sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Ônibus urbano perde 300 mil passageiros por dia

Cerca de 300 mil pessoas por dia deixaram de usar ônibus no ano passado nas nove principais capitais do país, segundo levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). De acordo com dados da entidade, que levaram em consideração números de Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, a queda equivale a 2% dos passageiros transportados no ano anterior (2013).

Essa diminuição no uso de ônibus ocorre ano após ano. Desde 1995, a redução média anual é de 1,7%, somando queda de 30% desde então. No ano passado foram transportados 382,320 milhões de passageiros por mês, ante 389,999 milhões em 2013.

Segundo o presidente da associação (NTU), Otávio Cunha, passageiros estão passando a usar meios de transporte particular, como carros e, mais recentemente, bicicletas. Isso, destacou Cunha, é reflexo da política do governo de incentivo ao transporte individual em detrimento do transporte coletivo.

Dados da NTU mostram que o número de passageiros transportados em cada ônibus por dia caiu 3,2%, passando de 398 em 2013 para 385 em 2014.

Velocidade de transporte
Cunha destaca que mudança do cenário só ocorrerá com o aumento da velocidade com que os ônibus trafegam e que isso depende de investimentos em infraestrutura, como faixas exclusivas, instalação de BRTs e de corredores de ônibus. “Cada dia o ônibus fica mais moroso no trânsito, por causa dos congestionamentos. O tempo de viagem é, entre todos os fatores, o de maior preocupação dos passageiros”, afirmou o presidente da NTU.

Dados da associação mostram que a velocidade média dos ônibus era de 22 km/h, há 15 anos, e hoje, em algumas cidades, fica em torno de 8 km/h. “Já nas faixas exclusivas aumenta a velocidade, reduzindo o tempo de viagem”, avaliou.

A expectativa do setor é que somente em dez anos, se o governo tirar do papel os projetos de investimento em infraestrutura, é possível melhorar a qualidade do serviço e reverter o cenário de perda de passageiros.

“Existe uma expectativa para o futuro de melhora da qualidade de transporte no país. Apesar do indicador negativo de agora , temos experiências exitosas em cidades que investiram em infraestrutura, como os corredores de ônibus e BRTs”, disse.

O levantamento do setor mostrou ainda que de 2013 para 2014 o valor médio da tarifa caiu 2,5% e a idade média da frota aumentou 4,5% passando de 4,45 anos para 4,65 anos. Isso, segundo a entidade, mostra as dificuldades que o setor tem enfrentado para investir.

Um comentário:

  1. Muito interessante esse texto. Tenho carro próprio, mas uso transporte coletivo umas 8x por mês. Motivo? A parada mais próxima daqui de casa é muuito distante (quase 1km) ,e eu saio pela manha e só regresso quase de madrugada. Os coletivos na parada que eu pego já chegam completamente cheios, não dá para entrar, sério. Além da insegurança em si. Sou acomodado? Talvez. Mas acredito que mudanças no itinerário, aumentar a frota (mesmo com o relato do texto dizendo que menos gente pega ônibus, mas tem que haver formas de incentivar a população, não acham?) e melhorando a segurança da cidade, eu usaria o coletivo todos os dias sim, e não apenas no final de semana para lazer.

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