terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Fraude no Bilhete Único Fortaleza

Acompanhamos a atuação de fraudadores do sistema de transporte de Fortaleza. Por preço mais em conta que o valor da tarifa, eles vendem como passagem de integração temporal de linhas, que deveria ser gratuita. No Centro, o grupo arrecada mais de R$ 20 mil/dia. O Sindiônibus admite que "até detectar, "eles conseguem levantar muito dinheiro"

Três rapazes circulam insistentemente entre os passageiros na parada de ônibus, na calçada da avenida Tristão Gonçalves, no Centro, em frente ao templo da igreja Universal. Eles são “bilheteiros”. Aparentam estar sempre inquietos. São fraudadores do sistema de transporte coletivo da Capital. Um deles é adolescente.
Com cada um, no bolso ou nas mãos, quase uma dezena de cartões de Bilhete Único (BU) - que, por lei, é de “uso pessoal e intransferível”. Os três sobem nos veículos a todo instante, furam fila quase sempre, e descem debulhando o arrecadado. Sem dificuldades. Oferecem a viagem a R$ 2,50, mais em conta que os R$ 3,20 da tarifa de Fortaleza.

Várias pessoas topam embarcar pagando menos. Não desavisadas, endossam a fraude. Nenhum centavo pago ali caiu na conta oficial do sistema. O que os bilheteiros “vendem”, na verdade, é o período de duas horas da gratuidade do BU – disponível ao usuário para fazer a integração de linhas sem precisar pagar nova passagem. A viagem grátis também é garantida no Passecard, usado pelo trabalhador.

Os cartões passados nos equipamentos validadores dentro dos ônibus são verdadeiros, mas pertencem a terceiros. São de pessoas que emprestam seus nomes no cadastro do BU em troca de R$ 30 a R$ 40. Um mesmo cartão chega a ser usado irregularmente de 50 até mais de 100 vezes ao longo do dia.

A venda ilegal de viagens do Bilhete Único nem é nova. Teria começado ainda em 2013, poucos meses após a implantação do benefício. Porém, só agora o dano financeiro e operacional é dimensionado.

Ao longo de uma semana, acompanhamos a atividade dos bilheteiros. E confirmou informações de um relatório, de dezembro último, feito pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Ceará (Sindiônibus), que detalha o esquema. A entidade trata o uso ilegal e a venda de BU como ação de uma mesma quadrilha.

“Patrões”
Como o controle eletrônico não é online, o cartão usado indevidamente só poderá ser bloqueado pelo Sindiônibus após dois ou três dias. A empresa atesta a fraude no aparelho do veículo e só depois repassa ao Sindiônibus para a checagem.

Ao fim do “expediente”, que vai das seis da manhã às 18 ou 20 horas, um mesmo bilheteiro terá apurado, por baixo, de R$ 200 a R$ 400, segundo o Sindiônibus.

A parada da igreja Universal é frequentada por pelo menos 16 bilheteiros. A abordagem aos passageiros é permanente. Dentro do ônibus, passam até mais troco que o cobrador. Haveria mais 18 bilheteiros na parada em frente à estação do Metrofor, também na Tristão Gonçalves.

Entre os 18 que atuam na Praça da Estação, um deles vende picolés e também oferta viagens mais baratas. Também há bilheteiros na praça Coração de Jesus e na esquina das avenidas Carapinima com 13 de Maio, no Benfica. Escolhem pontos com maior confluência de linhas dos bairros para o Centro.

Com base no relatório, fizemos a conta: em apenas três locais (praça do Metrofor, Tristão Gonçalves e praça da Estação), a movimentação passa de R$ 20 mil/dia.

Na estrutura do grupo, os bilheteiros recebem ordens de “patrões” de cada ponto, conforme o levantamento do Sindiônibus. Seriam eles os cabeças da fraude.

Nos flagrantes, um dos patrões aparece fazendo a recarga (substituição) de cartões. A cada duas horas, eles rondam as paradas – o mesmo tempo que dura a gratuidade do BU. Pagam as diárias aos bilheteiros e custeiam o valor aos titulares aliciados dos cartões e as recargas do dia.

Entenda como é a fraude
Por um valor mais barato (R$ 2,50) que a tarifa (R$ 3,20), fraudadores “vendem” a gratuidade do Bilhete Único - válida ao longo de duas horas, cada vez que o cartão do BU é acionado.

Com vários cartões de BU em mãos, os bilheteiros circulam entre os passageiros nas paradas. No embarque, furam a fila para se posicionar ao lado das catracas. São acusados de coagir passageiros, trocadores e motoristas.

No ônibus, recebem o dinheiro e passam o BU no validador da integração – o aparelho confirma a gratuidade. Ou descem e o passageiro devolve o cartão pela janela. Mas nenhum centavo irá para a conta do sistema.

Ao longo do dia, “patrões” dos bilheteiros circulam nas paradas para trocar cartões que perdem o prazo da gratuidade. Nessas “rondas”, eles também vistoriam a arrecadação dos bilheteiros.

Locais mais utilizados por bilheteiros: avenida Tristão Gonçalves, praça da Estação, praça Coração de Jesus, esquina das avenidas Carapinima e 13 de Maio e catracas externas do Terminal da Parangaba.

Há adolescentes entre os bilheteiros. Também ambulantes e donos de banquinhas. No Coração de Jesus, além do BU também vendem vale-transporte – hoje menos, porque a margem de lucro é menor.
Com informações: O Povo

2 comentários:

  1. Cade o sistema de biometria que existe no validados e só de decoração.

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  2. os dispositivos de biometria no validdor deveria estar funcionando

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