segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A evolução dos micro ônibus no transporte coletivo de Fortaleza

Por Fortalbus
Diante da evolução das carrocerrias aliado a soluções encontradas para o transporte coletivo nos grandes centros urbanos, o microônibus se popularizava na década de 1970 como uma alternativa a ser considerada, pois algumas das maiores capitais do Brasil já começavam a integrar estes veículos em sua frota de ônibus convencional.

Em Fortaleza, a idéia de implantar um sistema parecido com as cidades que já tinham experiência, ganhou expressão quando em 1974, a Mercedes-Benz em parceria com a Caio, lançou um modelo na capital cearense. Uma das finalidades da Prefeitura era implantar uma opção para o fortalezense da classe média, substituindo o táxi por este tipo de transporte, pois os micros apresentariam conforto e rapidez circulando nos moldes dos ônibus circulares, tudo isso por uma passagem única de valor diferenciado.
Centro de Fortaleza - Década de 70
Na carência dos táxis e também com o apoio à campanha governamental no sentido de poupar gasolina em todo o país, a vinda do microônibus era esperado como algo inovador e necessário. Cada empresa poderia ter até 20 por cento de sua frota composta de micros, porém, o projeto dependia da aprovação na Câmara Municipal.

Divergências de opiniões foram expostas. Entre elas, a possibilidade dos empresários retirarem os ônibus comuns de circulação, substituindo-os para obter maior lucro, a vista que as passagens seriam mais caras, prejudicando assim a classe estudantil, que não teria direito a meia passagem.

Outros acreditavam que iria melhorar a situação para os usuários que moravam em bairros distantes do centro, uma vez que o transporte da capital era tido pela população como ineficiente. Por fim, estava aberta uma polêmica a cerca do assunto, apostar no microônibus ou conscientizar os empresários de aumentar suas frotas com os ônibus comuns.

Em 1976, estava aberto novamente o debate, o projeto complementar dos microônibus ainda despertava resistências. A cidade do Rio de Janeiro já adotava o chamado “frescão”, utilizado por quem desejava maior conforto evitando o tradicional ônibus lotado, evitando assim, congestionamentos pela presença de carros particulares nas ruas.

Um projeto que pretendia implantar os micros na zona leste de Fortaleza, região onde predominava a população que utilizava o carro particular em direção ao centro, foi concluído no ano de 1979. Seriam empregados 28 ônibus seletivos, com capacidade para apenas 18 passageiros, que contariam com o conforto das poltronas reclináveis. Porém, o projeto esbarrou num impasse criado pelos vereadores que se mostraram contrários à não cobrança de meia passagem nesses ônibus, na verdade um pretexto para não introduzir o sistema na cidade.
Mais tarde, as linha do Top Bus foram concedidas à Viação Urbana
Em 1983, a Empresa Muribeca Idealtur colocou a disposição dos passageiros que chegavam ao Aeroporto de Fortaleza, microônibus com ar condicionado para realizar o translado até a zona da praia, aldeota e seus respectivos hotéis. O primeiro serviço “frescão” da cidade foi autorizado pela Infraero, e não tinha ligação com as linhas convencionais.

Quatro linhas deveriam finalmente sair do papel em 1984, entretanto, mais uma vez o projeto popularmente conhecido como “frescão”, esbarrou na polêmica meia-passagem e do não acordo entre os empresários de ônibus em investir na exploração de linhas executivas. Inicialmente, estas linhas iriam atender o bairro da Aldeota e região da Avenida 13 de maio, onde todas teriam terminais no centro da cidade.

No começo da década de 1990, o fluxo intenso de veículos comprometia a mobilidade da cidade, fazendo com que a Secretaria de transportes repensasse mais uma vez no microônibus seletivo. Em 1992, uma pesquisa junto à população demonstrou a viabilidade econômica da implantação de seis linhas, oriundas da Aldeota, Iate Clube-Aeroporto, Bairro de Fátima, Parquelândia e Parangaba.

