quarta-feira, 15 de junho de 2016

Sem verba, construção de mais três BRTs prometidos não tem data para ocorrer

Replicar o modelo de corredor expresso adotado em 2015 na Av. Bezerra de Menezes em outros quatro trechos de Fortaleza para priorizar o transporte coletivo. Esta ação idealizada pela Prefeitura e aprovada pelo Governo Federal chegou a ter a garantia da verba anunciada em agosto de 2014 pelo Município. Porém, após um ano e nove meses, não há obras, nem dinheiro federal liberado. A expansão do modelo do BRT (Bus Rapid Transit) em três, dos quatro, corredores na Capital não tem sequer perspectiva para ocorrer.O formato adotado na Av. Bezerra de Menezes – com paradas no canteiro central em formato convencional e de estações e faixas segredadas para ônibus -, segundo a gestão municipal, já deveria ter começado a ser reproduzido na Av. Perimetral/Juscelino Kubitscheck, na Augusto dos Anjos/José Bastos, no Primeiro Anel Expresso – que ligará o Mucuripe à Av. Castelo Branco (Leste-Oeste) através de um arco viário na área Central – e na BR-116/Aguanambi.

Dos trechos projetados para receber os BRTs, apenas a Av. Aguanambi teve os trabalhos iniciados, em janeiro deste ano, e ainda com verbas financiadas por outra fonte que é o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O projeto custará ao todo R$ 220 milhões, sendo R$ 95 milhões já garantidos para a Aguanambi e R$ 125 milhões ainda a serem negociados para a execução das obras na BR-116.

Trâmite
“Nós apresentamos os projetos e o Governo Federal os incluiu no PAC da Mobilidade. Metade dos recursos eram a partir de financiamento com o aval da União e a outra era com dinheiro do próprio Orçamento Geral da União. Mas, desde o início de 2015, houve uma estagnação de todos os projetos e nenhum contrato foi assinado”, explica o titular da Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf), Samuel Dias.

O gestor afirma que nenhuma garantia da União foi dada até agora e que “a piora do cenário da economia nacional não traz boas expectativas em relação a esses projetos”. Conforme Samuel, não há perspectiva “firme de início dessas obras em Fortaleza”. A soma dos valores para custear as quatro intervenções chega a R$ 949 milhões.

Ainda segundo Samuel, além da Av. Aguanambi – que receberá estações semelhantes a da Bezerra de Menezes, sendo uma faixa de cada lado destinada à circulação exclusiva de transporte coletivo – e tem prazo de entrega para o segundo semestre de 2017, ficando remanescente as intervenções na BR-116, o corredor Augusto dos Anjos/José Bastos, já caminhou minimamente e foi licitado. Porém, as obras não têm data para acontecer.

Avaliação
Instalado desde julho de 2015, o BRT da Bezerra é considerado pela gestão municipal um “modelo exitoso”. Segundo a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) trafegam pela via 20 linhas urbanas. O número de veículos que circula pela avenida diariamente é 55.800, conforme a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC).

Na via, em que o BRT tem 11 estações e se estende por 8,2km, alguns conflitos entre modais e pedestres ainda são notórios. Em visita ao local, nesta semana, a equipe do Diário do Nordeste presenciou situações de perigo, como pedestres circulando pelo corredor segregado para ônibus e também pela ciclovia.

Nas estações, os relatos dos usuários entrevistados garantem que a estruturação do BRT melhorou a circulação e o tempo de deslocamento. Porém, cobranças ao poder público ainda são feitas por orientação quanto ao uso do espaço. Com a mudança, o ideal é que o fluxo de pessoas aconteça nas calçadas, sendo orientada a travessia rumo às estações somente pela faixa de pedestre e sem circulação de passageiros pelo canteiro central.

A redução do tempo de viagem na via, conforme o vice-presidente da Etufor, Antônio Ferreira, foi apontada como satisfatória por 79,43%, dos 1.152 passageiros entrevistados pela Etufor em outubro de 2015. A implantação do corredor na Bezerra, de acordo com ele, resultou no aumento da velocidade média dos coletivos de 12km/h para 23km/h, atualmente.

