domingo, 10 de janeiro de 2016

CAIO: Sete décadas na liderança em carroceria de ônibus

Por Helio Luiz de Oliveira
No inicio dos anos de 1900 as jardineiras eram construídas sobre chassis importados da Europa, sendo que as primeiras carrocerias eram de estrutura de madeira de lei. Do pioneirismo e saga dos Irmãos Grassi (procedentes da Itália), o “Mamãe-me-leva” registra a história do primeiro produto coletivo a ser produzido em escala industrial (isto no ano de 1924). Desta escola, após 20 anos como projetista, o imigrante e descendente da pequena Cerignola na Itália, José Massa fundaria em 19 de dezembro de 1945 a encarroçadora CAIO. Em sociedade com José e Octacílio Piedade Gonçalves – irmãos e proprietários de uma revenda Ford da região leste de SP, iniciavam numa área de 3 mil metros quadrados (na Avenida Celso Garcia, bairro da Penha) a construção de carrocerias de ônibus (ainda de madeira). Num trabalho tipicamente artesanal, levaram trinta dias para concluir a primeira unidade… já era o ano de 1946.

Um cliente dos Gonçalves e cidadão norte americano, sugeria a identificação e inclusão da palavra “americana”, ainda que genuinamente brasileira, codificando como América do Sul o nome da nova empresa: CAIO Companhia Americana Industrial de Ônibus. Com determinação e pujança, Massa se dedicaria integralmente às atividades industriais na pequena fábrica. Em 1958 transfere a empresa para a Rua Guaiaúna, 550 – Zona Leste, no bairro da Penha – eram 24 mil metros quadrados de área fabril. Como braço direito e defensor das idéias do patriarca, o filho, Luiz Massa adquire experiência e acompanha, principalmente nos Estados Unidos, o mercado de carrocerias no melhor país do mundo. Nasce então o primeiro ônibus de estrutura metálica: o “Bossa Nova” (no ano de 1959). Produção crescendo em ritmo totalmente industrial, José Massa torna-se majoritário e no comando absoluto da encarroçadora (como linha de produto surge o “Jaraguá” – inovador e de linhas modernas, logo em seguida o rodoviário “Corujet”). Com apoio do Governo Federal e da SUDENE, a CAIO monta a primeira fábrica de ônibus no Norte/Nordeste em Jaboatão, PE a filial CAIO NORTE (1966).

Seu produto urbano do momento é o “Bela Vista” (fabricado em 1966 e com alguns exemplares ainda intactos pelo tempo rodando pelo Brasil afora..). Em 1970, apresenta o “Jubileu de Prata” (rodoviário em comemoração a passagem dos 25 anos da empresa). Constrói o primeiro micro ônibus (“Caio Verona” – 1968 no chassi Mercedes-Benz 608D) e o grande sucesso de vendas e produção: urbano “Gabriela” (1973). Três anos mais tarde compra a encarroçadora Metropolitana no Rio – para adquirir tecnologia na fabricação do ônibus de alumínio, consolidando então como a maior indústria de carrocerias urbanas da América Latina (surge o modelo “Itaipu” e em 77 o micro “Carolina”). José Massa não vê o grande salto da empresa (falecendo em 1978), seguidamente o seu filho Luiz. Com a grande perda, assume o controle da Caio o executivo Ruggero Cardarelli, José Roberto Massa, José Massa Neto e Cláudio Regina.

O grande desafio estava por vir no ano de 1980 – com a venda da Única (empresa que fazia a ligação SP x RJ pertencente ao grupo), ampliando assim os negócios, construindo na cidade paulista de Botucatu um belíssimo parque industrial (lá nasce o “Amélia” – urbano). Novos produtos vão confirmando o sucesso e a certificação da encarroçadora: 1981 apresenta o “Gabriela Articulado” (primeiro no gênero no país) além de alavancar as vendas e impulsionar seu sistema produtivo. Os modelos: micro “Carolina II” e o rodoviário “Corcovado” (ambos em 1982), depois o “Aritana” e as versões “Amélia II” e “Squalo” (rodoviário de luxo em 1984 – numa tentativa de entrar para o seleto grupo das carrocerias rodoviárias) complementam a linha de produção. Em 1986 agita o mercado com o “Vitória” (consolidação das vendas e exportação, principalmente para a América Latina) – opcionalmente construído em ferro e alumínio (e o “Carolina III” – micro do ano de 1987) com grande aceitação pelos frotistas nacionais.

Com novos mercados, projeta-se para o México (monta seu primeiro monobloco: “Beta”) na tentativa de explorar o mercado internacional e mostrar seus modernos conceitos construtivos. Para a década de 90, a carroceria “Alpha” (1994) inaugura uma nova fase na empresa – encerraria a utilização dos nomes femininos em suas carrocerias. No entanto, após mais de 50 anos de atividades, a gigante CAIO absorve as fortes oscilações econômicas, que sempre acompanharam as empresas brasileiras e, recuada nas limitações administrativas, anuncia em 1999 a concordata daquela que é a maior fabrica de ônibus urbano do país. Preocupações com o mercado surgem ainda os modelos “Millennium” (2000) e “Apache S21” (2001) – ambos urbanos, finalizando a produção da CAIO, que passaria a ter controle gestor de um dos seus maiores clientes, o Grupo Ruas (com nova denominação Induscar).

Ao todo, a CAIO produzia até o processo do acordo em questão, mais de 59 mil carrocerias, registrando assim um marco na produção de ônibus, iniciada em dezembro de 1945 por José Massa. Com a nova diretoria e gestão a CAIO-INDUSCAR apresenta o novo “Apache VIP” urbano, o rodoviário “Giro 3200” [2003] para a linha rodoviária (seguido da versão “3400” e “3600” de 2004) e ainda nos modelos: “Atilis” [2007], “Mini Foz”  [2008], “Foz Super” [2009] e “Foz” [2013]. Um moderno conceito é imposto na carroceria “Millennium” – que ganharia uma nova atualização visual e com detalhes específicos.

A CAIO-INDUSCAR apresenta para complementar a participação no segmento de fretamento e turismo o “Solar” [2013]. Com a forte atuação no segmento urbano apresenta a encarroçadora paulista o maior modelo urbano do mundo: o bi-articulado “Top-Bus” de 28 m de comprimento (e ainda o novo “Millennium” – editado em 2011 na terceira fase e com o articulado de 18 m que recebeu o batismo de “Mondego HA” e ainda a série: “L”, “LA” e “H” de 2005). Também graças à expansão e modernidade de chassis nacionais e as concepções atualizadas dos processos de mobilidade urbana, a CAIO-INDUSCAR destaca o superarticulado de 23 m de comprimento na edição “Millennium BRT” [BRT Bus Rapid Transit de 2012].

Em dezembro de 2015 a encarroçadora paulista com fábrica em Botucatu completa sete décadas como a maior fabricante de carrocerias de ônibus do Brasil e uma das maiores do mundo: entre 1945 até 1999 foram fabricadas 59255 carrocerias na antiga administração e desde a nova diretoria [Induscar] somam-se como dados produtivos e mensurados pela FABUS de 96346 unidades [Jan/2000 – Nov/2015]. Na totalização resultando 155601 ônibus fabricados.​ 

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