domingo, 27 de março de 2016

Grandes marcas: O Retorno da Volvo ao Brasil com o B58

Por Fortalbus
Na década de 1970, o Brasil passou por um período de crescimento econômico, fazendo com que representantes da marca viessem ao país realizar um estudo de mercado. Após uma viagem na Via Dutra e na Régis Bittencourt, constatou-se que havia uma carência de veículos pesados para o transporte no país e, que naquele instante a economia favorecia para uma excelente oportunidade para a Volvo se estabelecer em terras brasileiras.

Primeiro tentou-se viabilizar a construção da primeira unidade Volvo na América Latina na cidade de Campinas, já o governo queria descentralizar as indústrias e favorecer o crescimento das demais regiões, indicando assim as cidades de Belo Horizonte ou Porto Alegre para a instalação da empresa. A cidade escolhida foi Curitiba, pela proximidade com o porto de Paranaguá, dos fornecedores de autopeças de São Paulo e de boas escolas técnicas que proporcionaram mão de obra especializada. A construção da fábrica foi iniciada em Outubro de 1977 e concluída em 1979.

Antes mesmo da conclusão da fábrica, em 1978, a Volvo trouxe ao país, duas unidades do chassi B58 articulado, para serem testados no eixo Norte-Sul da cidade de Curitiba. O primeiro chassi a ser fabricado na linha de montagem da Volvo no Brasil foi o B58, dando inicio assim a um novo ciclo no transporte de passageiros no país. O produto era equipado com motor central, instalado entre-eixos, algo novo para as carrocerias brasileiras da época, pois havia assim a possibilidade de um piso interno livre de obstáculos, o motor ficava localizado entre os eixos do veículo, aproveitando melhor o espaço interno e oferecendo assim um conforto maior para passageiros, cobradores e motoristas.

O B58, construído inicialmente na versão 4x2, podia ser usado nas diversas versões do transporte de passageiros, (urbano, articulado, rodoviário médias e longas distancias e fretamento) trazendo inovações nos sistemas de segurança, frenagem e suspensão. Meses depois, após sucessivos testes realizados em Curitiba, a versão articulada começou a ser produzida, transformando-se assim num sucesso para o transporte urbano brasileiro.

Sendo o chassi de vida mais longa da Volvo em produção, a versão B58E foi considerado um aperfeiçoamento do que já era considerado na época um ônibus acima dos padrões brasileiros, tanto que serviu de modelo para o projeto do GEIPOT – Grupo de Estudos da Empresa Brasileira de Planejamento e Transporte, denominado de Projeto Padron, que determinava rigorosas transformações nos ônibus urbanos, aumentando a segurança e o conforto, com inovações como direção hidráulica, suspensão pneumática, iluminação e ventilação interna, largura das portas, bancos e corredores além da altura do veículo em relação ao solo. B 58 é sinônimo de resistência que ainda pode ser facilmente encontrado nas ruas e estradas não só do Brasil, já que foi largamente exportado.

No Ceará, as primeiras unidades chegaram apenas em 1982, com as empresas Brasileiro e Rápido Crateús, ambas encarroçaram seus veículos com a carroceria Diplomata, um dos mais luxuosos daquela época. Os veículos foram comercializados pela Apavel, concessionária Volvo em Fortaleza.

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