domingo, 1 de março de 2015

Os primeiros anos de operação da Rodoviária de Fortaleza

Por Fortalbus
Em Fortaleza, o Terminal Rodoviário Eng. João Thomé, é o principal ponto de partida para o embarque de linhas intermunicipais e interestaduais do estado do Ceará. Inaugurada oficialmente em março de 1973, a rodoviária de Fortaleza mantém sua estrutura arrojada e original que marcou um importante avanço para o transporte coletivo na década de 1970.

Com uma localização centralizada, próximo ao aeroporto, do centro da cidade e das principais rodovias federais, BR-116 e BR-222, o terreno de mangueiras no Bairro de Fátima deu lugar aos blocos que imitavam árvores de concreto. Estas grandes colunas de sustentação representavam um estilo arquitetônico inédito que fez da rodoviária de Fortaleza a mais bela e moderna do país. Eram 31 cogumelos hiperbólicos de concreto armado cobrindo quase 11 mil metros quadrados sem nenhuma telha, além de três passarelas de embarque, com capacidade inicial de 12 ônibus a cada 10 minutos.

Antes da inauguração oficial, a rodoviária Eng. João Thomé começou a funcionar em caráter experimental no dia 28 de fevereiro de 1973, porém, apenas com ônibus que faziam linhas interestaduais. O primeiro ônibus, pertencente à Viação Nordeste partiu às 5h e 40m com destino à capital Potiguar, com um pequeno atraso de 20 minutos para atender os retardatários desavisados.
Primeiro ônibus a deixar a Rodoviária de Fortaleza em 1973 - Jornal O Povo
Na fase de testes, o terminal apresentou alguns defeitos técnicos, causados por ligeiras modificações do projeto original. Os problemas mais sérios se relacionavam a segurança do passageiro ao desembarcar, e a difícil manobra dos ônibus nas três passarelas de rolamento e seu estacionamento nas três plataformas de embarque. O projeto original previa a parada dos ônibus para desembarque na passarela número um. Contudo, os primeiros testes relevaram a dificuldade do acostamento dos ônibus, porque dois jardins suspensos impediam a boa aproximação do veículo à calçada de passeio. A solução foi colocar os táxis enfileirados naquela área.

As três plataformas de embarque deveriam simultaneamente, segundo o projeto original, receber nove ônibus, aproveitando três das quatro faces de cada uma delas. Isso não foi possível, porque a pista de rolamento externo (passarela número quatro) deveria ter 10 metros de largura, foi reduzida para sete metros, por medida de economia que impediu o alargamento do aterro sobre o qual se localizam as plataformas de embarque e as passarelas de tráfego de ônibus e táxis. Essa redução impediu a manobra dos ônibus, principalmente dos “Magirus-Deutz”, que tinham 12 metros de comprimento. O problema foi superado com a redução das dimensões das “ilhas ajardinadas” entre as quais situavam as três plataformas.
Vista da Avenida Borges de Melo
Outro problema observado durante a fase experimental foi a saída dos ônibus que se destinavam à Rodovia BR-116. Como o “balão” não havia sido construído, os ônibus faziam manobras difíceis para se inserir na pista sul da Avenida Borges de Melo.  Com a maioria dos erros solucionados, a Estação Rodoviária de Fortaleza estava pronta para ser inaugurada.

Finalmente, a inauguração oficial do Terminal Rodoviário Eng. João Thomé ocorreu no dia 25 de março, com a presença do Governador César Cals e do Ministro Mario Andreaza, dos Transportes. Agora, os usuários contavam com uma rodoviária ampla e confortável, com um estacionamento com capacidade para mais de 200 veículos, lojas, bancas de jornais, correios, pronto socorro, guarda-volume, farmácia, sistema de som, um restaurante panorâmico instalado no andar superior, além de outros equipamentos de apoio ao público.

Para quem não escolhia o táxi como condução, os passageiros podiam pegar os coletivos que faziam ponto na própria estação rodoviária, eram ônibus das empresas São José de Ribamar e CTC - Companhia de Transportes Coletivos, que faziam a linha Aguanambi, circulando nos dois sentidos em direção ao centro da cidade, atendendo também a outros bairros daquela região.

Com 27 empresas passando pelo terminal rodoviário de formas arrojadas e frente do seu tempo, foi transformado numa espécie de ponto de atração turística pelos fortalezenses, também por conta dos vários serviços públicos disponíveis ali, dando mais movimento àquela região da cidade.

Seu projeto pretendia ter condições de atender a expansão do mercado de transporte rodoviário nos vinte anos seguintes, mas em menos de dez anos após sua inauguração, já parecia obsoleta. Com o surgimento das carrocerias mais altas para ônibus no começo da década de 1980, as passarelas não tinham altura suficiente para que estes veículos pudessem ultrapassá-las sem risco de colisão. Alguns veículos até conseguiam, mas ficavam com marcas de arranhões no teto.

Empresas como Expresso de Luxo, Rápido Crateús e Expresso Timbira sentiam-se prejudicadas pelo mau planejamento da estrutura do Terminal, não somente pela altura, mas também porque os ônibus maiores com 13m de comprimento tinham dificuldade de estacionar e manobrar entre as plataformas.
Altura das passarelas antes da reforma na década de 1980
A situação ficou ainda mais complicada quando a Expresso Timbira adquiriu em 1984 seis ônibus Diplomata 380, estes não passavam pelos 3,80 metros de altura dos cogumelos, assim os ônibus desembarcavam na pista externa, pois não entravam nas pistas comuns de embarque e desembarque. A primeira idéia dos técnicos foi a de rebaixamento do solo, mas estudos mais detalhados concluíram por sua inviabilidade, pois sob o piso estavam as instalações elétricas e hidráulicas, além da base dos cogumelos. A segunda opção era a construção de novas passarelas em estruturas metálicas.

As obras de reforma no Terminal Rodoviário Engenheiro João Tomé iniciaram em abril de 1985, compreendendo nos trabalhos de elevação de cada passarela individualmente, através do uso de potentes macacos hidráulicos, reforçando-se, a seguir, cada pilar. Com isto, permitia-se a entrada dos novos ônibus com pouco mais de 4 metros de altura, que logo seriam adquiridos por outras empresas.

Além da elevação das antigas passarelas que ficaram com 5 metros no total, foi construída no pavimento superior da sede da antiga Suterce (Superintendência dos Terminais Rodoviários do Ceará), com um total de 1.100 metros de área coberta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Fortalbus se reserva no direito de selecionar os comentários.

© 2010-2016. Fortalbus Busólogos - Todos os direitos reservados