. Uma das peças mais difíceis de ser encontrada, uma caixa luminosa de cor vermelha fixada ao centro da traseira, foi garimpada no interior do Maranhão. “Nele vamos adotar o mesmo processo de envelhecimento, como se a Rouxinol existisse naquela época, porém com muito luxo a bordo”, adianta.

Outras empresas mineiras, como a Gontijo, Lopes (de Nova Era), Irmãos Teixeira, Rodap e Goretti (de Juiz de Fora), têm unidades semelhantes do Ciferal Rodoviário, com aparições constantes em encontros de carros antigos.

Extinção Hoje de propriedade da gaúcha Marcopolo, a marca Ciferal deixou de existir no ano passado, quando a fábrica de Xerém foi rebatizada Marcopolo Rio. A justificativa foi de que o mercado confundia a unidade produtiva, que produz ônibus urbanos da Marcopolo, com os modelos antigos.
Com informações: Vrum

2 comentários:

  1. O nome popular desse modelo é CIFERAL PAPO AMARELO.
    O CIFERAL FLECHA DE PRATA é um outro modelo que foi lançado depois do Papo Amarelo.

    Faltam poucos detalhes para esse carro merecer uma placa preta, tais como:

    As lanternas traseiras são do Flecha de Prata. As originais do Papo Amarelo são apenas duas de cada lado, colocadas uma sobre a outra, separadas pelo friso;

    Falta a porta que dar acesso ao pneu do estepe;

    Falta a calha que fica sobre a porta que dar acesso ao estepe;

    O friso traseiro vai só até a porta que dar acesso ao pneu do estepe;

    O retângulo de acrílico com o nome da empresa, no modelo original é diferente;

    Falta o logo CIFERAL colocado acima da placa e abaixo do retângulo de acrílico;

    Falta a linha preta que separa as duas cores;

    Corrigir a grafia do nome da empresa, marca registrada desse modelo.

    No mais estar simplesmente excepcional...

    Francisco Souza

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  2. ESSE INLUSTRE EMPRESÁRIO ESTAR DE PARABÉNS; AQUI EM ALAGOAS EU VIAJEI MUITO NESSES ÔNIBUS;ESSAS FOTOS ME MATAM DE SAUDADE...ÓTIMO TRABALHO!!!TENHO MUITO VONTADE DE VER UM ÔNIBUS DESSE DE PERTO E ENTRAR PARA MATAR MINHA SAUDADE.

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