quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Terminais de ônibus têm falhas e esperam terceirização

Em meio ao processo de terceirização da administração, os sete terminais de ônibus erguidos na década de 1990 em Fortaleza para garantir integração física entre as linhas do transporte coletivo, hoje, ainda padecem com a lotação, insegurança, desordenamento e sujeira no entorno. Por dia, o número de usuários que passa pelos sete equipamentos supera a marca de 1 milhão. Com diferentes tamanhos e demandas, passados mais de 20 anos da inauguração, os equipamentos carecem de soluções. 

Ao percorrer os sete terminais, as narrativas e queixas são semelhantes. Do Antônio Bezerra a Messejana, usuários reclamam da falta de ordem, da sujeira e da intensa presença de ambulantes, e em alguns casos, como na Parangaba, no Papicu e no Siqueira, também de espaço. Passageiros demais ocupando áreas físicas limitadas, que, em geral, não têm como passar por ampliação. Nos três equipamentos, por dia, a demanda transportada supera os 150 mil. No Papicu, que tem o maior número, a quantidade de passageiros transportados é de 271.137. 

Atualmente, está em curso o processo de terceirização, em que a administração, operação, limpeza e manutenção dos equipamentos - hoje a cargo da Prefeitura - passarão a ser de uma empresa privada. Entre os usuários, o clima é de esperança e desconfiança. "As coisas já estão complicadas, imagine quando for para a iniciativa privada", pondera a professora Fabiana Damaceno. "Preferia que o poder público continuasse à frente desse processo. Os equipamentos são públicos e deveriam ser bem cuidados pela própria Prefeitura", ressalta o universitário Sérgio Cavalcante. 

Os terminais, em linhas gerais, além da restrição do espaço físico, acumulam problemas de ordenamento. Dos sete equipamentos, exceto o da Lagoa, hoje, há presença massiva de ambulantes. Nos do Antônio Bezerra, Parangaba, Siqueira e Papicu, os passageiros precisam disputar espaço com os vendedores de diversos tipos de mercadorias, de lanches a óculos de sol. 

Em muitos casos, os ambulantes se apropriam de bancos, grades de proteção e até mesmo montam estruturas com mesas e cadeiras para dispor os objetos e atender os possíveis clientes. Sacos de mercadorias também ficam espalhados pelo chão reduzindo o espaço de circulação em seis, dos sete equipamentos. 

No Siqueira, o chefe de cozinha Jânio Medeiros diz que é difícil se locomover no terminal em horários de pico por conta dos ambulantes. "Já tem muita gente, e eles ainda se apropriam do espaço", reclama. Jânio também queixa-se da insegurança. Ele explica que, depois de 22h, é comum haver assaltos no Siqueira. Porém, ele ressalta que com a presença da Guarda Municipal, a situação tem sido amenizada. 

Vulnerabilidade
Já o auxiliar de escritório Pedro Eduardo, se sente vulnerável mesmo com a Guarda. Para ele, furtos e assaltos continuam acontecendo, mas varia. "Sinto muita diferença entre aqui (Siqueira) e a Parangaba. Acho que lá é mais tranquilo", diz. As queixas são recorrentes no Papicu e na Parangaba, mas nestes locais também foi constatada a presença de policiais militares, bem como no Antônio Bezerra e no Siqueira. 

No Antônio Bezerra, que apresenta a melhor condição estrutural, pois foi o único a passar por uma grande reforma nestes 20 anos, os policiais patrulham também o túnel, e o equipamento conta com câmeras de segurança. Outro gargalo é a intensa presença de usuários de drogas no entorno dos terminais, bem como o mau cheiro nestas áreas. 

Os sete locais também apresentam limpeza regular e em todos a reportagem constatou profissionais trabalhando na manutenção. Os banheiros apresentam condições deficitárias, pois falta material de higienização, mas a limpeza do ambiente, enquanto a reportagem esteve no local, na manhã de ontem, aparentemente estava garantida. 
Com informações: Diário do Nordeste

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Fortalbus se reserva no direito de selecionar os comentários.

© 2010-2016. Fortalbus Busólogos - Todos os direitos reservados