domingo, 3 de janeiro de 2016

Ônibus adotam biometria facial em todo o Brasil para evitar fraudes

Várias empresas de ônibus do transporte coletivo estão operando com câmeras de reconhecimento facial. Elas serão usadas para identificar quem estiver usando benefícios do bilhete único de forma indevida. O sistema funciona assim: você entra no ônibus, aproxima o cartão da maquina, e acima dela haverá uma câmera. Ela verifica se a pessoa é realmente a dona do cartão: em caso positivo, a catraca é liberada.

Uma das primeiras cidades a testar reconhecimento facial em ônibus foi Caruaru (PE), em 2012, onde o uso indevido de cartões chegava a comprometer quase metade da renda das empresas de transporte.

Em 2013, a tecnologia chegou a Fortaleza (CE): o software de reconhecimento facial calcula as medidas do rosto, e compara com a imagem registrada no chip do cartão. O objetivo é evitar fraudadores que vendem bilhetes de gratuidade.

A cidade de Vitória (ES) começou os testes de biometria facial no fim de 2013 e bloqueou quase 1.800 cartões por uso indevido. No ano seguinte, todos os ônibus municipais ganharam a câmera de reconhecimento, para impedir que pessoas emprestem o cartão de gratuidade para outra pessoa. Em caso de fraude, o usuário só pode voltar a usar o benefício após um ano, ou pode perdê-lo.

Em 2014, o sistema de reconhecimento facial foi implementado no transporte coletivo de Florianópolis (SC). Os seis terminais de integração da cidade receberam câmeras para verificar se quem usa os cartões de gratuidade é mesmo o dono. No período de testes, 2.000 cartões foram identificados com uso irregular.

Este ano, a biometria facial em ônibus continuou a se espalhar. Em setembro, Ribeirão Preto (SP) começou a usar o sistema: o usuário passa o cartão pela catraca, e o sistema registra seis fotos, que são comparadas às imagens de um banco de dados, analisando 500 pontos do rosto. O objetivo: evitar o uso indevido do cartão eletrônico.

Em novembro, foi a vez de Manaus (AM): no primeiro dia de biometria facial, 2.500 cartões “Passa Fácil” foram bloqueados. Estima-se que as fraudes com o cartão de meia passagem e de gratuidade chegavam a R$ 230 mil – tinha até gente usando o benefício de usuários que já haviam morrido.

E desde o dia 6 de dezembro, ônibus de São Paulo vêm usando câmeras para identificar quem usa o bilhete único para idosos e portadores de deficiência. Antes, o cobrador precisava autorizar o processo usando outro cartão, e o passageiro tinha que passar seu bilhete único mais um vez para liberar a catraca. Agora, basta olhar para a câmera.

A capital paulista vem implementando essas câmeras desde o ano passado. A câmera tira quatro fotos do passageiro e envia para um servidor, onde um programa de reconhecimento facial as compara com a foto no cadastro. Se houver diferença, um funcionário analisa o caso; constatada a fraude, o bilhete único é bloqueado.

A próxima cidade a receber o sistema será Campinas (SP). A partir de janeiro, todos os ônibus da cidade terão biometria facial, para evitar o uso indevido de gratuidade (idosos e pessoas com deficiência) ou desconto (cartões escolares e universitários).

A câmera do ônibus registra o rosto da pessoa que usa o bilhete único, e a foto vai para uma central de monitoramento. Se as imagens não baterem, funcionários fazem uma verificação manual; caso haja fraude, o cartão é bloqueado automaticamente.

Essa lista está longe de ser exaustiva: há diversas outras cidades que implementaram biometria facial nos ônibus, como Limeira (SP), Uberlândia (MG) e Santa Maria (RS).

Enquanto isso, algumas cidades optam pela impressão digital, o que nem sempre dá certo. Em 2013, a cidade de Teresópolis (RJ) comemorou o fim da biometria nos ônibus: o sistema tinha dificuldade em reconhecer a digital de idosos, causando demora no embarque. O projeto durou menos de dois meses.

O mesmo problema atingiu a cidade de Niterói (RJ), onde o Ministério Público pediu pelo fim da biometria nos ônibus municipais. Os leitores de digitais ficaram desativados por meses, mas voltaram a funcionar em abril – porém apenas para estudantes e portadores de necessidades especiais.

Em Recife (PE), onde há leitor de digitais nos ônibus, os passageiros também reclamam de esperar muito tempo na fila. Mesmo assim, a biometria nos ônibus reduziu as fraudes de gratuidade em quase 30%.

2 comentários:

  1. Do jeito que fortaleza é vai viver dando erro e o cobrador vai ter que checar

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    1. Aqui já tem esse sistema há um bom tempo, e eu nunca presenciei um bloqueio, acho que a "surpresa" do bloqueio vem só depois, (sou cobrador)

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