segunda-feira, 25 de abril de 2016

Empresas de ônibus "quebram" e outras entregam linhas

Por Walcy Vieira 
Quebradeira de norte a sul, de leste a oeste. É a situação do sistema de transporte coletivo no Brasil. A falta de incentivo, por parte do governo, é apontada pelos empresários do setor como a responsável pela falência de 11 empresas de ônibus no país, nos últimos 12 meses, duas delas (Teresinense e Asa Branca) em Teresina. Outras duas empresas que fazem parte do Consórcio Poty, que opera as linhas de ônibus, estão na “UTI”, podem entrar em falência a qualquer momento. Duas empresas (Emtracol e Emvip), que operavam na zona rural de Teresina, já entregaram as linhas.

A Empresa Teresinense, que há 40 anos operava na capital do Piauí, fechou as portas em maio de 2015. Tinha 60 ônibus. Oito meses depois, exatamente no dia 30 de janeiro de 2016, outra empresa, a Asa Branca, também tradicional no serviço de transporte de passageiros em Teresina, foi obrigada a deixar de operar.

Os empresários do Piauí dizem que operam no vermelho. Mostram que na maioria das capitais os empresários do setor não pagam IPVA na compra dos ônibus, não pagam ICMS do óleo diesel e o poder público ainda ajuda no custeio das meias passagens. Detalhe: a meia passagem em Teresina hoje custa R$ 1,05, a passagem inteira R$ 2,75. A lei determina o pagamento de “meia” passagem para estudantes, em Teresina é menos da metade . O poder público não custeia a diferença. Os custos acabam entrando na planilha e quem paga a conta é o trabalhador, que usa diariamente os ônibus como único meio de condução.

Ainda de acordo com a planilha que se encontra em poder da Superintendência Municipal de Trânsito de Teresina, de cada R$ 100 mil reais apurado em uma empresa de ônibus, 48% é usado para o pagamento de funcionários e encargos, 27% é gasto com óleo diesel, sobram apenas 25% para a compra de peças, pneus, emplacamentos, multas, seguros, renovação da frota e para a manutenção da operacionalidade, como pagamento de energia, água, luz, telefone e mecânica.

As empresas quebradas em 12 meses
Teresinense (em Teresina)
Asa Branca (em Teresina)
Cearense (em Fortaleza)
Grupo Amaral (em Goiânia)
Rápida Araguaia (em Goiânia)
Algarve (no Rio de Janeiro)
Transitoranea (no Rio de Janeiro)
Rio Rotas (no Rio de Janeiro)
Andorinha (no Rio de Janeiro)
Via Rio (no Rio de Janeiro)
Itapemirim (tramitando o processo de fechamento)

Pelo quadro desenhado, os empresários observam que só são poucos (ou quase nenhum) os casos de fechando empresas nos Estados em que os governos estaduais e municipais ajudam desonerando o IPVA e o ICMS do óleo diesel.

Entre as cidades com a liberação do IPVA estão São Luís, Fortaleza, Salvador, Recife, Natal, Curitiba, Florianópolis, Macapá, Porto Alegre, Palmas. Em nenhuma delas fechou empresa de ônibus nos últimos 12 meses.

Com a isenção do ICMS para o óleo diesel, estão Brasília, Manaus, Recife, Fortaleza, Salvador, São Luís, Natal. Nelas, somente em Fortaleza fechou uma empresa, no mesmo período. Nos demais, as mesmas empresas continuam operando.

Em Teresina, as empresas que operam ônibus não recebem nenhum incentivo, acabam repassando todos os custos para o peço das passagens, atingindo diretamente o trabalhador usuário do sistema de transporte coletivo. O agravante ainda na capital do Piauí, é que o estudante paga menos de meia passagem e o valor complementar é distribuído para ser pago por quem anda normalmente de ônibus.

Os números do transporte coletivo em Teresina
Pelo menos 7 milhões de passageiros usam mensalmente o sistema de transporte coletivo de Teresina. Cerca de 1 milhão e 400 mil meia passagens em um mês. Cerca de 5 por cento dos usuários tem acesso ao sistema integrado (pega dois ônibus por o preço de uma passagem).

