segunda-feira, 9 de maio de 2016

Problemas nos terminais de ônibus em Fortaleza ainda persistem, após duas décadas

Por João Lima Neto
O primeiro terminal de ônibus de Fortaleza foi construido em julho de 1992, no bairro Messejana. Em 2016, o equipamento completa 24 anos e somente agora irá receber sua primeira reforma, conforme informou Antônio Ferreira Silva, vice-presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor). Os demais terminais, construidos entre 1993 e 1995, vem recebendo pequenas intervenções. Problemas de duas décadas ainda persistem como superlotação, atrasos de linhas e má estrutura das plataformas.

A situação não é uma particularidade do Terminal de Messejana. Quem percorre os terminais da Parangaba, Lagoa e Siqueira encontra dificuldades no sistema de transporte, além de crianças comercializando bombons, chocolates e pastilhas. Na bilheteria, usuários também vendem vale-transporte eletrônico, o que é considerado crime. A reportagem percorreu de manhã e na madrugada, durante uma semana, os sete terminais e identificou os problemas mais evidentes em cada um deles.

O Terminal da Parangaba é o espaço mais deteriorado pelo tempo. A escadaria, que possui 23 anos, está com degraus desgastados, além de parte deles sustentados por escoramentos de madeira. Conforme os donos dos boxes, as instalações elétricas do piso superior apresentam falhas e fios expostos, além de boa parte do teto estar com estrutura enferrujada. O que mais chama atenção são infiltrações que saem de dentro das lâmpadas e empossam por todo andar. Os usuários que utilizam a escada dividem espaço com os operários que estão realizando a reforma da escada. De acordo com o vice-presidente da Etufor, a intervenção não apresenta riscos aos usuários. "Reforma traz transtornos. Pedimos desculpas para a população de Fortaleza", ressalta o gestor. De meia-noite até 6h da manhã o movimento é de trabalhadores de shoppings e restaurantes, além dos boxes em funcionamento. Leila Menezes, 28, caixa de shopping, sai do trabalho na madrugada. "Preciso ficar esperando um Corujão, entre o Parangaba e o Papicu, pois não existe uma linha direta que passe na minha rua", reclama a usuária.

O Terminal do Siqueira é um dos locais em que ainda é possível encontrar crianças vendendo alimentos. Durante a visita ao terminal, na última semana, foram encontradas duas crianças vendendo pastilhas e chocolates. Ao perceber a presença da reportagem, alguns adultos tomaram os produtos e se esconderam no banheiro do terminal. No mesmo ambiente existem cabines da Guarda Municipal e da Polícia Militar (PM), mas ambos não fizeram nada.

Em Messejana, o problema começa do lado de fora. Os usuários que chegam às 6h precisam enfrentar uma 吹la enorme para pagar a passagem. Júnior Farias, 23, afirma que perde cerca de 40 minutos. "Só tem uma pessoa pra atender todo mundo.

"Poucos usam a fila do bilhete eletrônico. Chego atrasado e minha frequência na faculdade está prejudicada por conta disso", conta o estudante. Quem pega ônibus no Terminal da Lagoa, encontra áreas isoladas por algumas reformas, no banheiro e outra em uma das plataformas. Durante as intervenções, os funcionários limpam com água a poeira, mas esquecem do cuidado com a fiação elétrica dos equipamentos das intervenções.

Melhorias
A situação estrutural é diferente nos terminais do Antônio Bezerra, Conjunto Ceará e Papicu. Dos passageiros se ouve elogios das reformas, mas a reclamação de atraso e superlotação nos horários de pico ainda é a mesma. Sobre os problemas estruturais encontrados nos terminais, o vice-presidente da Etufor informou que, até o dia 30 de junho, serão entregues as 'mini-reformas' que estão sendo realizadas. "A Prefeitura está instalando painéis de previsão de chegada dos ônibus, rede wi-fi gratuita e uma estante de livros chamada de Terminal Literário, projeto de compartilhamento coletivo de livros que será instalado em todos os sete terminais", pontua.

Quanto às crianças encontradas vendendo produtos, o gestor afirma que "eles não devem estar passando pela bilheteria do terminal. Eles estão entrando em linhas de fora como passageiros. A empresa que está cuidando da gestão dos terminais (Socicam) está cuidando disso. Se existem crianças vendendo produtos é um número muito pequeno", avalia.

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