domingo, 19 de abril de 2015

A Transformação do Terminal Rodoviário de Fortaleza

Por Fortalbus
Com o passar dos anos, viu-se a necessidade de reformas no Terminal Rodoviário para garantir seu bom funcionamento, que mesmo sob administração pública, gerava muitas queixas dos usuários sobre sua falta de conservação e segurança. Em 1996, o Governo do Estado falou pela primeira vez na privatização do equipamento, no qual seria concedida a empresa vencedora, mediante licitação, a administração do terminal por longos 30 anos.

Somente em abril de 1999, o Terminal Rodoviário Engenheiro João Thomé muda de mãos. O Departamento de Edificações, Rodovias e Transportes (DERT-CE), que desde a inauguração ficou à frente da administração, passou então a fiscalizar o trabalho da Socicam Terminais Rodoviários, vencedora da concorrência publica. A empresa se responsabilizou por reformas e melhorias do Terminal Rodoviário Engenheiro João Thomé, além da construção de outros dois, nos bairros de Antônio Bezerra e Messejana.

Durante os 26 anos em que o terminal esteve sob administração pública, apenas uma grande reforma foi feita, além de outras menores sem grandes interferências. Assim que a Socicam passou a operar o terminal, algumas mudanças emergenciais foram realizadas, como a interferência nos banheiros e na área de embarque. Naquele ano, a Rodoviária de Fortaleza embarcava um fluxo de 7500 passageiros contra 7 mil que desembarcavam.

Apesar das melhorias, a Rodoviária de Fortaleza necessitava realmente de uma grande reforma de modernização, porém, o investimento de R$ 2 milhões não foi iniciado no ano de 2004 devido a uma liminar na justiça entre DERT e alguns lojistas permissionários da rodoviária, que não queriam que as obras fossem realizadas. Um dos motivos, segundo os lojistas, era o alto valor do aluguel, cobrado mesmo antes da privatização da rodoviária.

Resolvida a questão na Justiça, a segunda grande reforma foi iniciada em maio de 2007, avançando a passos lentos, pois o terminal não poderia parar de funcionar enquanto eram realizadas as obras. Entre os transtornos enfrentados pelos passageiros, a questão dos táxis, pois até então, os mesmos aguardavam na área de desembarque próximo aos ônibus, e passaram agora a ficar no estacionamento, dificultando para quem subia com um grande volume de bagagens. O incomodo durou até que foram finalizadas as rampas metálicas acessíveis.

Com a segunda grande reforma iniciada, outro empecilho, o arquiteto autor original do projeto, Almir Francisco Luciano Marrocos Aragão, não concordava com o novo projeto de modernização do terminal, alegando com base na lei federal Nº 5.194/1966, que “as alterações do projeto ou plano original só poderão ser feitas pelo profissional que o tenha elaborado”. O arquiteto procurou o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-CE) para denunciar desrespeito ao direito autoral.

A modernização do prédio construído na década de 1970 foi de grande importância para oferecer mais conforto e acessibilidade a todos os usuários. Durante a reforma, muitas críticas e transtornos de todos os lados devido ao ambiente de obras distribuído por etapas, além da ausência de placas informativas que confundiam turistas e estrangeiros. As empresas de ônibus também tiveram seus box remanejados para não comprometer a visibilidade interna do terminal, entretanto, algumas ainda permaneceram no meio do pátio.

Aos poucos, o Terminal Rodoviário Eng. João Thomé foi se transformando num ambiente mais agradável para os viajantes e funcionários, a área de embarque foi totalmente reestruturada, as vias de acesso interno foram modificadas, os ônibus passaram a estacionar de forma mais segura e no mesmo nível dos passageiros através de 30 plataformas de embarque. Foram também implantadas rampas para deficientes físicos, passarelas de acesso ao embarque e desembarque, além de um projeto de paisagismo e jardinagem.

O Terminal conta hoje com 3 sanitários adaptados, sendo 2 no saguão e um na plataforma de embarque, vagas exclusivas de estacionamento pra deficientes, serviço de achados e perdidos, lanchonetes, bancas de revistas, lojas de artesanato, restaurantes, caixas eletrônicos, guarda-volumes e balcão de informações. O estacionamento possui aproximadamente 220 vagas e duas cooperativas de táxis funcionando 24 horas.

Dentre as principais empresas de transporte que possuem serviços no local, estão: Fretcar, Gontijo, Nacional, Expresso Guanabara, Itapemirim, Viação Nordeste, Penha, Politur, Princesa, São Benedito, Transbrasiliana, Satélite Norte e cooperativas de transporte alternativo.

São mais de quatro décadas de histórias que renderam muitos encontros e despedidas neste importante prédio que você certamente já deve ter visitado, seja para viajar ou se despedir de amigos ou familiares. Por ali circulam milhares de passageiros todos os dias. São centenas de partidas e chegadas que tem como ponto inicial o Terminal Rodoviário Eng. João Thomé, ou simplesmente, Rodoviária de Fortaleza.

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