Finalmente, as linhas executivas foram implantadas em setembro de 1994, após concorrência pública da Prefeitura de Fortaleza, porém o serviço era realizado com ônibus rodoviários da Expresso Guanabara. Inicialmente 3 linhas atendiam o bairro da aldeota, partindo da Praça do Ferreira, no centro, em direção ao Shopping Iguatemi. O serviço denominado pela Empresa como Top Bus, só adotou microônibus executivo três anos mais tarde. Aos poucos, a população trocava o carro particular pelo transporte diferenciado.

Em 1997, o transporte alternativo por vans ainda não regularizado, concorria diretamente com os ônibus de linhas urbanas. Durante uma greve em maio daquele ano, um protocolo assinado entre o prefeito Juraci Magalhães e os empresários, comprometia a Prefeitura em retirar o transporte alternativo da cidade e o Sindiônibus a fazer uma série de melhorias no sistema, entre elas, a aquisição de 100 microônibus.

Em agosto de 1997, foram apresentados os primeiros microônibus do sistema urbano, que seriam distribuídos inicialmente em 11 linhas da cidade. Os veículos padronizados na cor vermelha eram equipados com televisão, capacidade para 26 passageiros e controle do pagamento de passagem feito pelo próprio motorista. As primeiras unidades adquiridas pelas empresas foram do modelo Senior GV com chassis Mercedes-Benz LO-814, a Via Urbana adquiriu o maior lote, 10 unidades.

O transporte alternativo por vans foi regularizado no final de 1997, porém, os micros iniciaram as operações apenas em 1998. A Empresa Santa Maria apostou nos micros, adquirindo no ano seguinte veículos equipados com ar condicionado.

As Empresas Rota Sol e Irmãos Bezerra também adquirem microônibus equipados com ar, oferecendo mais conforto aos passageiros em resposta as vans do sistema alternativo. O valor da passagem era o mesmo dos ônibus convencionais.

Em 2000, a Maraponga inclui micros em sua frota, e a partir do ano seguinte, mais empresas adquirem os veículos, sendo a Via Urbana a primeira a utilizar micros com duas portas, entretanto, o sistema continuava sem a figura do cobrador.

A duplicidade de funções do motorista causou polêmica nos primeiros anos de operação dos microônibus, fazendo com que o Sindicato se colocasse contra o sistema. Entre as desvantagens, estava a diminuição dos postos de trabalho, acúmulo de funções, não adaptação de alguns profissionais a dupla atividade e até mesmo a utilização desses veículos em linhas corujão. Uma regra básica de circulação no trânsito era desrespeitada, o condutor tiraria as mãos do volante com o veículo ligado para realizar outra atividade, desviando a atenção, podendo assim, causar riscos de acidentes.

A frota de micros cresceu, em 2003 já representavam 8% do total da frota de coletivos, operando em 25 das 223 linhas existentes na época, representando 11% das rotas da capital. O principal fator da implantação dos micros em linhas menores e de pouca demanda, era o maior conforto para o usuário, a rapidez no deslocamento pelo tamanho do veículo e a realização do percurso em menor tempo.

Em 2006, a Via Urbana mais uma vez saiu na frente e adquiriu os primeiros “micrões” da cidade, um veículo com chassi de ônibus convencional curto. O modelo bem mais espaçoso e com assentos confortáveis seriam mais tarde adquiridos também por outras empresas do sistema.

Em 2009, os micros também ganharam acessibilidade com a inclusão do elevador para cadeirantes, e em 2010, o modelo Senior adquirido pela Via Urbana, traz a porta de desembarque entre-eixos, como os “micrões” já existentes na frota da cidade.

Com o passar dos anos, os micros ônibus foram fazendo parte do transporte coletivo de Fortaleza, como uma forma de atender com mais agilidade, algumas linhas de baixa demanda e operações relacionadas ao transporte alternativo. Hoje a cidade se adaptou a este modelo de veículos, estando presente na cidade com maior frequência sem deixar a qualidade decair.

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