Replicar este modelo na Capital que tem 1,1 milhão de usuários de ônibus diariamente, é estratégico, explica Ferreira. Isto porque, conforme ele, o “transporte coletivo hoje ocupa apenas 20% do transporte viário da cidade e transporta 80% da demanda. O inverso ocorre com os veículos particulares”. A ideia, explica Ferreira, “é seguir a mesma linha da Bezerra nos demais projetos de BRT em Fortaleza”.

O programa de faixas exclusivas para transporte coletivo, que começou a ser implantado de forma mais contínua em Fortaleza em julho de 2014, tem rendido o aumento médio de velocidade dos ônibus, em alguns casos, em até mais de 100%. A informação é do engenheiro da Prefeitura e técnico do Plano de Ações Imediatas de Transporte e Trânsito de Fortaleza (Paitt), Ezequiel Dantas. Ele acrescenta que, atualmente, a Capital tem cerca de 96km de faixas do tipo.

Conforme o engenheiro, as faixas já implantadas em avenidas como Carapinima, Antônio Sales, Domingos Olímpio e Santos Dumont, além de impactarem na redução do tempo de viagem e no aumento da velocidade dos coletivos, ajudam a diminuir os “links críticos”, que são trechos compreendidos entre dois pontos de parada onde a velocidade dos coletivos é de apenas 5km/h. “Em todas as vias que recebemos, nós aniquilamos 100% desses links críticos e geramos rapidez”, garante.

Para Ezequiel, o impacto da faixas, distintas do sistema de BRT por, dentre outros motivos, não terem uma segregação física, “é sentido diretamente no cotidiano dos usuários”. A meta da Prefeitura é ampliar de 96km para 135km as faixas exclusivas até o fim de 2016.

Critérios
Ezequiel explica que, em tese, “qualquer via pode receber uma faixa do tipo”. Mas, em Fortaleza, foram adotados alguns critérios para a execução desta iniciativa: a via deve ter três ou mais faixas de tráfego, apresentar alta demanda de transporte público, constantes congestionamentos e grandes atrasos dos coletivos.

A exceção do critério de ter três faixas ou mais é a Rua Padre Valdevino, que desde novembro de 2015, opera com uma faixa exclusiva. “Mas nesse caso tivemos que fazer um projeto paralelo para escoar o fluxo nas vias paralelas”, acrescenta.

O engenheiro garante que locais que têm paradas muito lotadas, desde que disponham de estrutura, podem ser escolhidas para a instalação do BRT, pois, o sistema, devido às estações elevadas e à incorporação de ônibus articulados, garante rapidez no embarque e reduz a lotação.

O BRT da Bezerra “funciona de forma muito eficaz e as faixas são soluções positivas”, na avaliação do engenheiro civil e professor do Departamento de Engenharia de Transporte da Universidade Federal do Ceará (UFC), Mário Azevedo. Para ele, essas iniciativas, diante da limitação orçamentária, por exemplo, para a execução de metrô, “são boas soluções de conforto e rapidez no transporte público”

O professor defende ainda que o sistema de BRT, no Brasil operado também em cidades como Rio de Janeiro e Curitiba, é bastante utilizado “ao redor do mundo”, sendo uma maneira organizada de fazer fluir o tráfego.

Diferenças
BRT – No modelo de Trânsito Rápido para Ônibus, do inglês “Bus Rapid Transit”, o corredor junto ao canteiro central é exclusivo para transporte coletivo. Há separação física das demais faixas

Faixa exclusiva  - Há sinalização horizontal e vertical que indica prioridade de tráfego para o transporte coletivo, mas há permissão para entrada de outros veículos na faixa para, por exemplo, realizarem conversões

Ganho de velocidade dos ônibus após o BRT e as faixas

Av. Bezerra de Menezes – 91%
Av. Santos Dumont – 109%
Av. Dom Luís – 144%
Av. Carapinima – 119%
Av. Da Universidade – 69%
Av. Domingos Olímpio – 42%
Com informações: Diário do Nordeste

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