terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O auge e o sucateamento da CTC Fortaleza

Por Fortalbus
Conhecida pelo fortalezense como um exemplo de empresa pública de transporte com seu jeito ímpar de transportar, a CTC foi criada para realizar um papel importante na história do transporte coletivo de Fortaleza. Sua criação em 1964, foi um divisor de águas para o sistema, pois trazia à tona a questão do transporte ser gerido por uma empresa pública municipal, numa época em que o Brasil emergia por uma forte presença do Estado. 

Vários exemplos de sucessos e pioneirismo no transporte coletivo são atribuídas a forte presença da CTC, até por ser uma empresa que dava equilibrio operacional ao sistema. Na sua trajetória podemos ressaltar os ônibus trolébus, ônibus com motor central, veículos movidos á gas natural entre outros. Além disso se destacou a relação de confiança entre a companhia de transporte e o povo fortalezense, que via na CTC a prefeitura demarcando território no transporte, motivo de várias insatisfação.

A chegada da CTC na operação de uma linha servida por empresa privada era almejada pelas comunidades, bairros como Conjunto Palmeiras e João Arruda são exemplos da ineficiência dos serviços. A entrada temporária da CTC nessas linhas, forçou que as empresas de ônibus que antes tinha a exclusividade no bairro, renovar sua frotas com ônibus modernos, com direitos ao aviso na lateral "Ônibus Novo, transportando o povo". 

A CTC vivia um de seus melhores momentos, status de empresa deficitária no final da década de 80, a empresa passou então a ser uma das melhores no setor, sendo premiada no ano de 1990 com o prêmio concedido pelo Instituto Miguel Calmon, que escolheu a empresa pública com o melhor desempenho no Norte e Nordeste. Naquele momento, a frota da CTC era de 84 ônibus, operando em 14 linhas do sistema urbano de Fortaleza, ocupando a posição de 5ª maior frota de ônibus em Fortaleza e a 2ª maior empresa em faturamento, demostrando que a Empresa poderia seguir com suas próprias pernas.

Visando sua ampliação, a CTC criou novas linhas de ônibus ligando bairros sem acesso ao Centro, indo de contra-mão dos interesse das empresas de ônibus privada que não se interessou pelos itinerários, limitando suas operações apenas nas linhas Bairro-Centro, coube então a CTC, viabilizar as novas linhas colocando seus próprios ônibus a serviço das comunidades. 

Sua passagem temporária pela linha do Conjunto Palmeiras em 1990, ressultou na modernização operacional da linha, além da ampliação da mesma, passando ser dividida entre Conjunto Palmeiras/Perimetral e Conjunto Palmeiras/Santa Maria, já pensando na finalização da contrução dos conjuntos habitacionais São Cristovão e Sitio São João. Após este período, a CTC repassou novamente a linha para a Autoviária São Vicente de Paulo, mediante a um acordo firmado junto a prefeitura para modernização da frota, o que de fato acabou ocorrendo naquele momento com a chegada dos ônibus novos de chassi Scania.

Linhas como Conjunto Ceará/Iguatemi, Conjunto Ceará/Papicu, Francisco Sá/Parangaba e Pontes Vieira I e II, Estados Unidos I e II, Parquelândia I e II, e Circular Central foram criadas, exibindo a nova fase do transporte coletivo. Muitas dessas novas linhas acessavam em mercados operados por outras empresas de ônibus, demostrando uma certa insatisfação do setor de transporte, muitos viam nessa atitude uma afronta a classe empresarial de ônibus, que durante anos operavam sem a presença do municipio, limitando-se apenas na fiscalização do sistema. 

Com a chegada do Sistema Integrado de Transporte, a CTC teve seu papel fundamental na implantação deste sistema. Novas linhas e mercados foram criados e distribuídos entre as empresas de ônibus, sempre levando em consideração a relação da empresa com o itinerário da linha. No inicio as operadoras de ônibus atenderam os acordos de inclusão de veículos com motor traseiro e central, além da terceira porta para as linhas troncais e circulares.

Com o crescimento do SIT-FOR, várias empresas de ônibus tradicionais começaram a enfrentar uma crise de adaptação ao sistema e sua forma de arrecadação, fazendo com que várias empresas encerracem suas atividades, fortalecendo as demais. Como a CTC era uma empresa pública, deixou de investir na qualidade de suas operações, se tornando alvo das reclamações dos usuários. A CTC foi vitima da associação direta da empresa com a Prefeitura Municipal, que deixou de priorizar o crescimento da CTC no sistema, diante dos acordos eleitorais ocorridos pela permanencia da gestão na prefeitura.

Nesse trajeto, a CTC operou com uma frota sucateada, totalmente aquém do que esperava a crescente demanda de suas linhas. Até que em 2004, a CTC encerrou sua operação nas linhas urbanas, com a privatização de suas 54 linhas, feito em lotes. A Viação Urbana Filial, atual Viação Dragão do Mar, ganhou a concorrência do primeiro e segundo lotes, e passou atuar nos percursos (040) Parangaba-Lagoa, (044) Parangaba-Papicu via Montese e (045) Conjunto Ceará-Papicu via Montese. Além das rotas (059) Corujão-Avenida Sargento Hermínio, (074) Antonio Bezerra-Unifor e (220) Avenida Sargento Hermínio. O terceiro lote ficou com a Vega S/A Transporte Urbano, passando a ter direito de uso das linhas (075) Campos do Pici-Unifor e (080) Francisco Sá-Parangaba.

Além da Viação Dragão do Mar e Vega S/A que ganharam a concorrência, mais seis empresas que estavam de olho na fatia da CTC, se habilitaram-se para operar as demais tabelas, dando por fim a operação da CTC nas linhas urbanas de Fortaleza, são elas; Viação Timbira Ltda., São Francisco Transporte Urbano Ltda., Auto Viação Fortaleza Ltda., Empresa Santa Maria Ltda., Empresa de Transporte Costa Azul Ltda. e Auto Viação São José Ltda.. Uma das exigências para a disputa das tabelas era que a idade dos ônibus pedidos para rodar no lugar da CTC estivesse entre os anos de 2000 e 2004, que de fato ocorreu a modernização da frota.

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