terça-feira, 17 de maio de 2016

A breve passagem dos veículos trólebus na frota da CTC

Por Fortalbus
Os ônibus elétricos surgiram no Brasil no ano de 1949 na cidade de São Paulo. Vários sistemas foram criados entre as décadas de 1950 e 1960 em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Niterói, Salvador, entre outras, sendo a maioria destes extintos até o início da década de 1970.

Nos anos 1960, Fortaleza teve em suas ruas um tipo de transporte coletivo alternativo aos bondes e aos ônibus, os tróleibus, espécie de combinação dos dois modelos anteriores. Dos bondes, tinham a alimentação por rede elétrica aérea, e dos ônibus, a flexibilidade de não usar trilhos e o uso de pneus.

Os elétricos também tiveram uma breve passagem, sua implantação foi incentivada graças à proposta da SUDENE, no inicio da década de 1960, em implantar o sistema em várias capitais do nordeste. Os trólebus da capital cearense eram da marca Massari/Villares, de fabricação nacional e pertenciam a CTC, Companhia de Transportes Coletivos, fundada em setembro de 1964 especialmente para regulamentar o serviço de transporte do município e gerenciar a rede dos ônibus elétricos.

Em 1965 foi assinado o contrato pelo prefeito Murilo Borges para a compra da rede aérea e subestações das linhas de ônibus, assim como a concorrência para o fornecimento dos veículos. No mesmo ano foi levantado o primeiro poste para os cabos elétricos na Praça do Carmo. Em janeiro de 1966, os três primeiros ônibus elétricos desciam das carretas que os trouxeram de São Paulo.
Inauguração dos ônibus elétricos em Fevereiro de 1967 (Foto: Jornal O Povo)
Vários empecilhos adiaram a inauguração dos ônibus elétricos na capital cearense, entre eles a importação de uma subestação transformadora da Suíça e débitos da firma instaladora da rede aérea com o fisco estadual. Em janeiro de 1967, os veículos começaram a rodar ainda em caráter experimental.

Finalmente em fevereiro de 1967, os trólebus foram inaugurados, inicialmente sete veículos foram colocados em circulação. A primeira linha ligava a Praça do Carmo ao bairro de Parangaba, despertando a curiosidade de muitos passageiros, que faziam fila para andar nos confortáveis ônibus de 12 metros de comprimento. O itinerário percorria avenidas como Duque de Caxias, Tristão Gonçalves, Carapinima, 13 de Maio, Visconde do Cauipe, João Pessoa e General Sampaio até a Praça do Carmo. Em março de 1967 foi inaugurada a linha do bairro São Gerardo. Ainda naquele ano foi entregue a linha que cobria toda a extensão da Avenida Bezerra de Menezes.

O quadro de funcionários que trabalhavam nos veículos eram cuidadosamente selecionados pela Companhia de Transporte Coletivo, motoristas e cobradores eram submetidos a cursos de relações públicas e humanas, além de saber lidar com os complexos cabos, lanças e outros. A novidade traria uma possível solução para os problemas de transporte na cidade.

Logo nos primeiros meses de operação, os elétricos já apresentavam prejuízos a prefeitura, que não teria condições de ampliar ou renovar a frota, cogitando a venda para a cidade do Recife. Mesmo sendo ameaçado de extinção, a Prefeitura pretendia ampliar o sistema de ônibus elétrico pela cidade. Em 1969, a CTC inaugurou uma linha circular em caráter experimental, interligando os bairros de Antônio Bezerra e Parangaba, passando pela Praça do Carmo.
Ônibus Elétrico em Fortaleza. (Foto: Jornal O Povo)
O terminal da Praça do Carmo tinha a localização desprivilegiada para os usuários que se dirigiam ao centro da cidade, desta forma, os elétricos perdiam passageiros para os ônibus tradicionais, que paravam na Praça José de Alencar, ponto estratégico do centro. Os Trólebus deixavam assim de transportar uma capacidade maior de passageiros.

Visando reverter o quadro de inviabilidade dos ônibus elétricos, a Prefeitura criou maneiras de injetar recursos na CTC, criando uma taxa de 10% na renda líquida das empresas de ônibus, abrindo novas concorrências para linhas e aumentando a apreensão de veículos velhos. A insatisfação das empresas de ônibus criou um clima nada agradável entre empresários e Prefeitura.
"Elétricos saem e Diesel chegam" Jornal O Povo, dezembro de 1971
A extensão total do sistema atingiu 12 km de rede elétrica, distribuída em 2 linhas. O encerramento do serviço se deu devido à pouca rentabilidade que os trajetos percorridos proporcionavam, além dos prejuízos de operação e manutenção dos veículos. Em 1971, os trólebus foram vendidos à CMTC de São Paulo, onde rodaram até meados de 1987. A CTC permaneceu operando em linhas urbanas apenas com ônibus movidos a diesel.

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