quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Comil Ônibus pede recuperação judicial para sair da crise

Após ajuizar pedido de recuperação judicial, advogados representando a Comil, anunciaram em entrevista coletiva, uma dívida de R$ 430 milhões e prazo para apresentar plano de recuperação. Os advogados Dárcio Vieira Marques, Álvaro Marques e Cláudio Botton foram os responsáveis por comunicar e esclarecer questões referentes ao pedido de recuperação judicial da empresa. 

Segundo o advogado, Dárcio Vieira Marques, o despacho referente ao pedido ajuizado pela Comil deve ser deferido. Ainda segundo ele, esta é a maior crise já vivida no meio empresarial, que atinge empresas de renome, e faz com que as mesmas demitam em grande número. “Coube a nós ver qual o caminho mais adequado, e pensamos que a recuperação judicial seria o melhor para a empresa”, disse.

Ainda segundo Marques, o passado da empresa fica atrelado à recuperação judicial, incluindo os passivos trabalhistas, sejam eles rescisões realizadas ou atrasos salariais antes desta data, inclusive de funcionários ativos “Com isso a empresa tem 60 dias para apresentar um plano financeiro e operacional, para saber como vai enfrentar esse passivo”.

Dárcio destacou que é preciso adequar o plano de pagamento à capacidade real da empresa. “A Comil relutou até o último minuto para evitar essa situação. O mercado esta muito ruim, e se você não tem o dinheiro para os insumos necessários, se torna difícil cumprir os contratos. A recuperação te da à possibilidade de estender prazos de pagamento, eliminar juros e pode até haver uma redução da dívida”.

Segundo Dárcio Marques a necessidade de novas demissões só será avaliada dentro do plano de recuperação judicial, “Infelizmente hoje, a justiça do trabalho tem que entender que não adianta afogar a empresa. Tem que dar condições para que ela se recupere de um momento difícil. As empresas relutam em fazer demissões, mas se você não tem dinheiro para pagar, vai fazer o que com os funcionários” questiona Marques.

Segundo informações repassadas na coletiva, a dívida da Comil é de R$ 430 milhões e ainda não foi definido qual prazo será solicitado pela empresa para o pagamento deste passivo, “As dividas trabalhistas que integram este montante, constarão no plano de recuperação judicial, portanto teremos até 60 dias para ter resposta quanto a esse acerto.”

De acordo com Álvaro Marques, a Comil esta tomando as providências necessárias para liberação do fundo de garantia dos trabalhadores e alvará para encaminhamento do seguro de desemprego para amparar os mesmos. “Os créditos trabalhistas têm prioridade para pagamento e devem ser feitos em prazo reduzido”.

Dárcio Marques, admitiu que as dívidas da empresa são fundamentalmente com instituições financeiras e que a instalação da fábrica da Comil em Lorena/SP foi um erro, “Não foi uma boa decisão priorizar Lorena, e não foi um bom projeto, tanto é que a empresa desativou a unidade que só estava dando prejuízo. Empresário erra, se não errasse seria um Deus”.

A partir do deferimento do pedido de recuperação judicial a empresa terá 60 dias para entregar a documentação contendo o plano de recuperação judicial.

No mesmo horário que os advogados da Comil apresentavam informações sobre o pedido de recuperação judicial, os funcionários demitidos realizavam no Sindicato dos Metalúrgicos para definir novas ações em busca de seus direitos.

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