Tem direito a gratuidade nos ônibus de Teresina, policiais civis, policiais penitenciários, pessoas especiais e acompanhantes, policiais militares fardados, oficiais de justiça, idosos, crianças com até 7 anos de idade. O valor da passagem deles também é distribuída na planilha. Ou seja, é mais um fator que faz encarecer o preço da passagem.

Ninguém mais quer operar ônibus em Teresina
Quando fez licitação para o sistema de transporte coletivo de Teresina, a Prefeitura Municipal mandou convite para várias grandes empresas participarem, mas não apareceram.

Os empresários que ainda estão no negócio são herdeiros ou entraram há mais de meio século. De lá pra cá, somente o empresário João Claudino comprou a Empresa Marimbá. Operou por dois ou três anos, resolveu vender os ônibus e sair do ramo. 

Há cerca de 15 anos, no município piauiense de Parnaíba (litoral do Estado), todas as empresas “quebraram”. Hoje, na cidade só existem vans. Os proprietários se organizam através de cooperativa. 

8 comentários:

  1. É uma vergonha isso! Eu como parnaibano residindo em Teresina sinto uma necessidade extra de transporte público tanto em Parnaíba quanto em Teresina. Sei que estamos "evoluindo", mas a passos lentos... Transporte Público é uma utilidade pública, não é coisa de se jogar fora (infelizmente os empresários daqui do PI pensam ao contrário). Meus parabéns pelo post Fortalbus!

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  2. Tudo isso é para agradecer ao PT,que ajudou muitas empresas a fechar as portas e aumentar o desemprego,e se o proprietário da empresa não tiver a responsabilidade de administrar a mesma corretamente,com essa crise,quebra mesmo!

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    1. Meu amigo não é o PT não é a mau administração ou até mesmo os próprios donos querendo ganhar muito pelo o pouco que oferece.O PT não tem nada ver com isso vai estudar mais kkkk

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    2. Aqui em Fortaleza a prefeitura não é do PT e nem no Rio de janeiro.
      Quem quebra as empresas são as raparigas, os casinos e os donos.
      Hugo se informa primeiro para não fala besteira, um dos donos da Guanabara foi presso hoje.

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  3. 1 - Empresa nenhuma em Teresina quebrou por conta da crise. Teresinense e Asa Branca já vinham capengando há bastante tempo, por absoluta falta de interesse de seus proprietários. Qualquer busólogo em Teresina sabe disso. Aliás, causou estranheza a todos aqui o fato dessas duas mais outras que há anos operam no vermelho (pelos mesmos motivos) terem sido aprovadas e participarem do certame licitatório que elegeu as empresas/consórcios que passariam a operar, ocorrido em 2014.
    2 - O Edital de Licitação não atraiu empresas de fora porque foi totalmente "amarrado" para que só concorressem as empresas daqui. É só lê-lo (e, principalmente, suas erratas) que isso fica bem claro.
    3 - Empresário adora colocar a culpa nos governos por suas incompetências. O povo daqui de Teresina tem mente quadrada e acham que investimento na melhoria da qualidade do serviço é gasto. Vide a polêmica com relação ao ar-condicionado. Foi preciso uma empresa operar através de liminar na linha Teresina X Timon pra que eles dessem o braço a torcer.

    Por essas e outras, essa matéria clipada pelo Fortalbus não passa de coisa tendenciosa e muito suspeita. Não é culpa do Fortalbus, mas da reportagem inicial.

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    1. EU GOSTAVA TANTO DA ENPRESA ASA BRANCA QUE EU CONPREI TODOS OS ONIBUS DA ENPRESA asa branca e estou fazendo manutenção em todos onibus e vou colocar a enpresa pra funçionar em 2017 a inALGURACÃO VAI SER DIMAS
      .AINDA BEM QUE EU TENHO CONDIÇOES FINANÇEIRAS PRA MANTER A ENPRESA DE PÉ .A MINHA ENPRESA VAI TAMBEM TER ONIBUS COM ARCONDICIONADO E OS ONIBUS QUE JA TAVAM DOU MINHA PALAVRA

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