domingo, 18 de dezembro de 2016

Expresso Queiroz: O pioneirismo de um cearense que venceu longe de sua terra

Por Fortalbus
É evidente que quando se fala no transporte de passageiros no Ceará, sempre relatamos a trajetória de pioneirismo das Empresas de ônibus que operam no nosso Estado. Mas já dizia o ditado que cearense é um empreendedor em qualquer lugar do Brasil e do Mundo. O exemplo de hoje, é de um cearense que foi ganhar a vida no ramo de transportes de passageiros bem longe do Ceará, o que dignifica ainda mais sua história diante das tamanhas adversidades.

Loureiro Pereira de Queiroz, um Cearense de Senador Pompeu, nascido em 1914, foi construir sua história em Campo Grande, ainda muito jovem, para sua auto realização e independência, depois de uma luta constante, para ajudar seus pais, na árdua lavoura do Nordeste.

Homem de larga visão de negócios, não se intimidou com as dificuldades e precariedades próprias da época que teria que enfrentar, isto é, pela região que nada possuía em estradas, com rios transpostos em perigosíssimas pontes de madeira. 

Fez do Sr. Loureiro, um pioneiro, entregando-se de corpo e alma na grande e decisiva batalha de sua vida, acreditando na garra, esperança e otimismo, além da coragem no seu trabalho, e apostando sempre no desenvolvimento e progresso da região que escolhera, para o tão sonhado empreendimento.

Além de não existir na época nenhuma Lei regulamentadora, para os serviços de transporte de passageiros, procurou regularizar as suas linhas, implantando desta forma oficialmente, a “Empresa de Transporte Intermunicipal de Passageiros Loureiro Pereira de Queiroz”, que fantasiosamente denominada “Expresso Queiroz”.

Esta história começa em 1948, quando Sr. Loureiro Pereira de Queiroz, então um homem com 33 anos, cabo do Exército brasileiro, resolveu dar uma guinada na vida, apostando todo o patrimônio que tinha acumulado (a casa onde morava com a mulher e os dois filhos pequenos) na compra de uma jardineira mista usada da única empresa, que na época explorava o então incipiente serviço de transporte coletivo urbano da Campo Grande daquela época. 

Hipotecou sua casa e não teve dúvida: mudou com toda a família para Dourados, para aproveitar a oportunidade de trabalho. Seu objetivo: transportar o nascente fluxo de passageiros, principalmente nordestinos, entre Maracaju e a Colônia agrícola, a qual atraía milhares de famílias interessadas em conseguir uma das glebas que o governo federal distribuía para a exploração agrícola.

Foram tempos difíceis, as estradas eram precárias. As pessoas não tinham onde ficar e a casa da família servia de hospedaria para aqueles que precisassem pernoitar para, no dia seguinte, seguir viagem. A Expresso Queiroz foi crescendo junto com a região onde brotaram literalmente, no vácuo do cultivo da terra e na criação de gado, várias cidades, as antigas passaram por um processo de explosão econômica e demográfica. 

A empresa continua sendo tocada pela família, que nos anos 50 voltou a Campo Grande, época da mudança do trajeto para, Campo Grande - Dourados. Era necessário um dia inteiro para chegar ao destino, pois 240 km em estrada de chão atrasavam muito a viagem. Em meados de 1953, mais ônibus foram adquiridos para transportar passageiros até Rio Brilhante, antiga Entre Rios, onde era preciso fazer baldeação, o qual um ônibus saía de Dourados e ia até à margem do rio.

Os passageiros atravessavam a pé e pegavam o outro ônibus que os aguardavam para chegarem a Campo Grande. Somando-se posteriormente ao trajeto, a cidade de Ponta Porã. Não era uma tarefa fácil. O asfalto era só um projeto que veio a sair do papel nos anos 70. Não havia pontes. Durante mais de 30 anos a empresa teve praticamente a exclusividade na exploração do transporte de passageiros Campo Grande/Dourados e região de fronteira com o Paraguai e extremo sul do Mato Grosso do Sul. Havia ônibus de hora em hora. 

"Sr. Loureiro Queiroz chegou a comprar dez ônibus novos de uma só vez, mas os deixavam parados no pátio e rodava com os velhos, por causa das péssimas condições das estradas. Dava até dó de colocá-los para viajar, a bateria chegou a descarregar de tanto tempo parados”, se recorda a filha do pioneiro, Neusa Alice Pereira de Queiroz.

Apesar da desregulamentação da economia nos anos 90 e a falta de fiscalização, a empresa não deixou de ser a única empresa concessionária do transporte de passageiros entre Campo Grande Dourados/Ponta Porã e região de fronteira. Mesmo competindo com empresas interestaduais e até com o transporte clandestino das vans, preservou seu espaço no mercado, modernizando a gestão, renovando a frota e incorporando modelos novos e modernos.

Hoje, a Expresso Queiroz entra na sua terceira geração de herdeiros, se mantendo competitiva, eficiente, rentável, mantendo vivo o sonho do seu fundador, o comendador Loureiro Pereira de Queiroz, que a dirigiu desde sua criação no final dos anos 40, pós-guerra, até 2002, quando morreu perto de completar bem vividos 88 anos de idade. 

A Equipe do Fortalbus sempre que viaja ao Mato Grosso do Sul se depare com o resultado e a realização de vida deste nobre cearense.

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