quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Cinco anos sem a linha Paranjana

Por Fortalbus
Dia 10 de Janeiro de 2011. Seria mais um dia como qualquer outro, se não fosse por um fato que, de forma  saudosista e popular, ficou marcado aos usuários, colaboradores e todos os envolvidos com o transporte coletivo. Percebia-se algo de diferente nas ruas, avenidas e terminais. Tal atipicidade se devia ao final das atividades das linhas Paranjana 1 e 2.

Ao todo 40 mil pessoas por dia utilizavam as linhas de transporte público Paranjana 1 e Paranjana 2. Gente de toda parte da grande Fortaleza pegou ou viu passar as duas rotas, afinal, ambas faziam literalmente, uma volta de 360 graus na cidade. Parangaba, Antônio Bezerra, Lagoa, Papicu, Centro, Aldeota, Barra do Ceará, Edson Queiroz, Castelão, Passaré e Cidade dos Funcionários esses eram alguns dois bairros por onde passavam as duas grandes rotas circulares da Capital.

Ao todo a linha Paranjana 1 fazia uma percurso de 45,3 km de extensão, em tempo de viagem de 132 minutos. No total, 157 viagens eram realizadas ao dia. Já o Paranjana 2 percorria 44 km de extensão, em tempo de viagem de 125 minutos, com 150 viagens realizadas por dia.

O decreto foi lavrado pela ETUFOR no apagar das luzes de 2010. A reestruturação visava otimizar e melhorar o atendimento prestado aos passageiros. Como se fosse uma pizza, não tão saborosa assim, o Paranjana foi rateado em quatro partes. Cada pedaço recebeu uma nova denominação que perdura até hoje (linhas 024,041,042 e 072), além de algumas linhas expressas criadas com o passar dos anos.

Desde o anúncio de sua extinção, os futuros órfãos (não, necessariamente, tristes com o acontecimento) começaram o processo de imortalização da referida linha, que era ao mesmo tempo necessária e temida, amada e odiada. Nas redes sociais, os fortalezenses relembravam, com o humor originalmente cearense, diversos momentos vividos a bordo de um Paranjana.

Naquela segunda-feira chuvosa, a lenda do transporte fortalezense agora era somente isso, lenda. Seus pedaços estavam a circular pela cidade, despertando dúvidas e confundindo os usuários em um primeiro momento. Questão de adaptação. Mas a promessa de otimização e melhorias não eram perceptíveis, até então.

Apenas o Paranjana "físico" foi embora. Sua "alma" ainda está presente entre nós (lotação, atrasos, estresses). Tal como uma "herança maldita", seus membros partilharam o legado deixado. O ritmo frenético e agitado nas vias de Fortaleza não mudou muito de lá para cá, não colaborando para o seu total desencarne.

Só mudou de nome, mas a essência do Paranjana continua neste plano físico do transporte coletivo, sobretudo enraizada no imaginário popular. Mesmo assim, correm boatos de que sua alma possa se encontrar nos planos dos itinerários extintos. E completam, os boatos, que um médium psicografou uma mensagem do finado aos seus queridos filhos: 

"Falem bem ou falem mal, mas falem de mim. Com carinho e um abraço do tamanho do meu aperto", Paranjana

Paranjana: Uma era de movimentos sociais e dinâmicas espaciais
Alguém pode vir dizer que já foi furtado ou uma mulher, que já sentiu ereções maliciosas por trás. Claro que isso também existe em linhas de grande proporção, certamente isso não é fato exclusivo desta linha. Voltemos à pauta. A linha, que percorreu quatro terminais do Sistema Integrado de Transporte, criado pelo ex-prefeito Juraci Magalhães na década de 1990 (Antônio Bezerra, Papicu, Parangaba e Lagoa), era responsável pela translocação de, por exemplo, estudantes da Universidade Estadual do Ceará da zona abrangente da Regional I à UECE; ligação da Barra do Ceará ao Shopings Del Paseo, Jardins, Aldeota e/ou Center Um ou o transporte de torcedores residentes no Papicu os quais pretendem ir ao Castelão (indo e voltando, vice-versa); tais exemplos, só esta linha consegue cobrir.

Carregando imensa responsabilidade, a linha sofreu com vários problemas, em que a vítima era o passageiro e este acaba sofrendo com eles: algumas grandes vias por onde ela passava até hoje tem sua capacidade infra-estrutural e de trânsito saturada, como as avenidas Eng. Santana Júnior, Washington Soares, Santos Dumont; lotações extremas nos horários de pico, sendo a demanda insuficiente e, claro, a insegurança dos passageiros que a utilizam, com o perigo de ser furtado, aliciado ou mesmo danos físicos.

Pode parecer brincadeira, mas a importância desta linha para a cidade é grande, por se tratar de linha de grande porte e, com isso, era responsável pelo transporte de mão-de-obra do setor terciário e de estudantes, precisava ser vista com cautela e carinho, pois resolvendo grandes problemas, os pequenos podem ser resolvidos realmente mais facilmente, às vezes as pequenas falhas são as mais complicadas de se resolver. Se não termos cuidado com as grandes linhas de ônibus, o transporte público poderá a vir se tornar um caos urbano.

Eterna Saudade!
Fica uma saudade doendo na memória, daquele velho ônibus que pegávamos no tempo de colégio, de sufoco na saída apressada do trabalho para ir ainda à casa da namorada, da “pinada” quase perfeita das duas paradas puladas depois, pernas trôpegas de volta... Sinto uma saudade medonha do Vila Sarita, do Santa Maria desbravando o Monte Castelo (só hoje existe a miniatura sem graça), mas linha nenhuma me deu mais alegria, prazer e saudade que o Jardim América/via Itaoca... (vez por outra ainda o avisto ziguezagueando Montese adentro... Sem volta definida!). Quantos poemas e ficções dariam nossas sofridas e aventurescas linhas de ônibus, atuais e antigas... Queria ter o talento dos poetas Ruy Vasconcelos ou Carlos Nóbrega para com minúcia ir fazendo nossa odisseia suburbana de Aldeota e Parangaba, de Mucuripes e Antônio Bezerra, de João XXIII e Autran Nunes, entre outros expressos mais. Ou como bem fez o Poeta de Meia Tigela saudando, em lamento, o fim da linha Paranjana (da qual só vi igual aventura pegando um Grande Circular às 6 da tarde). De lambuja ainda recolheu pérolas que pululam pela internet sobre o triste fato.

Linhas que operam hoje atendendo os usuários do Paranjana
Além de deixar lembranças não tão boas assim, a linha de ônibus Paranjana faz parte da história do nosso sistema integrado de transporte, sendo criada para unificar todas as regiões da cidade, através dos terminais e corredores de ônibus. 

Hoje a linha continua em operação,  mas só no Corujão, durante a madrugada, para os mais nostálgicos ela sempre ficará na lembrança do povo fortalezense.

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