quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Corredor prioriza o ônibus ou diminui o espaço do carro?

A possibilidade de ser implantado um corredor exclusivo de ônibus na rua Padre Valdevino, via com duas faixas e parte do itinerário de 21 linhas de coletivos de Fortaleza, reacendeu a discussão: a divisão “ao meio” faria com que os usuários de carros particulares perdessem metade do espaço que hoje têm? Ou quem anda de ônibus ganharia um corredor que dá mais agilidade à viagem?

Em outro ponto da Cidade, na avenida Bezerra de Menezes, os ônibus já têm o direito de trafegar em quatro das oito faixas dos dois sentidos. Os dois trechos, que, segundo a Prefeitura, priorizam (ou priorizarão) o transporte coletivo, são alvo de críticas de muitos usuários de carros.

“Na Antônio Sales e na Domingos Olímpio (avenidas com corredor de ônibus em uma das faixas), melhorou. Mas fazer isso na Padre Valdevino é loucura. Aqui, do jeito que tá, têm dias em que é impossível trafegar. Imagina com uma faixa só”, comenta o comerciante Francisco Lima, 56, partilhando opinião exposta em dezenas de comentários nas redes sociais após a divulgação do projeto municipal.

Para os usuários de ônibus, no entanto, o corredor daria mais velocidade na volta para casa. “Melhoraria demais, porque é um custo chegar ali na Domingos Olímpio, que é um exemplo que esses corredores (de ônibus) podem mesmo funcionar, porque melhorou muito à vista do que era”, opina a empregada doméstica Bárbara Teixeira, 40.

O argumento para priorizar a viagem de Bárbara e não a de Francisco é simples: ela faz parte de grupo que a Prefeitura estima ser de 1,2 milhão de pessoas. São os usuários do transporte público de Fortaleza.

“O corredor dá velocidade ao ônibus e faz com que o mesmo ônibus possa fazer mais viagens, o que diminui os custos. Além disso, o ônibus, que carrega 60 pessoas, é muito mais eficiente que um carro, que, muitas vezes, trafega apenas com o motorista”, explica Mário Azevedo, professor do Departamento de Engenharia de Transporte da Universidade Federal do Ceará (UFC).

“Em uma hora de pico na Bezerra de Menezes passam 4.500 carros, levando, segundo a literatura da área, cerca de 1,3 pessoa cada. São 5.850 pessoas. Enquanto 421 ônibus, nessa mesma hora, carregam 25.260 pessoas. Para cada pessoa de carro, 4,31 andam de ônibus”, exemplifica Luiz Alberto Sabóia, coordenador do Plano de Ações Imediatas de Trânsito e Transporte (Paitt), da Prefeitura. “Não olhar a população que anda de ônibus é perpetuar uma politica pública que não enxergava a maioria”, define.

Dividir espaços
Sabóia lembra que, diante de mudanças, o carro tem possibilidade de procurar novas rotas, enquanto o ônibus está programado para seguir o mesmo itinerário. “Por isso, temos trabalhado em adaptar outra vias alternativas”. É o caso da rua Tertuliano Potiguara, que passa por mudança de sentido e recebe semáforos para servir de opção à Padre Valdevino, ligando Aldeota e Centro. Já o binário das ruas Azevedo Bolão e Gustavo Sampaio - que deve estar pronto até o fim do mês - servirá para desafogar o trânsito da Bezerra de Menezes. 

As intervenções, para Sabóia, assim como a percepção de um pensamento coletivo, podem ajudar a diminuir as insatisfações. A opinião é compartilhada por Mário Azevedo. “É preciso dar uso adequado ao carro. Hoje, o que se faz é uma viagem de casa para o trabalho e a volta, o que poderia muito bem ser feito de ônibus. As pessoas têm de entender que viver em uma Cidade é dividir espaços”, ensina o professor.

O que já foi feito
79,8 km de corredores exclusivos de ônibus. A meta, de acordo com o Paitt, é que a Cidade chegue a 135 km até o fim de 2015.

165 ônibus com ar-condicionado, o que representa 7,68% da frota. A meta é, de acordo com a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) que 12,5% da frota passe por renovação já com ar-condicionado anualmente. Em 2020, toda a frota terá o equipamento.

Aplicativo Meu Ônibus, que auxilia na previsibilidade dos horários.

Policiamento 24h nos sete terminais foi implantado em maio. Segundo a Etufor, isso reduziu a zero o número de assaltos. Revista policial nas linhas com maior índice de assaltos que, de acordo com a SSPDS, diminui em 30% o número de ocorrências.
Com informações: O Povo

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