terça-feira, 3 de novembro de 2015

Fabricantes de ônibus enfrentam pior período do setor

Segundo dados divulgados pela Anfavea, as vendas de ônibus de janeiro a setembro somaram 13,7 mil unidades, número 31,2% inferior às 19,9 mil do mesmo período de 2014. Nos nove meses do ano, a produção do setor acumula 18,6 mil unidades, 33,1% menor do que no ano passado (27,8 mil).

"A continuar como está, a indústria brasileira de ônibus não irá sobreviver". Com essa declaração, o presidente da Neobus, Edson Tomiello, abriu o painel "Tendências da Indústria Fornecedora" no evento "Tendências 2016", promovido pela Fepasc - Federação das Empresas de Transporte de Passageiros dos Estados do Paraná e Santa Catarina e realizado no final de outubro, em Curitiba.

O debate contou com as presenças do presidente da Volvo Bus, Luís Carlos Pimenta, do diretor da Chevron Brasil, Antônio Carlos Rosa, e do diretor da Michelin, Feliciano Almeida. Na abertura do evento, o presidente da Fepasc, Felipe Busnardo Gulin, deu um panorama das dificuldades do setor: "Estamos preocupados com o atual momento. Chamamos os parceiros de negócio para rediscutir o formato de negócio. Afinal, empresa de ônibus com dificuldades financeiras, ou quebrada, não consegue comprar insumos, como pneus, combustível, chassi e ônibus".

"Os juros saltaram de 2,5% ao ano para 13%. Sem contar o desequilíbrio cambial e aumento geral de preços dos insumos básicos, como energia e combustível”, disse Toniello. “Isso impacta diretamente na operação de qualquer indústria, ocasionando uma queda de mais de 50% nos índices de produção".

Outra dificuldade, segundo ele, é a "despadronização" entre as prefeituras. "Cada uma quer definir seu próprio produto. Ou seja, precisamos desenvolver um ônibus para cada cidade. Assim, não há escala, o que tira a competitividade das indústrias. Se não arrumarmos isso logo e ajustarmos a economia, taxa de juros e câmbio, teremos muitas dificuldades para recuperar o setor", destacou o presidente da Neobus.

Para o diretor da Chevron, essa instabilidade econômica e a desvalorização do real dificulta a reação das empresas. "A maioria dos insumos é importada. O dólar e a carga tributária brasileira impactam sobremaneira no preço final, prejudicando ainda mais as operações", analisou. Por tudo isso, ele considerou 2015 como um dos anos mais difíceis do setor. "O consumo está caindo, o mercado está mal e os clientes estão com problemas gigantescos. E, em 2016, ainda não deve acontecer uma recuperação plena", projetou Antônio Carlos Rosa.

Já o presidente da Volvo Bus abordou o modelo de negócios dos operadores de transporte público no Brasil. "Além da forte carga tributária, bem diferente de outros países da América Latina, o modelo de negócios dificulta e tira a eficiência do sistema brasileiro", afirmou Pimenta.

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