terça-feira, 10 de novembro de 2015

Frota de ônibus em Fortaleza tem aumento de 38% em 20 anos

Transporte público de qualidade, que respeite os itinerários, cumpra os horários, seja menos superlotado e com profissionais gentis, preparados para atender o público, estão entre as principais demandas da população. Para quem depende deste meio de locomoção, no entanto, são muitas as reclamações.

“Eu ando de ônibus todo dia e vejo as dificuldades que as pessoas passam. Tem a superlotação, que é comum, principalmente nos terminais; tem a questão do horário, que nunca é cumprido; e a falta de respeito por parte de alguns motoristas e cobradores, que são grosseiros com as pessoas”, denuncia a nutricionista Ana Carolina Maia, 32.


Para o estudante universitário Pedro Elpídio, 21, a frota de veículos não é suficiente para atender a demanda, o que repercute na qualidade do serviço de um modo geral e, principalmente, em demora para as pessoas conseguirem chegar ao seu destino. De positivo, diz que é o fato de o serviço existir e, de alguma forma, ser prestado.

Já o bibliotecário Robson Souza, 22, avalia que o aumento da passagem não foi uma boa medida, sobretudo neste período do ano. “Eu sei que eles precisam, já que os aumentos que ocorreram foram para todos, mas, para a população, ficou mais difícil. Mas, se vai aumentar, que haja melhorias no transporte público, com acréscimo do número de veículos e de linhas. Eu, por exemplo, que moro na Messejana, preciso pegar três ônibus para chegar no Benfica”, comenta.

Histórico
Em 19 anos, a frota de veículos da Capital teve aumento de 38,7%. Eram 1.307 ônibus em 1995, saltando para 1.813 no ano passado. A quilometragem produtiva, entretanto, não acompanhou o mesmo ritmo de crescimento. Em 1995, a quilometragem anual era de 110.358.887, passando para 129.538.346 em 2014 – o equivalente a aumento de 17,3%.

Em contrapartida, a demanda total de pagantes reduz a cada ano. Eram 311,7 milhões em 1995, diminuindo para 293,3 milhões no ano passado, o que representa queda de 5,9%. No mesmo período, o salário dos motoristas quadruplicou. Passou de R$ 410,01 em 1995, para R$ 1.650,00 no ano passado.

Sá Júnior, gerente de planejamento do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Ceará (Sindiônibus), ressalta que apesar da frota ter aumentado nos últimos anos, ainda assim, a sensação dos usuários é de que a quantidade de ônibus não é suficiente. O gestor explica que o problema não é a quantidade de ônibus, mas a velocidade operacional na qual os veículos operam. Ele adverte ainda que o transporte público não pode ser analisado de forma isolada, sem levar em conta outros fatores, como trânsito e uso do solo.

Somado a isso, diz que Fortaleza não tem um sistema viário adequado para o atual volume de veículos – conforme o Detran, até agosto deste ano, a frota da Capital somava 988 mil veículos. “Isso faz com que o transporte público tenha, onde não há faixa exclusiva para ônibus, que disputar o espaço viário com o transporte particular, o que compromete a qualidade do serviço e a velocidade operacional. No momento que transporte público é priorizado e são criadas condições de circulação favoráveis, as empresas têm como oferecer um maior número de viagens com aquela mesma frota e reduzir a lotação por viagens, que é o que o usuário quer”, salienta.

Em relação à qualificação dos operadores, Sá Júnior afirma que tanto o Sindiônibus quanto as empresas desenvolvem treinamentos para aumentar a qualificação profissional. Sobre o aumento da passagem, explica que ocorreu tardiamente e que, pelo contrato de concessão, deveria ter sido aplicado em setembro do ano passado.
Com informações: Diário do Nordeste

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