quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Pesquisa revela avaliação dos ônibus por usuários de Fortaleza

O que o usuário do transporte público de ônibus mais quer? Segurança, conforto ou wi-fi? Nenhuma das anteriores. Confiabilidade e garantia de que vai chegar ao destino no horário previsto são os itens mais importantes no Brasil e nos Estados Unidos, por exemplo. É o que apontam pesquisas nacionais e internacionais cruzadas pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), conforme revelou André Dantas, diretor-técnico da entidade.

 O segundo item mais importante varia conforme o estudo e o lugar. No Brasil, é o atendimento, seguido da conservação do ônibus, conforme pesquisa realizada pela própria NTU e pela Unioeste, no Paraná. Nos Estados Unidos, vem em segundo lugar o abrigo de espera do transporte e depois a taxa. Ainda nos Estados Unidos, a capacidade de resolver problemas que retardem a viagem, seguido da melhoria da experiência dos passageiros são outros quesitos que vêm depois em ordem de relevância.  Os dados são Conselho de Pesquisa e Transporte, ligado ao governo dos Estados Unidos, e do Instituto de Políticas de Transporte, também norte-americano.

 “Muitas pesquisas mostram que o mais importante pro usuário do transporte público no mundo é a confiabilidade. É saber que vai sair num determinado horário e vai chegar no horário previsto. Saber que a viagem leva a quantidade de minutos que ele confia. Depois, vêm todos os atributos de conforto e segurança. Curitiba, por exemplo, tem uma via exclusiva, tem prioridade, mas não tem ar-condicionado e outros atributos”, ressalta. A temperatura média da cidade é de 16,5° C. A máxima chega a 22° C.

 A auxiliar administrativa, Thais Santiago, 27, vai trabalhar todos os dias de ônibus. Toma um na ida e dois na volta. Mora no bairro Jardim das Oliveiras e trabalha no bairro Papicu. Leva 40 minutos na ida. Tem um carro em casa, mas a logística melhor é deixar o veículo com o marido. “O ruim pra mim é apenas que são poucos serviços de ônibus no meu bairro e os ônibus demoram muito para passar. Mas não é lotado, todo dia vou ao trabalho sentada e já têm ônibus com ar-condicionado”, relata.

Queda da demanda
Thais não trocaria o ônibus pelo carro atualmente, já que está bem empregada e com certa estabilidade. Mas a demanda por ônibus está caindo, também em função da situação econômica desfavorável. O diretor da NTU ressalta que a crise do transporte público está agravada.

 Em Fortaleza, no segundo semestre de 2015, houve uma baixa de 6,8% na demanda de ônibus. Em nove capitais do País, a queda foi de 9%. “Desde 2015, a altíssima taxa de motorização individual, aliada a desaceleração econômica, contribuiu para que isso ocorresse. Em relação ao índice de passageiros por quilômetro equivalente (IPKe), principal indicador de produtividade do setor, a diminuição foi de 9,6%”, lamenta André.

 Contribuem com esta crise a alta de 10,7% no custo do óleo diesel, que representa 23% do custo total do setor. A mão de obra, que representa 41% dos custos, o aumento foi de 6,8% nos últimos 12 meses. Com tudo isso, foi necessário reajustar as tarifas públicas praticadas nas principais cidades brasileiras.

Ar-condicionado
Até 2020, a estimativa é de que toda a frota de ônibus de transporte público de Fortaleza tenha ar-condicionado embarcado. A determinação é da Prefeitura de Fortaleza. Estudos locais apontam como um item importante para o passageiro. Conforme o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), Dimas Barreira, o ar-condicionado e as tecnologias para o Bilhete Único estão pesando na conta das companhias.

 “O setor está enfrentando uma queda abrupta na demanda desde a metade do segundo semestre de 2015 e isso tem dificultado muito os investimentos. Empresas de transporte precisam manter política rígida e contínua de investimentos para manter os custos operacionais e a qualidade operacional sob controle”, analisa Dimas.

 Segundo ele, a Prefeitura cumpre o contrato de concessão à risca. A maior dificuldade é a necessidade de investimentos pesados. “Supomos que esta queda de demanda seja consequência da crise econômica, pois é um fenômeno nacional que está colocando o setor em xeque. Há muita dificuldade financeira por parte das empresas neste momento e estamos trabalhando para encontrar maneiras de recuperar a demanda”.
Com informações de Andreh Johnathas, especial do Jornal O Povo

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