segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Viagem nas Cores dos ônibus de Fortaleza ao longo das décadas

Por Fortalbus
Basta dar uma olhadela nas fotografias que os donos de ônibus apresentavam ao governo nos processos de autorização, para que se perceba que, até pouco tempo atrás, o Ceará era um verdadeiro arco-íris de transporte.

Os mistos eram os mais coloridos: com as carrocerias construídas pelos próprios motoristas, a mistura de tintas era do gosto de cada um. Às vezes, o mesmo caminhão era pintado de cor-de-rosa, verde, amarelo e azul. Fora isso, uma imensidão de penduricalhos, santinhos, cartazes e de toda a tralha de enfeites dava ainda mais cor ao carro. É possível que a chegada dos mistos agitasse os povoados do interior justamente por causa do escarcéu de cores que contrastava com a monotonia amarela do sertão.

Mesmo na cidade grande, o colorido dava o tom. Em 1948, quando a Empresa São Jorge inaugurou seus ônibus amarelos na base vermelha, sem querer, estava dando a Fortaleza um símbolo que ficaria marcado na memória das pessoas. Tempos depois, a cidade foi tomada pelo verde-branco da Autoviária São Vicente de Paula e da Angelim, pelo alaranjado da São Francisco, o estranho vermelho-e-preto da Gerema, o vermelho-amarelo da Nossa Senhora da Salete e muitos outros.
Dodge 1949 da Empresa São Jorge (Acervo)
Nos pontos, os passageiros esperavam que as cores do seu ônibus aparecessem no emaranhado urbano, descobrindo de longe a hora de subir. Não precisavam ler painéis nem decorar números de linhas. Podiam reclamar das empresas, não do sistema de transporte, porque sabiam muito bem quem servia ao seu bairro.

Parece que isso não agradava muito aos fazedores das cidades-padrão. Os esforços dos prefeitos para deixar o transporte público de Fortaleza todo igualzinho remontam há décadas. A experiência mais marcante foi a criação da CTC em 1964, que seria o modelo para toda a cidade, começando pelos amarelos dos elétricos e passando pelo branco-e-azul dos ônibus comuns.

Mas foi só em 1992, com o SIT-For, que o ar de Fortaleza começou a se tornar branco, azul e vermelho. O Sistema Integrado, além de lançar os sete terminais e a tarifa única, deixou os ônibus da cidade com as mesmas cores.

Em 2000, as duas setas azuis e vermelhas na lateral ganharam curvas e a base da pintura virou azul clara. Era a nova "comunicação visual" da Prefeitura. Segundo a ETTUSA, Fortaleza tinha então 218 linhas e 1.660 ônibus.

É claro que demorou para que as empresas pintassem seus ônibus do jeito que a prefeitura queria. Na São José de Ribamar, por exemplo, alguns ônibus permaneceram verde-amarelos. Os moradores do bairro de Fátima e das proximidades servidas pela empresa pegaram ônibus diferentes por muito tempo. E quando a São José de Ribamar deixou de funcionar, foi a falta do verde-amarelo que tocou os passageiros.

Para o pessoal da cultura, a cidade perdeu uma parte de sua cor. Ônibus coloridos são parte afetiva da paisagem urbana, que faz com que gostemos cada vez mais da nossa terra. Talvez, se os ônibus da São José de Ribamar tivessem a pintura padrão da prefeitura. não deixariam tanta saudade...

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