quinta-feira, 21 de maio de 2015

Usuários reclamam de corredor exclusivo em Fortaleza

Pouco mais de um mês após o início da primeira etapa do Corredor Expresso Fortaleza, a implantação do corredor exclusivo de ônibus Bezerra de Menezes/ Centro ainda gera dúvidas e insatisfação dos usuários. Dentre os principais problemas apontados pela população, está a velocidade com que os coletivos trafegam dentro dos corredores e o sistema de paradas, que deve obedecer a uma fila por ordem de chegada dos ônibus.

Todos os dias, a serviços gerais Paula Santos, 34 anos, utiliza o corredor para ir e voltar do trabalho. Segundo ela, a maior dificuldade está no entendimento do novo sistema. "Os ônibus não param nas paradas onde os usuários estão. Levantamos as mãos, mesmo assim eles só param no começo da fila. Se eu estiver no último ponto, tenho que sair correndo para tentar pegar o ônibus. No final do dia, estou cansada e ainda tenho que passar por esta humilhação”, reclamou.

O presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), Antônio Ferreira, explicou que os usuários terão de esforçar-se para entender as alterações na região. "São regras, e o usuário terá de entender e se adaptar para que a operação continue”. Ele esclareceu que há fiscais da Etufor na região para orientar os usuários sobre as mudanças. "Vou aumentar a quantidade de auxiliares da operação nas estações para ajudar na organização e informação”. Segundo o presidente, "os auxiliares deverão atuar o tempo que for necessário para a adaptação de todos às regras do corredor exclusivo”.

Sobre o "corre-corre” dos usuários nas estações, Antônio Ferreira afirmou que é desnecessário, pois os motoristas dos ônibus seguem a regra de parar em fila e que existem fiscais para segurar os ônibus até que todos os usuários subam no coletivo. "Quando o ponto de parada estiver vazio, o ônibus vai parar, obrigatoriamente, no início da fila. O usuário que tiver na parada do meio da estação não precisa sair correndo. É só levantar o braço e ir caminhando, pois os fiscais vão segurar o ônibus. O procedimento é este para que não aconteça congestionamento na avenida”, justificou. Ele acredita que com a inauguração da segunda etapa do corredor, o deslocamento será facilitado. "Os ônibus articulados vão desembarcar no lado esquerdo e, com isso, vai diminuir o conflito nos corredores”, falou.

Dificuldades
Em entrevista, o secretário de Infraestrutura do Município, Samuel Dias, reconhece a problemática de entendimento do novo sistema. "As pessoas estão tendo essa dificuldade de entender e aprender como se deslocarem no corredor, mas isso é esperado porque é a etapa inicial. Esse é o primeiro projeto desse tipo a ser implantado na cidade, e o precursor tem sempre essa dificuldade de aceitação”. Dias apontou, ainda, que o tempo de implantação entre a primeira e segunda etapa será importante para identificar as necessidades de melhorias. "Vamos trabalhar para que, em junho, a gente tenha a segunda etapa funcionando e sem dificuldades”.

Tempo
Um dos objetivos com a implantação do corredor é a redução do tempo de viagens das linhas de ônibus que transitam pela região, dando mais velocidade ao transporte coletivo. Este tempo, no entanto, ainda não foi calculado. Contudo, o presidente da Etufor, observou que os ganhos são consequências da implantação. "Quando se faz a separação de ônibus e carro, a tendência é melhorar para todo mundo. Quando tínhamos a faixa exclusiva do lado da calçada, já tínhamos um ganho significativo. Com a faixa no corredor central, a tendência é melhorar um pouco mais”. 

O auxiliar de transporte Francisco Rômulo, 36 anos, por exemplo,  percebeu o ganho de velocidade e a diminuição do trânsito na Avenida. "O acesso ao shopping está melhor, porque diminuiu o congestionamento para os carros. Mas para quem usa ônibus ainda está complicado. Se perde tempo com as filas em cada estação”, avaliou, completando que não há divisão de paradas. "Cada ônibus deveria ter uma parada fixa. No corredor, passam ônibus urbanos e metropolitanos. As vezes nem há necessidade de eles pararem, mas precisam entrar no corredor”, atentou.

Alta velocidade
A diarista Vanderlândia Duarte, 38 anos, reclamou da velocidade dos coletivos dentro das estações. "Eles entram em alta velocidade, parece até que não reduzem. A gente tem que se afastar por medo de eles não nos levarem. Deviam colocar tartarugas no chão para obrigar que eles reduzam a velocidade”, alertou. 

Para o presidente da Etufor, a reclamação é apenas de uma sensação do usuário. "Quando a gente tirou a faixa exclusiva para o canteiro central, realmente dá uma sensação ao pedestre de que o ônibus está em alta velocidade, mas a velocidade média para transitar na via do corredor é em torno de 20 a 22km/h”. Segundo ele, a Etufor está trabalhando junto à AMC e à Secretaria de Serviços Públicos na intenção de promover melhorias e minimizar a sensação. "Vamos colocar sinalização vertical e, talvez, horizontal, alertando o motorista sobre a velocidade, além de trabalho de abordagem dos motoristas ainda no terminal sobre o mesmo assunto”, assegurou.

Obras
A próxima obra para dar prosseguimento ao Corredor Expresso Fortaleza está acontecendo na Avenida Engenheiro Santana Júnior. No local, um túnel será construído sob a Avenida Padre Antônio Tomás e irá completar o corredor exclusivo de ônibus que liga o Terminal de Antônio Bezerra ao do Papicu.

Samuel Dias ressaltou que "o corredor começa no Terminal de Antônio Bezerra, passa pela Mister Hull, pela Bezerra de Menezes, e lá ele tem uma configuração de corredor tipo BRT, que segue em faixa exclusiva pela Avenida Domingos Olímpio, Antônio Sales e Engenheiro Santana Júnior. Lá, ele terá a mesma configuração da Bezerra de Menezes, com as duas estações, paradas especiais no canteiro central até o terminal do Papicu. Hoje, com a entrega da Bezerra de Menezes já temos o corredor quase que totalmente configurado”.
Com informações: O Estado

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